Na Toscana, Casa Maitò propõe um novo olhar sobre o luxo contemporâneo
- 11 de jan.
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Marco Casamonti / Archea Associati é autor de um hotel-museu em Forte dei Marmi que integra design, arte e natureza em uma experiência sensorial singular
Texto: Redação Habitare Fotos: Pietro Savorellli

A arquitetura italiana reafirma sua capacidade de inspirar o mundo com a Casa Maitò, em Forte dei Marmi, um dos balneários mais sofisticados da Toscana. Assinado pelo escritório Marco Casamonti / Archea Associati, o projeto propõe uma nova leitura da hotelaria de luxo ao fundir design, arte e hospitalidade em uma experiência sensorial única. Concebida como uma verdadeira escultura habitável, a Casa Maitò se destaca pelo desenho refinado, pela inovação e pelo conforto, oferecendo uma estadia marcada pela contemplação e pelo prazer estético.
Com cerca de dois mil metros quadrados, o edifício foi pensado como um refúgio exclusivo. São apenas sete suítes distribuídas em cinco pavimentos, além de amplas áreas comuns que estimulam o convívio e o relaxamento. No térreo, lobby, bar, restaurante e salões de estar se conectam em um percurso fluido e acolhedor. No subsolo, o bem-estar ganha protagonismo com um spa completo, que reúne piscina, sauna, salas de massagem e espaços dedicados a tratamentos de beleza.

Os ambientes são articulados por uma escadaria cênica, marcada por uma instalação artística do colombiano Gustavo Vélez, que reforça o diálogo constante entre arquitetura e arte — um dos pilares da atuação da Archea. Essa relação se estende por todo o edifício, onde a arte contemporânea atua como fio condutor da narrativa espacial.
Logo na entrada, painéis negros de Emilio Isgrò revestem a grande porta, enquanto o teto do térreo foi transformado pela artista bolonhesa Francesca Pasquali em uma superfície vibrante de escamas metálicas inclinadas, evocando os reflexos do mar. No bar, o balcão criado pelo escultor armênio Mikhail Ohanjanyan combina cabos de aço e mármore lapidado, e fotografias de Massimo Listri percorrem os ambientes, conferindo à experiência um caráter quase museológico.

No primeiro andar, a sala de degustação replica o número de lugares do restaurante do térreo e incorpora cinquenta adegas, além de uma área privada com divisórias em aço e vidro âmbar, ideal para encontros reservados ou uso multimídia. O espaço se abre para dois terraços laterais com vista para a Piazza Marconi e para um amplo terraço voltado ao mar, inteiramente revestido em mármore, equipado com grandes mesas e mobiliário de relaxamento.
A materialidade do projeto expressa a delicadeza artesanal que caracteriza a Archea Associati. A fachada combina incrustações cerâmicas brancas e persianas metálicas deslizantes inspiradas em motivos florais do Art Nouveau tardio. No interior, o mármore verde da piscina e o piso da suíte presidencial, feito de resina transparente com areia da própria praia de Forte dei Marmi, trazem a paisagem para dentro da arquitetura, criando um jogo sensível entre luz, textura e memória.

A Casa Maitò sintetiza o espírito da nova hotelaria italiana: intimista, sofisticada e profundamente conectada ao território. Materiais naturais, paleta terrosa e a presença constante da luz mediterrânea evocam a tradição toscana reinterpretada pela linguagem contemporânea e minimalista da Archea, em um equilíbrio preciso entre sobriedade e emoção.
Com o projeto, o escritório reafirma sua visão de uma arquitetura que transcende a função e propõe um encontro entre arte, natureza e design. “Mais do que um hotel, a Casa Maitò é uma experiência sensorial. Cada espaço foi desenhado para provocar emoções, como se o hóspede habitasse uma escultura viva. Não há nada igual na Toscana”, afirma Marco Casamonti, sócio fundador do estúdio.






