Vinícola UVVA: interiores em silêncio para a Serra do Sincorá falar mais alto
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Interiores assinados pelo GAM Arquitetos reforçam a contemplação e deixam a natureza conduzir a experiência do enoturismo em Mucugê (BA).
Texto: Redação Habitare Fotos: Denilson Machado MCA

Na Chapada Diamantina, onde o tempo parece correr em outro ritmo, a Vinícola UVVA se revela como um projeto pensado para olhar para fora. Localizada em Mucugê (BA) — cidade histórica de grande relevância cultural — a vinícola UVVA: está posicionada diante da Serra do Sincorá, e foi justamente essa presença monumental da paisagem que guiou as decisões do projeto de interiores: minimizar ruídos visuais e construir uma experiência de contemplação, com arquitetura e design atuando como moldura para a natureza.
A arquitetura da vinícola foi definida pela arquiteta Vanja Hertcert, especialista em projetos do universo do vinho. Com a base arquitetônica pronta, o GAM Arquitetos assumiu a arquitetura de interiores com um objetivo claro: complementar um empreendimento de enoturismo já estabelecido, qualificando o uso dos espaços para o público visitante e alinhando narrativa, conforto e identidade.
Ao iniciar o trabalho, a equipe do GAM Arquitetos entendeu que o protagonismo não deveria estar nos interiores. A premissa foi direta: não competir com o que realmente importa — o lugar. Daí vêm as escolhas de linguagem e materialidade: piso de cimento, concreto aparente em pilares e superfícies, e uma paleta essencial, trabalhada de forma bruta e simples para manter a atmosfera acolhedora sem perder elegância.

O briefing pedia um equilíbrio delicado: integrar arquitetura, design e natureza, preservando a harmonia entre rusticidade, tecnologia e brasilidade. A resposta aparece em um desenho de interiores fluido, com poucos elementos e uma curadoria precisa, capaz de sustentar a experiência sem disputar atenção com a vista.
O projeto adota uma estratégia que faz diferença em espaços abertos ao público: em vez de multiplicar peças pequenas, o layout foi pensado como grandes salas de estar. Logo na chegada, o visitante encontra dois ambientes amplos, organizados como lounges confortáveis, com mobiliário de maior porte e volumes bem definidos — soluções que dão escala, convidam à permanência e contribuem para o bem-estar.

Na área de degustação, a linha se mantém: peças de desenho limpo, sem excessos, assinadas por nomes do design nacional. E, no restaurante, a proposta equilibra dois momentos: a varanda espaçosa, mais descontraída, com lounge baixo e menos formal, e o salão principal, concebido como um grande cubo de vidro — para que a paisagem siga em evidência durante toda a experiência.
Um dos pontos de destaque do projeto é a área exclusiva para exposição dos rótulos, desenvolvida com linguagem de galeria. A ideia foi evitar a aparência de loja e reforçar o caráter de visita — criando uma pausa curatorial dentro do percurso, em que o vinho é apresentado como parte de uma narrativa maior, conectada a território, cultura e produção.

No subsolo, a vinícola abriga uma cave onde o vinho envelhece em um ambiente de arquitetura extremamente limpa, integrada ao solo e com interferências mínimas. Atualmente, o espaço recebe uma instalação artística de Marcos Zacariades, criando um encontro potente entre arte e vinho.

Ainda no subsolo, há uma sala exclusiva para degustação, com mobiliário de grandes designers brasileiros. Posicionada diretamente dentro da rocha, ela intensifica a sensação de imersão no território — uma experiência que reforça a proposta central do projeto: sentir a Chapada não apenas pelo olhar, mas também pelo corpo, pela matéria e pelo silêncio.
Entre as decisões que costuram o conjunto, o forro ripado acústico em madeira atua como elemento funcional e sensorial: ajuda no conforto acústico dos ambientes e, ao mesmo tempo, direciona o olhar dos visitantes para a vista panorâmica da imponente Serra do Sincorá.






