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Rafaella Manso projeta casas a partir da vida real

  • 24 de mai.
  • 3 min de leitura

Com repertório construído entre Brasil e Europa, a arquiteta paulistana consolida uma prática autoral orientada pela escuta, pela neuroarquitetura e pela forma como os espaços influenciam a rotina


Texto: Redação Habitare Fotos: Fernando Crescenti



Para Rafaella Manso, uma casa começa antes da planta. Começa nos hábitos de quem vive ali, nas memórias que organizam afetos e na maneira como os ambientes podem transformar a experiência cotidiana. É a partir dessa escuta que a arquiteta paulistana vem construindo uma prática autoral voltada ao bem estar, com atenção à relação entre espaço, comportamento e permanência.


À frente da Rafaella Manso Arquitetura, ela integra uma geração de profissionais que passou a olhar para o morar com menos interesse em fórmulas prontas e maior compromisso com a vida real. Em seus projetos, a estética nasce como consequência de uma investigação sobre uso, conforto e identidade. O desenho precisa funcionar, mas também precisa acolher o que existe de invisível na rotina.


“Eu acredito que a arquitetura precisa partir da vida real. É na rotina, nos hábitos e nas pequenas dinâmicas do dia a dia que surgem as decisões mais importantes de um projeto”, afirma Rafaella.


Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Belas Artes de São Paulo, Rafaella ampliou sua pesquisa em instituições na Itália, no Reino Unido e na Dinamarca. Esse percurso internacional ajudou a formar um repertório aberto a diferentes culturas de projeto, sem afastar seu trabalho de uma leitura brasileira do habitar. A casa, para ela, segue sendo um lugar de vínculo, adaptação e pertencimento.



Antes de fundar seu próprio escritório, a arquiteta atuou em projetos de grande escala e passou por escritórios consolidados, experiências que fortaleceram sua base técnica e sua compreensão sobre processo. A decisão de criar a Rafaella Manso Arquitetura marcou uma nova fase: a de traduzir essa bagagem em uma linguagem própria, com foco em projetos residenciais e interiores pensados para acompanhar as transformações das pessoas ao longo do tempo.


A neuroarquitetura aparece como um dos eixos dessa abordagem. Atualmente em aprofundamento na área, Rafaella investiga como luz, ventilação, circulação e materialidade podem influenciar emoções, percepção de conforto e comportamento dentro dos ambientes. O tema entra em seu trabalho de forma aplicada, orientando escolhas que impactam a experiência de quem vive o espaço.


“Meu trabalho busca criar espaços que acolham, organizem e acompanhem as transformações das pessoas ao longo do tempo”, destaca.


Essa visão dialoga com uma mudança importante no mercado residencial: a busca por casas menos cenográficas e mais conectadas à rotina de seus moradores. Em vez de ambientes pensados para impressionar em uma primeira imagem, Rafaella defende projetos que se sustentam no uso diário. A beleza, em sua leitura, precisa ter lastro. Precisa servir à vida.



O repertório cultural também atravessa sua prática. Viagens, exposições, gastronomia e atividades manuais alimentam seu processo criativo, assim como o hábito de colecionar canetas, cartões postais e miniaturas de monumentos. São interesses que revelam uma atenção particular aos detalhes e à forma como objetos carregam memória. No trabalho, essa sensibilidade se traduz em projetos que procuram dar sentido ao espaço, sem depender de excessos.


Em 2026, essa visão ganha novo capítulo com a participação de Rafaella na CASACOR São Paulo, onde assina o ambiente Notas em Linhas. O projeto parte de um piano de 1951 pertencente à avó da arquiteta e transforma uma memória familiar em percurso sensorial. O espaço sintetiza parte importante de sua pesquisa: uma arquitetura que ultrapassa a composição visual e se revela na forma como é vivida.



 
 

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