Uma ode à madeira: Studio Marina Salles estreia na CASACOR São Paulo 2026 assinando o Home Office Entre Veios
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Texto: Matheus Pereira Comunicação Fotos: Fran Parente

Consolidada como a mais completa plataforma cultural de arquitetura, paisagismo, e design de interiores das Américas, a CASACOR São Paulo inaugura sua 39ª edição, reunindo 70 ambientes, e aberta ao público entre os dias 2 de junho e 9 de agosto. A mostra ocupa um dos cenários mais simbólicos da capital paulista: o Parque da Água Branca. É neste contexto, onde edifícios do início do século XX e uma paisagem verde preservada resistem ao avanço da metrópole, que o Studio Marina Salles Arquitetura e Interiores faz sua estreia assinando o Home Office Entre Veios.
Ocupando 31 m² do edifício histórico, o espaço desenha-se como o refúgio criativo de um designer-marceneiro — um laboratório de pesquisa onde a experimentação da madeira conduz a narrativa. Ao interpretar o tema anual da mostra, “Mente e Coração”, a arquiteta Marina Salles propõe um mergulho na honestidade material: o “coração” pulsa no gesto humano que transforma a árvore em artefato, enquanto a “mente” se revela no rigor dos encaixes técnicos e no respeito ao tempo da natureza. É nesse equilíbrio que nasce o nome Entre Veios, chave de leitura para a experiência: se os veios registram graficamente o amadurecimento da vida vegetal, o “entre” celebra o diálogo necessário entre a sensibilidade do artesão e a precisão do desenho.

Na visão da arquiteta, "o design é o elo final de uma trajetória ancestral. Ao entender que cada fibra guarda o registro de sua própria história, o fazer manual deixa de ser apenas técnica para se tornar a lapidação da própria natureza”. Complementando, “é um convite a perceber que, entre o planejamento e a execução, existe uma relação de afeto, reafirmando o compromisso com a preservação da marcenaria tradicional brasileira como ofício”.
Para dar corpo a essa premissa, o Studio Marina Salles propõe uma ode ao saber manual, reverenciando a maestria de carpinteiros, marceneiros, designers e artistas que tratam a madeira em sua plenitude. No desenho do espaço, detalhes frequentemente silenciados pela indústria tradicional — como os nós, as variações de tonalidade e as marcas naturais do tempo — assumem o protagonismo da composição.
O layout configura-se, em essência, como um ateliê de investigação, onde a arquitetura do edifício histórico é respeitada como alicerce narrativo. O piso original em tacos de peroba foi restaurado, servindo como um testemunho do tempo e da própria materialidade que o ambiente celebra. Para orquestrar o fluxo visual, um pórtico em gesso acartonado foi executado em torno da parede principal, criando um eixo de profundidade que emoldura uma estante como epicentro do home office. A estrutura recalibra a escala: em um ambiente de pé-direito generoso, o elemento estabelece uma altura mais palatável ao visitante, conferindo uma imediata sensação de acolhimento.
A marcenaria modular desdobra-se ao longo do plano principal, atuando como a espinha dorsal do projeto. Desenvolvida em placas quadrangulares de 35 centímetros, a peça utiliza a alternância cromática e de acabamento entre o pinus natural e a madeira carbonizada escovada para subverter a percepção convencional do material. O painel exalta as singularidades da madeira — seus nós e fibras — transformando a parede em uma superfície viva. A lógica modular assegura o compromisso com a sustentabilidade, permitindo a desmontagem e o reuso total dos componentes após o encerramento da mostra.

Ancoradas a este eixo, um conjunto de prateleiras e bancada inferior – ambas em goiabão tingido – conferem horizontalidade ao conjunto. Para selar a atmosfera, o projeto luminotécnico do Estúdio Carlos Fortes, com luminárias técnicas da Interlight, utiliza temperatura de cor quente que banha o espaço e o painel principal. Esse jogo de luz destaca os relevos das madeiras selecionadas, enquanto abajures criam um cenário intimista.
A curadoria sobre as prateleiras aprofunda a imersão pedagógica e afetiva do ambiente. Amostras de espécies nativas — como o cumaru, catuaba e roxinho — convidam o visitante a explorar a singularidade tátil e cromática da biodiversidade. Ao lado delas, uma seleção bibliográfica traça uma linha do tempo da marcenaria, unindo o rigor milenar da arquitetura japonesa em madeira ao legado de mestres brasileiros como Sergio Rodrigues e Carlos Motta. Complementando, objetos do cotidiano artesanal, como lápis e esquadros de carpinteiro, humanizam a estante.
Em posição central, a área de trabalho gravita em torno da mesa Demoiselle, de Lia Siqueira, em madeira maciça, complementada pela cadeira Gir, da designer Juliana Llussá.
O coroamento do ambiente manifesta-se no novo forro, que combina um sistema de sanca ao refinamento da aplicação de lâminas de madeira pela Alpi. Fruto de um rigoroso processo de engenharia, o material resulta em uma superfície de alta durabilidade. Para além do ganho acústico, vital em um espaço de pé-direito elevado, o forro traz visualmente o teto para uma escala mais acolhedora, dissipando a altura original.
Ao fundo, as janelas originais, voltadas para o parque, servem de lembrete constante da gênese da matéria-prima – um ciclo visual entre as árvores e os artefatos que preenchem o interior.
Um estar convida à pausa e à leitura, organizando-se como um compêndio do design nacional. Ele é ancorado pelo sofá Ginza, por Isabelle de Mari, cuja estrutura exposta em sucupira maciça permite que o "esqueleto" do móvel narre sua própria construção. Ao lado, a poltrona Vaivém, criação de Leon Ades, uma peça inspirada nas tradicionais cadeiras de balanço, e produzida inteiramente em seu ateliê-marcenaria em São Paulo.
A curadoria de mestres atinge seu ápice com a poltrona Benjamin, de Sergio Rodrigues. Peça fundamental para a compreensão da identidade brasileira, ela exemplifica a genialidade de Sergio ao elevar a madeira maciça ao patamar de valorização cultural.
Nesta ambientação, seu assento ganha roupagem com o tear manual de Marina Lafer, unindo a robustez das formas torneadas à delicadeza do fazer artesanal têxtil. O conjunto é arrematado por mesa lateral Macarrão da oficina de Marcenaria, designer reconhecida por fundir a marcenaria fina à vanguarda do design autoral. Juntas, todas as peças narram uma trajetória de respeito à floresta e ao tempo do artesanal.

Nas paredes, a reverência à madeira expande-se através de uma curadoria artística que investiga a matéria-prima em suas múltiplas trajetórias. Este percurso inicia-se com a gaúcha Heloísa Crocco, que traduz o tempo em linguagem gráfica ao revelar as texturas intrínsecas de madeiras reaproveitadas. A imersão prossegue com a pesquisa morfológica de Advânio Lessa, cujas esculturas nascem de uma colaboração simbiótica com a morfologia da floresta. A investigação sobre o ciclo de vida e o descarte ganha contornos líricos na obra de Rodrigo Bueno, que utiliza resíduos urbanos como suporte para uma "arqueologia do cotidiano". Por fim, a marcenaria é dissecada como linguagem por Vitor Mazon, que na série Paisagens Ásperas subverte o uso utilitário da lixa em colagens que convidam à reflexão sobre a beleza do gesto de construir. Ainda no conjunto, obra produzida em aquarela especialmente por Marina Salles para o espaço.
O Home Office Entre Veios consolida-se como um testemunho de que a beleza reside no encontro entre o gesto humano e a fibra vegetal. Aqui, a artesania não é apenas técnica, mas o fio condutor que costura o espaço: ela nasce no rigor da marcenaria, flui para a curva do mobiliário e repousa nas obras de arte. É um convite para silenciar o tempo, sentir o rastro da mão no talhe da madeira e reconhecer que, neste diálogo entre o homem e a natureza, o design e a marcenaria se tornam legado.
Sobre a CASACOR
A CASACOR São Paulo é a mais completa plataforma cultural de arquitetura, paisagismo e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, decoradores e paisagistas e em 2026 chega à sua 39ª edição em São Paulo, no Parque da Água Branca.
Instagram: @casacor_oficial | @casacor_sustentavel
Facebook: facebook.com/casacor_oficial
Serviço - CASACOR São Paulo 2026
Onde: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, s/n portaria G4 do PAB
Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026
Horário de funcionamento do evento: Terça a domingo, das 11h às 22h
Horário bilheteria: Terça a domingo*, das 11h às 20h15
*Fechamento da bilheteria física 15 minutos após
o último horário. A visita poderá acontecer até às 22h.
Bilheteria digital: https://appcasacor.com.br/events/sao-paulo-2026
Valores ingressos: De terça a domingo e feriados - R$141,00 (inteira) e R$ 70,50 (meia entrada)
Compra de ingresso de meia-entrada:- Idoso a partir de 60 anos;- Estudante apresentando o documento válido com foto ou recibo de pagamento;- PNE (portador de necessidade especiais) e seu acompanhante (conforme lei 12.933/13);- Professor da rede pública e privada, apresentando documento válido com foto.* Promoção de pré-venda não válida para meia entrada* Comprovação de meia-entrada será exigida na porta.
Importante: Gratuidade de entrada para crianças com idade comprovada de até 10 anos.1 (um) CPF pode comprar no máximo 10 ingressos.Venda Grupo: Compras acima de 10 ingressos ou por CNPJ, envie e-mail parabilheteriacasacor@abril.com.br











