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Casa na Fazenda da Grama ganha novo deck para receber — e traduz a força das paletas quentes em madeira, couro e tons terrosos

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Projeto de Romário Rodrigues Arquitetos amplia a área externa e renova a ambientação com design brasileiro, arte e uma cartela “muddy” que aquece o morar


Texto: Redação Habitare                              Fotografia: Thiago Travesso



Receber bem faz parte do cotidiano — e, nesta casa na Fazenda da Grama, no interior de São Paulo, isso se transforma em diretriz de projeto. Assinada pelo escritório Romário Rodrigues Arquitetos, a intervenção teve duas frentes complementares: nos interiores, uma ambientação cuidadosa, sem grandes mudanças estruturais; do lado de fora, uma atuação completa que redesenhou a área de lazer com expansão do deck coberto (cerca de 160 m²) e reforma da piscina.


O ponto de partida não foi um moodboard, mas um acervo: obras de arte de grande formato nas paredes e uma escultura em mármore na galeria conduziram a composição dos ambientes e deram o tom do projeto — uma casa que funciona também como galeria, onde cada peça encontra respiro e presença sem competir.


Paleta quente e muddy: o acolhimento vem do tom certo  


Em sintonia com uma das tendências mais fortes do morar contemporâneo — paletas quentes e terrosas, com tons muddy —, o projeto trabalha uma base neutra menos frio hospital: off-whites mais quentes, areia, linho e cinzas suaves, aquecidos por materiais com textura e memória.


A madeira natural aparece como elemento estruturante (forros, esquadrias e a nova cobertura externa), enquanto o couro envelhecido e a madeira escura entram como contraponto, trazendo profundidade cromática — da família do caramelo ao marrom — e reforçando a sensação de casa vivida. A vegetação e o jardim, sempre presentes através dos grandes panos de vidro, completam a paleta com verdes densos, quase oliva, que dialogam naturalmente com os terrosos.


Ambientação interna: personalidade sem reforma pesada


Com a arquitetura já definida, o desafio nos interiores foi dar calor e identidade a partir de curadoria. A intervenção interna foi direcionada à ambientação, sem grandes mudanças estruturais, mas com o olhar atento de quem sabe que mobiliário, curadoria e composição de texturas são capazes de transformar completamente a experiência de um espaço, explica Romário.


Além do design autoral, entram na cena objetos trazidos de viagem e peças afetivas — principalmente nas áreas íntimas — incorporados com cuidado para que a casa ganhe camadas e história, mantendo unidade estética.


A circulação também vira narrativa: a galeria com piso de pedra, seixos brancos, obras nas paredes e escultura em mármore costura o living às áreas íntimas com um ritmo quase expositivo, poético.


Área externa: continuidade visual e um espaço que sempre esteve ali 


Do lado de fora, a proposta foi criar uma extensão real da casa — funcional para receber, mas com a mesma linguagem do interior. A resposta veio com uma nova cobertura em madeira ripada, de pé-direito duplo, que conversa diretamente com o forro interno e garante continuidade visual entre living e deque. O resultado é uma área de lazer que parece ter feito parte da casa desde sempre.


A integração se completa com os grandes panos de vidro, que permitem abrir totalmente o ambiente e conectar a mesa de jantar ao jardim e à piscina reformada — reforçando a vocação da casa para encontros.


Design brasileiro em cena: clássicos que aquecem o espaço  


No mobiliário, o projeto afirma uma curadoria de referências incontornáveis do design nacional. Na área externa, a Poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, em couro envelhecido, encontra o cenário ideal para viver sem cerimônia — ao lado da Poltrona Jangada, de Jean Gillon. A mesa de jantar em madeira maciça para até 12 pessoas, cadeiras em madeira escura, pufes e apoios em couro e tecidos completam a composição, com texturas que reforçam a atmosfera acolhedora.


Mais do que ter móveis bons, a casa trabalha o que há de mais interessante nessa tendência das paletas quentes: a cor aparece menos como pintura e mais como matéria — madeira, couro, pedra, fibras e tecidos em tons terrosos e off-whites quentes, criando conforto visual e sensorial.


Ficha técnica/Informações 

Fotografia: Thiago Travesso Área externa/deck: Poltrona Mole (@sergiorodriguesatelier), Poltrona Jangada (@jeangillondesigner), mesa de centro (@designdavila), banquinho animal print (@entreposto)  

Living interno: sofá (@entreposto), mesa de centro (@designdavila), tapetes (@bykamy), adornos e objetos (@lssection)


 
 

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