Henrique Mariani estreia na CASACOR São Paulo com o ambiente “Através das Lentes”
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Inspirado no tema ‘Mente e Coração’, arquiteto cria experiência sensorial para a Gustavo Eyewear e propõe pausa, acolhimento e novas formas de ver o mundo
Texto: Revista Habitare Fotos: Daniela Magario

O arquiteto Henrique Mariani estreia na CASACOR São Paulo com o ambiente “Através das Lentes”, desenvolvido para a Gustavo Eyewear. Inspirado no tema da 39ª edição, “Mente e Coração”, o projeto propõe uma experiência sensorial que convida o visitante a desacelerar e experimentar a arquitetura sob uma percepção mais sensível. A mostra acontece de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca.
À frente da HM Arquitetura e Interiores, Henrique assina um ambiente de 55m² concebido para despertar emoções e ativar memórias afetivas. A partir da metáfora das lentes, o projeto explora a ideia de que a forma como habitamos os espaços também influencia a maneira como enxergamos o mundo. “Quis criar um espaço que fosse além da estética. A intenção era oferecer uma pausa no ritmo acelerado do dia a dia, despertando sensações de acolhimento e presença”, afirma o profissional.
O projeto combina tons neutros, madeira natural, pedra verde, mosaicos artesanais e tecidos com tramas manuais. O conjunto constrói uma atmosfera serena, tátil e conectada à natureza. Os detalhes reforçam o conceito, puxadores em formato de óculos e prateleiras com bordas inspiradas em hastes de armações traduzem o universo da ótica de forma sutil e integrada ao design.

As colunas do ambiente receberam um trabalho artesanal de mosaico utilizando a técnica de Gaudí, desenvolvido manualmente pelo artista Andrés Fênix. As peças foram produzidas a partir do reaproveitamento de retalhos, sobras e revestimentos quebrados de obras, reinterpretados artisticamente na composição dos mosaicos. O processo reforça o conceito sustentável presente no espaço.
Entre os destaques está um tapete autoral criado especialmente para a mostra, desenhado pelo arquiteto e executado pela Tapetah. A peça une a silhueta de um coração humano ao contorno do mapa do Brasil, criando uma composição simbólica e emocional.
A proposta cromática parte de tons terrosos e amarronzados, associados a regiões de maior presença natural e vegetação. Gradualmente, a paleta evolui para tons acinzentados, representando os grandes centros urbanos, como São Paulo. O conceito reforça a ideia da capital paulista como o “coração do Brasil”, trazendo conexão emocional, territorial e sensorial ao ambiente.
No coração do espaço, o Jardim da Percepção, concebido pelas paisagistas Ana Lui e Karen Marini, surge como um convite à pausa e à contemplação. Integrado de forma harmoniosa à vegetação nativa, o jardim constitui o eixo sensível e emocional do projeto. “A arquitetura tem a capacidade de transformar não apenas os espaços, mas também a forma como nos sentimos dentro deles. Aqui, a ideia foi traduzir a experiência de experimentar óculos em uma vivência mais emocional e memorável”, complementa Henrique.

Na cobertura, a instalação “Raízes da Memória” amplia essa narrativa com formas orgânicas que remetem a raízes e galhos, percorrendo o teto como metáfora para pensamentos e lembranças que moldam a percepção. O próprio forro acústico do ambiente foi totalmente desenhado e desenvolvido pelo profissional, criando uma composição baseada nas ramificações naturais de uma folha. O elemento se transforma em uma grande obra artística e sensorial.
Outro destaque é uma grande lente circular aplicada sobre uma pedra natural verde na parede principal. No interior da peça, uma tela exibe imagens em movimento relacionadas ao universo óptico, reforçando o convite a enxergar a realidade sob novas perspectivas.
Espelhos posicionados ao longo do ambiente ampliam a profundidade e integram o visitante à cenografia. Ao experimentar os óculos, o público passa a interagir com o espaço e com o próprio reflexo de forma mais imersiva.

Os pendentes especiais da Massucci também compõem a atmosfera do projeto. Produzidos artesanalmente em Fortaleza, utilizam arames e materiais reaproveitados, valorizando o trabalho manual e artístico. O ambiente ainda contará com uma peça exclusiva criada pelo ateliê Gizelda Galeazzo, um vaso artesanal em porcelana desenvolvido por meio de técnicas de textura, relevo e aplicação manual. Inspirada no conceito do ambiente, a peça foi concebida a partir da premissa de equilíbrio, identidade e beleza, não apenas como elemento decorativo, mas como criação integrada ao projeto, promovendo harmonia e autenticidade ao espaço.
A sustentabilidade permeia todo o projeto. O ambiente utiliza materiais reaproveitados e ecológicos, como painéis de PET reciclado e mosaicos produzidos a partir de resíduos de porcelanatos e revestimentos.
A iluminação em LED garante eficiência energética, enquanto a marcenaria foi projetada com sistemas de encaixe que permitem desmontagem e reuso. Grande parte do mobiliário e dos elementos decorativos também foi concebida para reaproveitamento posterior, ampliando o ciclo de vida dos materiais utilizados no ambiente.





