Pilar de concreto descoberto durante a obra vira protagonista em apartamento no Leblon
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Projeto da Janeiro Arquitetura preserva a planta original do imóvel e mostra como pequenas intervenções podem transformar completamente um apartamento.
Texto: Revista Habitare Fotos: Luiza Schreier

Quando compraram o primeiro apartamento para morar juntos, Ana e Douglas tinham um objetivo bastante definido: fazer apenas a obra indispensável para a mudança. O casal, que vive com Alice, filha adolescente de Douglas, e o cachorro Dino, encontrou no Leblon um imóvel com ótima distribuição, mas que precisava de alguns ajustes para refletir a personalidade da nova família. Em vez de promover grandes demolições, a arquiteta Fernanda Zeitoune, da Janeiro Arquitetura, optou por valorizar a arquitetura existente e concentrar os investimentos em intervenções pontuais.
"O apartamento já tinha uma planta muito interessante, com circulação circular. Nosso trabalho foi trazer personalidade ao projeto e mostrar como soluções inteligentes podem transformar os espaços", afirma Fernanda.
A principal alteração foi a abertura de uma passagem entre a sala e o escritório. Foi justamente durante essa intervenção que surgiu o elemento que acabaria definindo toda a identidade do projeto. Ao remover o revestimento de uma parede, a equipe encontrou um pilar estrutural de concreto em formato triangular.

"Adoramos a estética dos materiais naturais. Desde o levantamento, já sabíamos da existência dos pilares nas extremidades da fachada e não tínhamos dúvidas de que um deles seria descascado. A surpresa veio durante a demolição, quando descobrimos seu formato triangular. O concreto aparente acabou orientando o desenho da estante e se tornou mais um elemento que confere personalidade ao projeto, exatamente como a cliente sempre desejou", conta.
A arquiteta também decidiu preservar uma característica pouco comum do apartamento: sua circulação circular, que permite percorrer os ambientes de forma fluida. Na área social, o layout foi dividido entre sala de estar e jantar, enquanto a sala de TV e o home office podem ser integrados ou isolados por portas de correr, oferecendo flexibilidade para diferentes momentos da rotina.
A distribuição da área íntima respeitou as necessidades da família. O primeiro quarto pertence à Alice, hoje adolescente. O segundo foi transformado no escritório de Douglas, e a suíte principal atende ao casal.
Outro ambiente que recebeu atenção especial foi o corredor. Para deixá-lo mais acolhedor e cheio de personalidade, as portas foram pintadas em tom vinho e as paredes ganharam listras em meia altura.

"O corredor íntimo era uma oportunidade para trazer elementos inusitados. Na Janeiro, adoramos pintar as portas. Unimos a pintura listrada às portas em vermelho-bordô, cor escolhida pela cliente. Quando damos identidade a esses espaços, a casa inteira ganha mais personalidade", explica a arquiteta.
Como cozinha, banheiros e área de serviço ficaram para uma segunda etapa da reforma, Fernanda apostou em soluções acessíveis para renovar esses ambientes, como a troca de puxadores e dobradiças dos armários.
“Pequenos detalhes fazem muita diferença. Com mudanças simples, como troca dos puxadores, marcenaria e papel de parede, foi possível atualizar esses espaços sem comprometer o orçamento dos clientes”, diz.

Nem tudo, porém, saiu exatamente como planejado. Durante a execução da obra, foi preciso substituir a equipe inicialmente contratada pelos moradores.
“Foi uma decisão importante para garantir que o projeto fosse executado da maneira que havíamos planejado. Apesar do desgaste, conseguimos entregar o resultado esperado”, lembra.
Na decoração, peças com história ajudam a imprimir personalidade aos ambientes, como as poltronas Oscar, adquiridas em leilão e incorporadas à sala de estar.
Além do projeto, existe uma história de amizade entre arquiteta e cliente. Fernanda conheceu Ana quando morou em Tel Aviv, e foram apresentadas por uma amiga em comum.
“Nossa amizade começou em Israel e continuou no Brasil. Fiquei muito feliz quando ela me pediu o projeto da casa dela. Hoje estamos fazendo ainda, o projeto da mãe e até da amiga que nos apresentou. É muito gratificante acompanhar diferentes fases da vida de uma família através da arquitetura”, conclui.













