Casa da Terra traduz o olhar de Sebastião Salgado em experiência sensorial na Bienal
- há 16 horas
- 2 min de leitura
Assinado por Fernanda Rubatino, projeto propõe uma imersão entre origem, travessia e regeneração, conectando arquitetura, natureza e memória a partir do universo do fotógrafo.
Texto: Redação Habitare Fotos: Yuri Mazará

Na Bienal de Arquitetura Brasileira, a arquiteta Fernanda Rubatino apresenta “Casa da Terra para Sebastião Salgado”, um projeto que transforma em espaço a potência poética do olhar do fotógrafo Sebastião Salgado. Inspirada pelo bioma amazônico, presença constante em sua trajetória, a proposta constrói uma narrativa sensorial que atravessa temas como origem, percurso e regeneração.
Mais do que representar a Amazônia, o projeto propõe uma experiência imersiva que articula arquitetura e narrativa. O espaço é estruturado em três momentos: Origem, que evoca a sabedoria ancestral e a relação primordial com a terra; Travessia, que traduz as jornadas de Salgado por diferentes territórios; e Regeneração, que convida ao silêncio e à reflexão sobre o futuro. A arquitetura surge, assim, como extensão simbólica de sua obra, conectando humanidade, natureza e tempo.

A materialidade desempenha papel central na construção dessa atmosfera. Fibras naturais, superfícies táteis e elementos orgânicos conduzem o visitante por uma ambientação que remete à densidade da floresta. A madeira de biriba, aplicada em estruturas leves, dialoga com técnicas vernaculares e com o uso consciente dos recursos naturais, reforçando o compromisso com processos sustentáveis.
A paleta de cores acompanha essa narrativa sensível, com tons profundos que evocam terra, água e vegetação. Texturas e camadas constroem um ambiente que se revela gradualmente, em sintonia com a linguagem visual de Salgado. O projeto dialoga com a curadoria de Otilhiane Juchem, que propõe uma leitura afetiva e transversal da Terra, conectando culturas, tempos e territórios.

Essa dimensão se amplia com a presença de obras que dialogam com a produção de Rodrigo Salgado, artista visual e filho do fotógrafo. Sua abordagem cromática estabelece um contraponto ao preto e branco que consagrou a obra do pai, criando novas camadas de interpretação, entre o documental, o humano e o íntimo.
O projeto também reverbera o legado ambiental de Sebastião Salgado e de Lélia Wanick Salgado, à frente do Instituto Terra. A escolha de materiais reaproveitados e o respeito aos ciclos naturais reforçam esse compromisso com a regeneração ambiental.

Na Bienal, que propõe a arquitetura como ferramenta de transformação, a “Casa da Terra” se afirma como uma experiência sensível e imersiva: um espaço onde memória, natureza e arquitetura se entrelaçam para narrar, de forma poética, o universo de um dos maiores fotógrafos contemporâneos.





