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Ybytu: cobertura em Salvador transforma luz, matéria e paisagem em uma experiência sensorial de morar

  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

Assinado por Vinícius Rosaneli, o apartamento de 400 m² explora a dualidade entre sombra e luz, intimidade e convivência, em uma arquitetura que dissolve os limites entre o interior e o horizonte do mar.


Texto: Revista Habitare Fotos: Paola Kiminami y Renato Rebouças



Em Salvador, uma cobertura duplex de aproximadamente 400 m² deixa de ser apenas um lugar para viver e se transforma em uma experiência arquitetônica marcada pela contemplação. Batizado de Ybytu — palavra de origem tupi que remete ao vento e ao sopro da terra —, o projeto assinado pelo arquiteto Vinícius Rosaneli traduz uma arquitetura que privilegia a luz, a matéria e a relação permanente com a paisagem.



Resultado da unificação de duas unidades, o apartamento foi organizado em dois pavimentos que revelam atmosferas distintas, porém complementares. Enquanto o nível inferior convida ao recolhimento, com luz filtrada, tons claros e predominância da madeira freijó, o pavimento superior se abre para o horizonte, recebendo abundante iluminação natural e concentrando os espaços dedicados ao convívio e ao lazer.


A arquitetura conduz o morador por uma narrativa espacial construída a partir dos contrastes. Sombra e luminosidade, introspecção e expansão, silêncio e encontro convivem em equilíbrio, tornando a experiência de habitar mais sensível e conectada ao ritmo da natureza.



No pavimento inferior, living, cozinha integrada, suíte e área de banho compartilham uma atmosfera serena. A materialidade privilegia superfícies naturais e uma paleta neutra que reforça a sensação de acolhimento. A banheira Valvée surge como um elemento escultórico que valoriza o tempo desacelerado e transforma o ambiente íntimo em um espaço dedicado ao bem-estar.



Já o pavimento superior revela uma atmosfera mais vibrante. A área gourmet, a sala de TV, o terraço e a piscina se conectam visualmente ao mar, ampliando a sensação de continuidade entre arquitetura e paisagem. Um dos grandes protagonistas do projeto é a piscina revestida em mármore Verde Guatemala, cuja tonalidade dialoga diretamente com o oceano e cria a impressão de que a água se prolonga até o horizonte.



Travertino, madeira e vidro estruturam toda a composição, conferindo unidade aos ambientes e reforçando a ideia de permanência. A luz natural percorre as superfícies ao longo do dia, revelando diferentes texturas, sombras e reflexos que transformam constantemente a percepção dos espaços.


A curadoria de arte também integra a narrativa arquitetônica. Obras contemporâneas, pinturas vibrantes e esculturas rompem a neutralidade dos materiais naturais, estabelecendo contrapontos visuais que enriquecem a experiência sensorial sem competir com a arquitetura.



Em Ybytu, cada escolha parece orientada por um mesmo princípio: reduzir excessos para valorizar aquilo que realmente importa. O resultado é uma arquitetura que não busca protagonismo pela ostentação, mas pela capacidade de despertar sensações, acolher o cotidiano e enquadrar o mar como parte inseparável da vida.


Mais do que uma cobertura de frente para o oceano, Ybytu propõe uma nova maneira de habitar: uma experiência onde a arquitetura não interrompe a paisagem, mas se torna extensão dela.



 
 

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