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- Gabriel Fernandes assina “Casa Simonetto – Tributo à Janete Costa” na CASACOR São Paulo 2026
Inspirado em Janete Costa, o espaço alinha monumentalidade, simetria e a potência do fazer brasileiro Texto: Denise Delalamo Comunicação Fotos: MCA Estúdio Em sua quarta participação em conjunto com a Simonetto marca de móveis planejados na CASACOR São Paulo, o arquiteto Gabriel Fernandes, à frente do GF Estúdio 55, apresenta a “Casa Simonetto – Tributo à Janete Costa”. Inspirado no tema da mostra deste ano “Mente e coração”, o projeto valoriza a passagem do tempo e a capacidade de reinvenção dos fazeres brasileiros, afirmando o valor do desenho que nasce da cultura popular. A CASACOR São Paulo acontece de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca. No conceito do projeto, Gabriel presta homenagem a uma de suas maiores referências, a arquiteta e designer Janete Costa, reconhecida por valorizar a arte popular brasileira em projetos sofisticados e por sua atuação como curadora. O espaço celebra seu legado por meio de elementos sensíveis e carregados de história, equilibrando monumentalidade, proporção e simetria, resgatando memórias entrelaçadas ao saber-fazer brasileiro, à prática artesanal e à arquitetura. “A ideia é apresentar a Casa Simonetto como uma homenagem sensível a uma das figuras mais importantes da arquitetura e da arte popular no Brasil. Como alguém que se considera aluno dessa escola Janete Costa, minha busca foi criar um espaço capaz de provocar a mesma emoção que senti ao entender a potência do território e do fazer manual como transformação na vida das pessoas”, afirma Gabriel Fernandes. Com 160 m², a casa se abre para um living com pé-direito generoso, criando uma atmosfera que valoriza perspectiva, escala e profundidade. Para reforçar a ideia de simetria, a lareira assume destaque como peça central no ambiente. Ao fundo, foram posicionadas a cozinha e o jantar, estabelecendo a divisão dos espaços por meio de uma leitura clara e equilibrada, com base na lógica modernista. O layout, pensado também para o olhar contemporâneo, fortalece essa monumentalidade ao enquadrar o espaço de forma elegante e precisa, junto às grandes janelas, que ampliam a delicadeza da luz natural e reforçam a sofisticação silenciosa do ambiente. A grande estante surge como um dos principais destaques do projeto. Ocupando todo o pé direito do espaço, ela é composta por gavetas entalhadas em madeira, inspiradas nas volutas do barroco brasileiro. As peças foram desenvolvidas pelo artista mineiro Nellinho, artesão de Tiradentes, cujo o trabalho resgata as memórias do fazer manual brasileiro e transforma a estante em uma peça simbólica da arte popular e do tempo dedicado ao ofício. As gavetas entalhadas guardam memórias, do artesão, do arquiteto, da arquitetura e do próprio território brasileiro, reafirmando o valor da manufatura e da tradição. Toda a marcenaria foi assinada pela Simonetto, tradicional empresa brasileira de móveis planejados, e ganha protagonismo através do lançamento do ano da marca: a lâmina natural de pau-ferro, aplicada em diferentes mobiliários do ambiente. O material recebe ainda delicados chanfros nos tamponamentos de maior espessura para suavizar o olhar e acabamento melamínico em tom Caramelo, criando uma base elegante, quente e sofisticada para o projeto. A Simonetto entrega um alto nível de personalização que enriquece toda a marcenaria. A partir dessa composição, todos os demais acabamentos foram desdobrados, em uma construção cuidadosa entre matéria-prima, textura e desenho autoral. A iluminação desenvolvida por Carlos Fortes, cria camadas dentro do próprio projeto, valorizando volumes, transparências e texturas naturais, trazendo continuidade visual e conforto estético para a mostra. As tramas artesanais ocupam um papel central na narrativa do ambiente. O tapete mistura palha natural com fios de algodão, enquanto o tecido do sofá foi desenvolvido por Gabriel em parceria com o designer Renato Imbroisi, profissional que também colaborou com Janete Costa ao longo de sua trajetória. A escolha reforça a continuidade desse legado e a importância do trabalho manual na construção da identidade brasileira. Inspirado no amarelo modernista presente na arquitetura de Oscar Niemeyer, observado recentemente por Gabriel durante uma hospedagem no Edifício Copan, o projeto traz um amarelo vibrante aplicado de maneira pontual e precisa, exatamente como Janete fazia em seus interiores. A tonalidade, desenvolvida em parceria com a Coral, surge como um gesto de emoção e memória dentro da composição. As texturas naturais aparecem em diferentes camadas, como nos tecidos de algodão das cortinas e nos acabamentos cuidadosamente selecionados, reforçando a autenticidade e a delicadeza do projeto. A curadoria valoriza as tramas artesanais e homenageia o legado de Janete Costa na união entre design e arte popular brasileira. Entre os destaques, estão as poltronas em couro do living que fazem parte do acervo pessoal Vilma Eid, desenhadas por Janete e Acácio Borsoi, a mesa lateral em cerâmica dos irmãos campana, e as peças da coleção tubular de Geraldo de Barros. A chaise Le Corbusier, um clássico do modernismo, reforça as misturas do arquiteto que traz para seu trabalho neste ano um pouco do design internacional dentro de sua linguagem. As obras de arte que faziam parte do acervo de Acácio e Janete, sendo o quadro da Tomie Ohtake, e o Panneaux do Burle Marx, são os protagonistas da narrativa, fazendo uma conexão entre as histórias vividas por Janete, com o partido do arquiteto. Na cozinha, a composição é marcada por grandes nichos e por uma marcenaria que oferece funcionalidade ao integrar mesa de jantar, fogão embutido, geladeira, tudo se resume ali, em volta da mesa. A materialidade reafirma o discurso do projeto e aproxima arte, arquitetura e artesanato. Já a varanda é totalmente inspirada em Burle Marx, carregada de bromélias, plantas preferidas do paisagista, e por vasos com diferentes estruturas, dialogando com o modernismo e a paleta do ambiente, tudo elaborado e pensado pela paisagista Regina Peres. Gabriel mostra que a Casa Simonetto é mais do que um espaço. É um convite para um olhar mais sensível sobre o trabalho manual e o fazer brasileiro. Com uma narrativa consistente, o projeto resgata memórias, afetos e referências fundamentais da arquitetura e da arte popular do país, celebrando o legado de Janete Costa através de uma experiência carregada de emoção, cultura e identidade brasileira. CASACOR São Paulo 2026 Data: 02 de junho até 09 de agosto de 2026 Local: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel Mais Informações: www.casacor.com Facebook: www.facebook.com/casacoroficial Instagram: @casacor_oficial
- José Navarro apresenta “Living Origens” em sua terceira participação na CASACOR SP
O ambiente propõe uma reflexão sobre consumo, significados e o papel da arquitetura no habitar contemporâneo Texto: Denise Delalamo Comunicação Fotos: MCA Estúdio Em sua terceira participação na CASACOR São Paulo, o arquiteto José Navarro, à frente do Atelier Navarro Arquitetura, apresenta o Living Origens como um espaço que ultrapassa o conceito estético para se afirmar como posicionamento crítico. Alinhado ao tema “Mente e Coração”, o projeto nasce de uma pesquisa contínua desenvolvida ao longo da trajetória do arquiteto, iniciada ainda na formação acadêmica e aprofundada durante sua passagem pela Universidade de São Paulo. O espaço de 80m² materializa questões que acompanham o arquiteto em sua prática profissional, refletindo sobre como consumo, valor simbólico e arquitetura se entrelaçam no cotidiano. Mais do que desenvolver um ambiente expositivo, Navarro constrói uma narrativa que explicita e tensiona os códigos que orientam o desejo e as escolhas no habitar contemporâneo. Inspirado pela teoria dos signos de Jean Baudrillard e sociedade de consumo de Zygmunt Bauman, o projeto parte do princípio de que não consumimos apenas objetos ou espaços, mas os significados que eles carregam. Assim, decisões aparentemente técnicas ou estéticas, da escolha de materiais à seleção de mobiliário, revelam camadas simbólicas que influenciam diretamente a forma como percebemos valor. O living se apresenta como cenário articulando uma estética envolvente a um discurso que questiona o papel do arquiteto, as dinâmicas do mercado e a maneira como clientes e sociedade enxergam a arquitetura. Logo na entrada, uma grande estante em tom terracota estabelece um gesto provocativo ao homenagear Isay Weinfeld, ao mesmo tempo em que introduz elementos como plantas artificiais e falsos “prêmios de sustentabilidade”, questionando discussões sobre o olhar do outro. No começo do percurso, a cadeira Sobrepor lançamento da SP arte 2026 do Estudio De La Cruz com Domingos Totora, está posicionada junto a duas obras de Franz Weissmann, que demonstram sua busca pela síntese entre forma, espaço e equilíbrio, criando um contraste entre o consagrado e o contemporâneo. Esse contraponto continua ao entrar no living, onde a obra “Batendo Corpos” do artista mineiro Desali, feita especialmente para o espaço, continua a sequência nesse contraponto da intervenção da entrada, utilizando-se do trabalho de um jovem artista que parte da observação do cotidiano e materialidade da madeira para construir sua obra. O contraste entre essas abordagens amplia a leitura do espaço e reforça sua camada discursiva. “Posicionamos propositalmente as obras do Weissmann, um artista moderno na entrada, criando uma narrativa onde a arte moderna consagrada está abrindo espaço para os artistas mais recentes. Quero que seja um reflexo da narrativa pensada para o ambiente” diz Navarro. Uma grande estante no living, reúne diferentes obras de arte, ampliando a conversa proposta pelo ambiente. Com uma curadoria de nomes contemporâneos que variam entre novos no mercado e artistas consolidados, o arquiteto transforma a estante interna em uma galeria de arte, intervenções de nomes como Tunga, Elisa Arruda, Marilá Dardot, Ana Vitoria Mussi, Amalia Giacomini, Ricardo Homen, Michelle Rosser, Eduardo Fonseca, Thaís Helt, José Bento, Maria Lira, Estela Sokol, Leopoldo Martins, Nydia Rocha, Martin Parr, Raul Mourão, Laura da Vinci, Nelson Leirner e a gravura em metal intitulada “Algumas Casas” de Nazareno. Logo ao centro, temos uma grande obra de Andrey Rossi que foi desenvolvida inédita para o espaço a partir da interpretação do projeto pelo artista. Sendo os únicos artistas modernistas na estante, as esculturas de Amílcar de Castro e Sonia Ebling pertencem à coleção privada do arquiteto, e foram posicionadas como forma de demonstrar a harmonia entre o conceito e a arte. Esses elementos não são apenas estéticos, eles acrescentam peso cultural ao ambiente, e também contam uma história com conceitos, sobre arte e signos. O mobiliário reforça essa construção crítica e simbólica. Entre os destaques estão a icônica Poltrona Favela, dos irmãos Campana, entendida como um marco do design brasileiro contemporâneo, além de peças assinadas por Lina Bo Bardi, poltronas Envelope da + 55 e sofá da mesma marca. O ambiente também incorpora obras e objetos de diferentes naturezas, como as caixas do jovem artista Marcos Roberto e a mesa de dados desenvolvida por Nazareno para uso em seu próprio ateliê, trazendo ao espaço uma dimensão mais autoral e processual. Ao canto do ambiente, o destaque vai para a obra “Filmes de Raio x”, pertencente a própria coleção privada da plástica Nazareth Pacheco, que utilizou suas radiografias como matéria-prima para a intervenção, contando uma história sensível sobre memória, a dor, e a sobre ressignificar. O ambiente também traduz dimensões pessoais, o piso e a lareira de pedra-sabão, feitos a partir de um bloco escolhido na pedreira pelo arquiteto, que evoca suas origens mineiras, enquanto a presença marcante da arte revela a conexão do escritório com o universo artístico e reforça a arquitetura como meio de expressão e reflexão, os materiais naturais usados de destaque como pedra e madeira ajudam na narrativa do projeto. No living, uma grande obra da artista Niura Bellavinha, que pertence a uma coleção particular, foi um dos pontos de partida do projeto e cria harmonia com a paleta de cores. Na mesa de centro, a obra “Xeque Mate” de Nelson Leiner está posicionada ao lado da obra “Manual de Primeiros Socorros”, de Adriana Varejão. A curadoria se completa com a obra “Dipico”, de Marilá Dardot, que fotografou a mão de trabalhadores da construção civil e pediu para que eles escrevessem sobre seus desejos – uma obra especialmente simbólica para uma exposição de arquitetura. O projeto é um trabalho que traduz a conexão do escritório com o mundo da arte, com consumo contemporâneo, as discussões de arquitetura, como enxergamos e somos vistos. O revestimento Akafloor Milano, em Cumaru, também está presente na composição do living. Aplicado com destaque, o ripado contribui para a construção da atmosfera proposta pelo arquiteto, reforçando a presença da madeira como elemento que aproxima a sofisticação e o acolhimento dentro da narrativa. Mais do que uma proposta de morar, o Living Origens se posiciona como uma reflexão sobre o papel do arquiteto e as expectativas que recaem sobre a profissão, especialmente em contextos como a CASACOR. Ao evidenciar práticas comuns do mercado e questionar a superficialidade de certos discursos, o espaço convida o visitante a reconsiderar o que, de fato, significa sustentabilidade, valor e permanência. Entre razão e sensibilidade, o projeto propõe um retorno às origens não como nostalgia, mas como ferramenta crítica para repensar o presente. CASACOR São Paulo 2026 Data: 2 de junho a 9 de agosto Local: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel Mais Informações: www.casacor.com Facebook: www.facebook.com/casacoroficial Instagram: @casacor_oficial
- Felipe Carolo homenageia o centenário de seu avô com o projeto “Casa Jacob | Itaú Personnalité” na CASACOR 2026
Texto: Denise Delalamo Comunicação Fotos: MCA Estúdio Um dos grandes destaques da edição 2025 da CASACOR São Paulo, o arquiteto Felipe Carolo retorna à mostra com sua verve vibrante, colorista e carregada de veneno anti-monotonia – além de certa poesia “anti-gepetismo”. Autêntico, contemporâneo e orgânico, ele revisita a memorabília do clã com um pé no passado, outro no presente e os dois olhos no dia depois de amanhã. O projeto celebra o centenário do avô do arquiteto, o “Seu Jacob”, figura central em sua formação. “Meu avô me acolheu num momento difícil da família e foi decisivo na escolha da minha profissão”, conta. Da trajetória do patriarca – nascido em Pontal (SP), órfão ainda cedo, ex-lenhador, professor, político e símbolo de superação – puxa-se o fio condutor do loft: legado, herança emocional e passagem do tempo. Não são apenas os croquis digitais que sintetizam a nova estética da vida. Na era da IA, palavras, discursos e storytellings inteiros foram padronizados. Poucos verbetes sofreram tanto desgaste quanto “memória afetiva”, hoje repetido de forma quase automática, muitas vezes sem lastro emocional. Em contrapartida, alguns criativos seguem apostando no purismo do tailor-made em cada etapa do processo, sem abrir mão dos avanços tecnológicos. Como escreveu o jornalista e crítico de design Allex Colontonio: “ Felipe Carolo, na proa da nova geração da arquitetura brasileira, prefere a organicidade sinestésica cara aos grandes criativos da haute couture, sem medo da cor, desempoeirando a estética vintage e fundindo esses elementos à vanguarda da casa brasileira”. De volta à mostra após estreia elogiadíssima no ano passado, Carolo apresenta a sua “Casa Jacob | Itaú Personnalité” em ambiente de 77m² com pé-direito de 4,50 m no Prédio 23, para a 39ª edição da CASACOR São Paulo. Três peças da família de Carolo dão start à narrativa. A escrivaninha inglesa da biblioteca do ancião, restaurada com acabamento assumindo a madeira natural e o preto contemporâneo; um aparador herdado da tia, pertencente ao Jacob; e o baú do tataravô, instalado no quarto. Objetos que ancoram um layout onde nostalgia e contemporaneidade convivem sem caricaturas. Também sem excessos, o espaço se distribui em volume fluído que integra living, cozinha, home office, lavabo e suíte. O azul intenso domina a paleta como referência ao universo do estudo e da educação, em contraste com madeira natural em lâmina Alpi Wood, a coleção Sushi e Pirarucu dos Irmãos Campana, painéis geométricos em bronze e preto, e a textura de couro, além de nuances terracota e verde musgo. Para harmonizar, o piso em herringbone costura todo o perímetro. Mas o mélange de Carolo destila um repertório tão culto quanto sofisticado. Entre os destaques estão a porta-escultura inspirada na série Bichos, de Lygia Clark, atravessada pelo rigor Bauhaus; o lustre Flying Disc, de Ingo Maurer, ocupando o pé-direito generoso do living; a lareira decorativa em FORMICA bronze com velas, evocando apartamentos pré-guerra europeus e americanos; e o sofá Chesterfield em couro, reminiscência direta da casa do avô, aqui desconstruído de sua austeridade. A cozinha surge com armários de desenho circular e bancada em Corian. Já a suíte, distante dos folclores japonistas óbvios, aposta numa cama baixa sobre base de tecido que contracena com mural de Pachiras, biombo e um box central envolto por película setentista. Um convite ao retrô que poderia ser o novo amanhã. Também arranjada sob medida, a instalação botânica de Aline Matsumoto (com bromélias, flor favorita do avô), é outro highlight do loft. As obras de arte reforçam a curadoria afiada do autor. O elenco inclui trabalhos de Maria Antonia, da série Carne da Terra, Júlio Villani, Pierre Verger, Jandira Waters, Poliana Toussaint, Tathyana Santiago, Carol Ambrósio, e uma coleção de objetos autorais em cerâmica desenvolvida em parceria com Luiza Navarro, batizada de Tempo. Em linhas gerais, o projeto plasma modernismo brasileiro, mid-century e referências eurocentristas clássicas - como as janelas arqueadas e a separação tradicional entre lavabo e banho - reinterpretadas para um modo de vida contemporâneo onde trabalho, intimidade e casa já não obedecem a fronteiras rígidas. O time de parceiros e fornecedores reúne nomes como FORMICA, Novaes Ferreira, FAS Iluminação, Blinkie Iluminação, Studio Vitty, Caran Concept | Hunter Douglas, ETEL, Dpot, By Kamy, Botteh Tapetes e Donatelli, entre outros. Durante a montagem, o espaço contou ainda com o patrocínio do Itaú Personnalité, conexão natural com a ideia de legado e sucessão geracional. Entre heranças afetivas, design colecionável, memórias familiares e um olhar permanentemente voltado ao amanhã, Felipe Carolo entrega um espaço que rejeita fórmulas prontas e reafirma algo cada vez mais raro no mercado: personalidade. Porque a tendência passa, mas a atmosfera fica. E a quem interessar possa, este release foi escrito por inteligência natural.
- Mi Corazón: Michele Wharton transforma memórias afetivas latinas em experiência sensorial na CASACOR São Paulo 2026
Lounge de 30 m² resgata a essência das casas latinas dos anos 80 por meio do design, da arte e da celebração dos encontros Texto: Revista Habitare Fotos: Gabriel Oliveira Entre memória, identidade e contemporaneidade, o ambiente "Mi Corazón", assinado pela arquiteta Michele Wharton para a CASACOR São Paulo 2026, convida o visitante a mergulhar em uma narrativa afetiva inspirada nas tradicionais casas latinas dos anos 80. Instalado no Ambiente 36, no Prédio 23, o lounge de aproximadamente 30 m² transforma lembranças em uma experiência sensorial que celebra o encontro, a cultura e o pertencimento. A proposta parte de uma releitura contemporânea das grandes salas de estar que marcaram uma geração, espaços onde a música, a convivência e a expressão cultural ocupavam papel central. Em "Mi Corazón", essa atmosfera ganha novos contornos por meio de uma composição sofisticada que une referências latino-americanas e orientais, criando uma identidade visual rica em significados e camadas culturais. O projeto apresenta uma curadoria cuidadosa de peças artesanais e elementos que reforçam a conexão com as raízes culturais do continente. Entre os destaques estão os bordados de molas panamenhas produzidos pelas índias Gunas, cerâmicas artesanais brasileiras e obras de arte selecionadas pela CASA REINA, reunindo artistas afro-indígenas e latino-americanos. No centro do ambiente, um imponente sofá de veludo terracota com formas orgânicas organiza o espaço e estabelece o tom acolhedor da composição. Ao seu redor, mobiliário assinado, obras de arte e uma abundante presença de plantas criam uma atmosfera de refúgio urbano, marcada pelo frescor e pela sensação de acolhimento. Um dos elementos mais emblemáticos do projeto é o bar integrado ao lounge. Inspirado nos clássicos bares presentes nas residências dos anos 80, o espaço resgata o ritual dos encontros sem pressa, dos brindes compartilhados e das conversas que atravessam o tempo. Mais do que um recurso funcional, o bar se torna um símbolo da hospitalidade e da celebração da vida cotidiana. A experiência é ampliada por uma iluminação cênica cuidadosamente planejada e pela integração de tecnologia ao ambiente. No teto, um pavão surge como elemento de destaque sobre um fundo azul intenso. Símbolo de beleza, renovação e poder, a figura conecta espiritualidade, arte e memória, reforçando o caráter poético da proposta. Mais do que um lounge, "Mi Corazón" se apresenta como uma narrativa viva sobre afeto e identidade. Um espaço onde o passado inspira o presente e onde o design se torna instrumento para despertar lembranças, provocar emoções e fortalecer conexões humanas. Serviço CASACOR São Paulo 2026 Ambiente 36 – Prédio 23 Período: de 2 de junho a 9 de agosto
- Marta Martins assina restaurante da CASACOR São Paulo com proposta de acolhimento e permanência
Ambiente de 220m² criado para a CASACOR São Paulo 2026 propõe uma experiência de convivência e desaceleração, celebrando os 20 anos do escritório da arquiteta Texto: Paris Comunicação Fotos: Camila Santos Inspirado na ideia de raiz como símbolo de pertencimento e vínculo, o ambiente de 220m² criado pela arquiteta Marta Martins para a CASACOR São Paulo 2026 propõe uma experiência voltada ao encontro, à permanência e à desaceleração dialogando com o tema da edição ‘Mente e Coração’. O projeto marca a segunda participação da profissional na mostra e coincide com os 20 anos de seu escritório. Intitulado “Raiz”, o espaço abriga o restaurante Mesa Viva da 39ª edição, realizada entre 2 de junho e 9 de agosto, no Parque da Água Branca. Mais do que um ambiente gastronômico, a proposta foi concebida como um lugar de convivência, pensado para estimular relações mais presentes e um ritmo menos acelerado. A atmosfera é construída a partir de materiais naturais, iluminação suave e uma paleta de tons terrosos. Madeira, tecidos orgânicos e texturas acolhedoras ajudam a criar um ambiente contínuo e intimista, onde conforto e permanência ganham protagonismo. A sustentabilidade aparece de forma integrada ao projeto, sem excessos ou elementos cenográficos. A escolha por materiais duráveis e naturais reforça essa abordagem mais essencial, valorizando a matéria-prima e a experiência sensorial do espaço. Entre os destaques está o mural exclusivo Mulungu, criado pela artista plástica e muralista francesa Dominique Jardy. Inspirada na força e na presença de uma árvore, a obra traduz visualmente a conexão com a natureza proposta pelo ambiente. O bar também chama atenção ao combinar pedra verde e tons vinho, criando um contraponto sofisticado à base neutra do projeto. No centro da composição está a mesa, elemento que organiza o espaço e simboliza o ato de compartilhar. Ao redor dela, a experiência da refeição ganha um caráter mais afetivo e contemplativo. “Quis criar um restaurante onde as pessoas realmente tenham vontade de ficar. Um espaço silencioso, confortável e acolhedor, que valorize o encontro e o tempo compartilhado”, afirma Marta Martins. Segundo a arquiteta, o projeto também reflete o momento atual de sua trajetória profissional. “Ao longo desses 20 anos, percebi que a arquitetura mais importante é aquela capaz de aproximar pessoas e criar conexões verdadeiras. O ambiente traduz justamente essa ideia de pertencimento e presença”, completa. Sobre Marta Martins Fundado em 2006, o escritório Marta Martins Arquitetura celebra 20 anos em 2026, consolidando uma trajetória marcada por projetos residenciais e comerciais de alto padrão em São Paulo e em outras capitais do país. Antes de inaugurar o próprio escritório, Marta Martins construiu uma sólida experiência profissional, reunindo quase três décadas de atuação na arquitetura. Sua assinatura se traduz em linhas retas, paleta atemporal e atenção minuciosa aos detalhes, equilibrando sofisticação, funcionalidade e sensação de aconchego.
- Arquiteto Camilo Jr. estreia na CASACOR SP 2026 com ambiente cheio de significado as raízes da humanidade
Texto: Revista Habitare Fotos: Daniela Magario O arquiteto Camilo Jr. marca presença na edição de 2026 da CASACOR São Paulo com o projeto Espaço Gênese. Projetado como um banheiro com ilha de conforto e acessibilidade, o ambiente de 25m² propõe uma viagem conceitual às raízes mais profundas da existência humana. O ambiente ultrapassa a proposta de ser apenas um projeto de interiores para se consolidar como um memorial da jornada humana. O arquiteto propõe “uma investigação fenomenológica sobre a origem da consciência a partir de seu diálogo com a matéria. O conceito postula que a arquitetura não é uma mera consequência do pensamento, mas sim o seu lugar de nascimento". Segundo o conceito apresentado, a inteligência humana construiu a si mesma no ato de transformar elementos brutos, como pedra e madeira, em abrigo e significado. Ao caminhar pelo ambiente, o espectador é convidado a tocar essa origem e a enxergar seu próprio reflexo no longo arco evolutivo, da caverna ao arranha-céu. O espaço pretende ser a prova de que a história não reside apenas em livros, mas está impregnada em cada material que a humanidade aprendeu a dominar. Camilo deixa claro que cada material, forma e até mesmo obras de arte foram definidos de acordo com o conceito e partido para compor a narrativa. “A pedra exótica - que combina a formação do travertino com a translucidez do ônix - representa o alicerce. Suas nuances de cinza, azul, bege e marrom evocam as primeiras paisagens e a solidez do planeta, servindo como uma verdadeira memória geológica". Outro material que se destaca é o Carvalho Brun Thera (lançamento da Duratex). A escolha do MDF em tons mais escuros domina o espaço representando o primeiro domínio do ser humano sobre o ambiente, a ancestralidade e a conexão vital com a floresta. Além disso, o arquiteto destaca a utilização de madeira de reflorestamento de eucalipto utilizada pela marca para produzir as chapas, contando inclusive com certificação internacional FSC. Posicionado como o ápice tecnológico e a metáfora da razão pura, a bancada em aço inox, carrega a superfície fria e espelhada convidando à autorreflexão. Vale destacar que o aço inox já é reconhecido por ser altamente sustentável e apontado como um dos materiais mais ecológicos da indústria moderna. "Meu desejo foi marcar no ambiente representações de passado, presente e futuro. O inox, por exemplo, vem simbolizando a lógica, a precisão e o pensamento voltado para o futuro”. Para complementar a atmosfera reflexiva e dialogar com a materialidade do projeto, o espaço conta com uma curadoria de arte criteriosa com obras de consagrados artistas. Carlos Araújo, com a obra “A crucificação” - pintura na fronteira entre figuração e abstração que transforma referências do imaginário bíblico em composições marcadas por campos de cor e síntese formal -, Annike Limborço, com peças da obra “Mares e morros” - com camadas sutis de texturas, elas evocam montanhas e relevos naturais como metáforas do silêncio interior e Hanna Dank, com a obra que fez parte do príncipio conceito do arquiteto, "Forjados no mar” - um estudo sobre movimento e forma, com contornos que parecem moldados pela água e pelo tempo em uma composição de expressão silenciosa. Além disso, o fotógrafo Adriano Pacelli fecha a composição de arte com sua obra "Silêncio concreto” - fineart que transforma as estruturas do Little Island (NY) em linguagem abstrata, criando um diálogo entre a rigidez do concreto e a fluidez das águas. Com o Espaço Gênese, Camilo Jr. sintetiza sua visão de que a arquitetura deve não apenas acompanhar o seu tempo, mas antecipá-lo. Unindo sua sólida bagagem em tecnologia e startups à extrema sensibilidade artística, o autor do 'Método Arquiteto 360' entrega à CASACOR SP 2026 um ambiente que transcende a estética. É uma experiência imersiva e atemporal que, em sua quietude material, celebra a glória da inteligência humana, provando que compreender as nossas origens é o caminho mais seguro para projetar o futuro.
- Studio Costa + Azevedo assina a Casa Origens na CASACOR São Paulo
Em parceria com a Criare, escritório apresenta estúdio de 53m² que destaca o mobiliário planejado e valoriza o design brasileiro, o garimpo afetivo e o morar com personalidade Texto: Denise Delalamo Comunicação Fotos: MCA Estúdio Com uma trajetória consolidada em projetos que unem arquitetura, interiores, arte e comportamento, os arquitetos Josemar Costa Júnior e André Azevedo, do Studio Costa + Azevedo, apresentam o estúdio “Casa Origens” na 39ª edição da CASACOR São Paulo, que ocorre de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca. Reconhecida pela criação de espaços funcionais, sofisticados e conectados aos novos modos de viver, a dupla assina, em parceria com a Criare, um ambiente que traduz o olhar contemporâneo e autoral do escritório sobre o morar. Inspirado por memórias, referências afetivas, design e arte, o projeto propõe uma experiência sensível e singular de habitar. No ambiente de 53m², despojado e com poucas divisões, a Criare apresenta soluções planejadas sob medida que percorrem todo o estúdio com precisão técnica e unidade estética. O padrão Harmony conduz a marcenaria e contribui para a atmosfera acolhedora do ambiente. Na área social, ganha destaque a estante autoral desenhada pelos arquitetos, concebida como o grande elemento protagonista do projeto. Com cruzetas em aço inox incrustadas na madeira, a peça evidencia o olhar criativo e a proposta de personalização do escritório, unindo design, funcionalidade e identidade estética. Na cozinha, portas e gavetas com fecho toque garantem praticidade e visual limpo. Já no dormitório, os armários mantêm externamente o mesmo padrão da marcenaria, enquanto o interior recebe o padrão Finesse, de linguagem geométrica, clara e contemporânea. A narrativa da Casa Origens, contudo, começa já no hall de entrada, concebido como uma grande “caixa” cenográfica que marca a transição entre os ambientes da mostra e o universo íntimo do estúdio. O espaço abriga um cobogó desenhado pelo próprio escritório no tom marsala, executado em MDF Hibisco, da Duratex, além de um gaveteiro em imbuia assinado pelo designer Felipe de Lucca. De volta à área social, o repertório apurado para o design e o garimpo se revela na rica convivência entre peças icônicas e criações contemporâneas. A poltrona Alpha, de Maurice Burke & Arkana, da década de 60, e a poltrona LC1, desenhada por Le Corbusier em 1928, dialogam com o sofá Alf da Casa Ática, em tom caramelo, e com a poltrona construtivista do designer Rodrigo Almeida, da BS Galeria. A mesa de xadrez da Moooi introduz um ar descontraído à composição, enquanto o tapete Hemp TC Natural da by Kamy confere aconchego e sofisticação ao ambiente. Integrada à cozinha, a área de jantar propõe um morar prático e descontraído. A mesa de Ernesto Hauner, de 1931, reúne cadeiras de Martin Eisler, da década de 1950, além da Him, de Fabio Novembre. A iluminação é assegurada pelo pendente Bubble, de George Nelson. A geladeira embutida da Brastemp completa a marcenaria planejada pela Criare, reforçando a leitura limpa e funcional do ambiente. Na área íntima, o armário se confunde com a parede em uma composição sutil e sofisticada. A cama integra-se aos armários e ao painel da cabeceira revestido em tecido, elemento que acrescenta acolhimento e equilíbrio visual ao espaço. A escrivaninha é acompanhada pela icônica cadeira Platner, do designer americano Warren Platner — mais um aceno ao repertório modernista presente em todo o projeto. Já o banheiro flerta com a sensualidade ao incorporar uma grande escotilha em vidro canelado, que desperta o olhar curioso a partir da sala — não para revelar, mas para provocar. Sobre a mostra A CASACOR São Paulo 2026 acontece de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca, reunindo mais de 65 ambientes entre projetos arquitetônicos, instalações artísticas, lojas e restaurantes. Com o tema “Mente e Coração”, a mostra propõe uma reflexão sobre o lar como espaço de reconexão interior — um convite para olhar para si, redescobrir propósitos e, a partir disso, fortalecer a relação com o mundo e sua regeneração. A edição oferece uma experiência imersiva que integra arquitetura, arte e sustentabilidade em múltiplas camadas sensoriais e conceituais. Sobre o escritório O Studio Costa + Azevedo é um escritório voltado para Arquitetura, Arte, Design de Interiores e Comportamento. Os projetos são desenvolvidos a partir de uma análise atenta à sustentabilidade econômica da proposta, aliando pesquisas, atualização constante e conexão com o mercado para atender às necessidades e desejos de cada cliente. Com mais de 20 anos de atuação, sob o comando de Josemar Costa Jr e André Azevedo, o escritório acumula ampla experiência em diferentes regiões do país, reunindo profundo conhecimento de materiais e suas melhores aplicações. Essa trajetória possibilita a criação de soluções inovadoras e projetos funcionais, que traduzem a identidade de cada cliente. A proposta do escritório é desenvolver soluções estruturadas que proporcionem o melhor aproveitamento dos espaços, com atenção à escolha dos materiais e ao refinamento de cada etapa do processo. O know-how adquirido na relação entre ideia, conceito, investimento e implantação orienta projetos alinhados aos novos comportamentos e desejos de uma sociedade em constante transformação. CASACOR São Paulo 2026 Data: 2 de junho a 9 de agosto de 2026 Local: Parque da Água Branca – R. Dona Ana Pimentel - São Paulo – SP Mais Informações: www.casacor.abril.com.br Facebook: www.facebook.com/casacoroficial Instagram: @casacor_oficial
- Volar Interiores estreia na CASACOR SP 2026 com a Casa Ecomorada
Em meio ao Parque da Água Branca, a estrutura modular vermelha de 60 m² abriga sala de estar, jantar, cozinha e varanda generosa Texto: Ale Gusmão Comunicação Fotos: Daniela Magario Alinhada ao tema da CASACOR São Paulo 2026, “Mente e Coração”, a Casa Ecomorada, assinada pelo escritório Volar Interiores, surge como um grande coração pulsante em meio ao Parque da Água Branca. Na estrutura modular vermelha, as janelas emolduram o tempo e nos convidam a entrar, enquanto a varanda amplia o olhar e oferece um merecido respiro. O projeto foi pensado como uma casa em sua forma mais pura. “O ângulo da entrada voltado para o jardim e a distorção na proporção do telhado são grandes diferenciais, assim como a claraboia redonda, que projeta a luz de diferentes formas conforme o sol atravessa as sombras das árvores”, explicam as designers de interiores Ericca Gonçalves e Cinthia Gontijo, que compartilham a direção criativa do escritório. Outro detalhe marcante é a cor. “O vermelho intenso de toda a estrutura recebe uma pintura que preserva aparentes os veios da madeira, com a proposta de integrá-la à natureza”, completam. A escolha dos materiais prioriza durabilidade e desempenho, com uso de madeiras certificadas e homologadas, além de estrutura metálica 100% reciclável. Com dois acessos — pela escada frontal ou por um percurso acessível no jardim —, o projeto de 60 m² abriga sala de estar, jantar, cozinha e uma varanda generosa. Logo na entrada, duas luminárias de piso Cambu, da designer Adriana Yazbek, anunciam o que está por vir. Como elo afetivo e ponto focal do ambiente, uma bancada de cerâmica ampla e linear integra fogão, área de preparo e cuba. Revestida com cerâmicas artesanais e sustentáveis, também aplicadas no piso, a peça recebe pintura à mão da artista visual Serei a Folha, com signos que representam as origens distintas das profissionais e sua posterior união. “Brasília tem dois símbolos que me representam fortemente e tocam meu coração: os ipês espalhados pela cidade, com toda sua força e suas cores, e a escultura em bronze ‘O Pássaro’, de Marianne Peretti. Para mim, ela representa todas as mulheres que seguiram seus maridos, como minha mãe, acreditando no sonho da nova capital do Brasil”, compartilha Cinthia. Do Paraná, Ericca traz referências à araucária, à galinha e à begônia. “A araucária me lembra de onde vim, assim como a galinha, com todo o seu valor de simplicidade, e a begônia, com a exuberância de uma planta rara”, conta. Como o próprio nome sugere, a sustentabilidade permeia a Casa EcoMorada, que alia construção modular e alta eficiência. “Seu sistema construtivo – uma combinação de aço, madeira, telha semi-sanduíche e aberturas de vidro – permite uma redução significativa de desperdícios ao longo da obra, além de promover mínima ocupação do solo, tornando a implantação mais limpa e menos invasiva ao entorno”, explica Cinthia. Nos interiores, o mobiliário principal é da Lider, incluindo o sofá personalizado com tecidos e estampas da branco.casa. Na área de estar, ele dialoga com a releitura da chaise LC4, de Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand, assinada pelo Estudio Reyes e Anne Galante; com a mesa de centro Helena, de Walter Cuco; e com a mesa lateral Louça, de Humberto da Matta. Já na sala de jantar, o tampo de travertino é acompanhado pelas delicadas cadeiras de Sergio Rodrigues. O Tapete Patchwork, da By Kamy, com fragmentos de importantes tapetes orientais antigos, amarra a composição. O espaço também reúne obras de três galerias de arte — Galatea, WG Galeria e Casa Rosa e Amarela —, com curadoria de Cinthia, para que cada peça estivesse alinhada ao enredo do projeto. O percurso se encerra em um spa privativo nos fundos da casa, com deque, banheira, ducha e uma instalação de casinhas de pássaros desenhadas pelo escritório e executadas pelo artista plástico Glaucio Muramatsuro. “É um espaço para viver, um refúgio nosso, para não nos esquecermos de quem somos. Um momento para parar, contemplar… palco de boas conversas, de amor, de amizades e de encontros”, conclui Ericca. Sobre Volar Interiores As designers de interiores Ericca Gonçalves e Cinthia Gontijo se unem pela Volar Interiores. Há 10 anos, o escritório transforma sonhos em espaços que respeitam e traduzem histórias, sempre movido pelo desafio de criar ambientes autênticos e acolhedores. Com olhar apurado para cores, texturas e combinações de materiais, a dupla encontra na arte brasileira uma fonte constante de inspiração, valorizando o trabalho e a criação de artistas nacionais. O resultado são projetos transformados em lares, onde morar também é existir. www.volarinteriores.com.br @volarinteriores Sobre a CASACOR A CASACOR São Paulo, a mais completa plataforma cultural de arquitetura, paisagismo e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, decoradores e paisagistas e em 2026 chega à sua 39ª edição em São Paulo, no Parque da Água Branca. Instagram: @casacor_oficial | @casacor_sustentavel Facebook: facebook.com/casacor_oficial Youtube: www.youtube.com/casacoroficial Twitter: twitter.com/casacor Telegram: t.me/casacoroficial WhatsApp: whatsapp.com/channel/0029Va6nnYPAYlUPPSrquW2m Site: www.casacor.com.br SERVIÇO - CASACOR São Paulo 2026 Onde: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, s/n portaria G4 do PAB Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026 Horário de funcionamento do evento: Terça a domingo das 11h às 22h Horário bilheteria: Terça a domingo* das 11h às 20h15 *fechamento da bilheteria física 15 minutos após o último horário. A visita poderá acontecer até às 22h.
- Henrique Mariani estreia na CASACOR São Paulo com o ambiente “Através das Lentes”
Inspirado no tema ‘Mente e Coração’, arquiteto cria experiência sensorial para a Gustavo Eyewear e propõe pausa, acolhimento e novas formas de ver o mundo Texto: Revista Habitare Fotos: Daniela Magario O arquiteto Henrique Mariani estreia na CASACOR São Paulo com o ambiente “Através das Lentes”, desenvolvido para a Gustavo Eyewear. Inspirado no tema da 39ª edição, “Mente e Coração”, o projeto propõe uma experiência sensorial que convida o visitante a desacelerar e experimentar a arquitetura sob uma percepção mais sensível. A mostra acontece de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca. À frente da HM Arquitetura e Interiores, Henrique assina um ambiente de 55m² concebido para despertar emoções e ativar memórias afetivas. A partir da metáfora das lentes, o projeto explora a ideia de que a forma como habitamos os espaços também influencia a maneira como enxergamos o mundo. “Quis criar um espaço que fosse além da estética. A intenção era oferecer uma pausa no ritmo acelerado do dia a dia, despertando sensações de acolhimento e presença”, afirma o profissional. O projeto combina tons neutros, madeira natural, pedra verde, mosaicos artesanais e tecidos com tramas manuais. O conjunto constrói uma atmosfera serena, tátil e conectada à natureza. Os detalhes reforçam o conceito, puxadores em formato de óculos e prateleiras com bordas inspiradas em hastes de armações traduzem o universo da ótica de forma sutil e integrada ao design. As colunas do ambiente receberam um trabalho artesanal de mosaico utilizando a técnica de Gaudí, desenvolvido manualmente pelo artista Andrés Fênix. As peças foram produzidas a partir do reaproveitamento de retalhos, sobras e revestimentos quebrados de obras, reinterpretados artisticamente na composição dos mosaicos. O processo reforça o conceito sustentável presente no espaço. Entre os destaques está um tapete autoral criado especialmente para a mostra, desenhado pelo arquiteto e executado pela Tapetah. A peça une a silhueta de um coração humano ao contorno do mapa do Brasil, criando uma composição simbólica e emocional. A proposta cromática parte de tons terrosos e amarronzados, associados a regiões de maior presença natural e vegetação. Gradualmente, a paleta evolui para tons acinzentados, representando os grandes centros urbanos, como São Paulo. O conceito reforça a ideia da capital paulista como o “coração do Brasil”, trazendo conexão emocional, territorial e sensorial ao ambiente. No coração do espaço, o Jardim da Percepção, concebido pelas paisagistas Ana Lui e Karen Marini, surge como um convite à pausa e à contemplação. Integrado de forma harmoniosa à vegetação nativa, o jardim constitui o eixo sensível e emocional do projeto. “A arquitetura tem a capacidade de transformar não apenas os espaços, mas também a forma como nos sentimos dentro deles. Aqui, a ideia foi traduzir a experiência de experimentar óculos em uma vivência mais emocional e memorável”, complementa Henrique. Na cobertura, a instalação “Raízes da Memória” amplia essa narrativa com formas orgânicas que remetem a raízes e galhos, percorrendo o teto como metáfora para pensamentos e lembranças que moldam a percepção. O próprio forro acústico do ambiente foi totalmente desenhado e desenvolvido pelo profissional, criando uma composição baseada nas ramificações naturais de uma folha. O elemento se transforma em uma grande obra artística e sensorial. Outro destaque é uma grande lente circular aplicada sobre uma pedra natural verde na parede principal. No interior da peça, uma tela exibe imagens em movimento relacionadas ao universo óptico, reforçando o convite a enxergar a realidade sob novas perspectivas. Espelhos posicionados ao longo do ambiente ampliam a profundidade e integram o visitante à cenografia. Ao experimentar os óculos, o público passa a interagir com o espaço e com o próprio reflexo de forma mais imersiva. Os pendentes especiais da Massucci também compõem a atmosfera do projeto. Produzidos artesanalmente em Fortaleza, utilizam arames e materiais reaproveitados, valorizando o trabalho manual e artístico. O ambiente ainda contará com uma peça exclusiva criada pelo ateliê Gizelda Galeazzo, um vaso artesanal em porcelana desenvolvido por meio de técnicas de textura, relevo e aplicação manual. Inspirada no conceito do ambiente, a peça foi concebida a partir da premissa de equilíbrio, identidade e beleza, não apenas como elemento decorativo, mas como criação integrada ao projeto, promovendo harmonia e autenticidade ao espaço. A sustentabilidade permeia todo o projeto. O ambiente utiliza materiais reaproveitados e ecológicos, como painéis de PET reciclado e mosaicos produzidos a partir de resíduos de porcelanatos e revestimentos. A iluminação em LED garante eficiência energética, enquanto a marcenaria foi projetada com sistemas de encaixe que permitem desmontagem e reuso. Grande parte do mobiliário e dos elementos decorativos também foi concebida para reaproveitamento posterior, ampliando o ciclo de vida dos materiais utilizados no ambiente.
- Ruído Bar
Aria I Mariana e Nadia I CASACOR São Paulo 2026 Texto: Lakrõ Relações Públicas Fotos: Camila Othon Em uma época marcada pela hiperconectividade, pelos algoritmos e pelo consumo acelerado de informações, o Ruído Bar nasce como um manifesto em defesa da presença. Assinado pela arquiteta Mariana e pela designer Nadia, do Aria, o ambiente propõe uma reflexão sobre os diferentes significados do ruído na vida contemporânea. Se por um lado ele pode representar o excesso de estímulos, notificações e distrações constantes, por outro, é justamente nele que residem algumas das experiências mais genuínas da convivência humana. O ruído de uma conversa entre amigos, O som de um copo repousando sobre a mesa. O embaralhar de cartas, uma partida de jogo de tabuleiro, o lápis deslizando sobre o papel ou uma risada que ecoa ao fundo. Pequenos acontecimentos cotidianos que transformam o espaço em um cenário de encontros, trocas e memórias. Mais do que um bar, o ambiente se apresenta como um convite à desaceleração. Um espaço onde o manual deixa de ser nostalgia para se tornar escolha; onde o tempo volta a ser vivido, e não apenas consumido. Com uma atmosfera acolhedora e despretensiosa, o projeto se estende para uma área externa que estimula a interação entre os visitantes. Mesas de granilite, jogos analógicos e charmosos ombrelones compõem o cenário, criando uma experiência que valoriza a permanência e o convívio espontâneo. A materialidade do espaço reforça o conceito central do projeto: a beleza dos momentos que acontecem sem filtros. Entre o algoritmo e o afeto, o Ruído Bar escolhe o segundo. Sobre o Aria: Sob a regência Mariana Plaza e Nádia Asencio, o Aria um escritório híbrido de arquitetura e decoração que traduz, em cada projeto, uma visão contemporânea, autoral e profundamente conectada ao comportamento humano. Com forte atuação no mercado de varejo, o escritório se distancia de abordagens convencionais para construir narrativas espaciais que unem estética, funcionalidade e propósito. Cada ambiente é concebido como um organismo vivo, onde matéria, sensibilidade e experiência se encontram em perfeita harmonia. Guiadas por uma leitura intuitiva e estratégica dos espaços, Mariana e Nádia desenvolvem projetos que valorizam o bem-estar, a fluidez e a conexão entre as pessoas e o ambiente. Seu trabalho é pautado por uma arquitetura que transcende a forma, despertando sensações, memórias e uma atmosfera quase etérea, onde a energia do lugar se revela em cada detalhe. Com um espírito jovem, inquieto e visionário, o Aria Studio apresenta novos olhares sobre interação, convivência e pertencimento, criando espaços sofisticados, acolhedores e carregados de identidade. Mais do que projetar ambientes, o escritório materializa experiências que dialogam com a alma, elevando a arquitetura a uma expressão genuína de conexão, equilíbrio e significado









