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Arquiteto Paulo Tripoloni converte antigo imóvel comercial em casa viva, prática e cheia de afeto para viver com sua família

  • há 23 horas
  • 7 min de leitura

Atualizado: há 7 horas

Antes escura e fragmentada, a residência de 145 m² foi completamente reconfigurada para abrigar a rotina do casal e seus dois filhos. O projeto prezou pela integração, luz natural abundante e soluções que priorizam o uso real dos espaços


Texto: Revista Habitare Fotos: JP Image


Com a cozinha no centro, a casa do arquiteto Paulo Tripoloni celebra o convívio e foi executada especialmente para sua própria família. O conceito do seu projeto foi executar uma casa prática com área livre para as crianças | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Com a cozinha no centro, a casa do arquiteto Paulo Tripoloni celebra o convívio e foi executada especialmente para sua própria família. O conceito do seu projeto foi executar uma casa prática com área livre para as crianças | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

Nem toda casa começa como um sonho: algumas começam com dúvidas, mas se existe potencial, há como idealizar algo novo. A residência do arquiteto Paulo Tripoloni, onde vive com a esposa e os dois filhos pequenos, é resultado de um olhar que ultrapassa a primeira impressão.


O imóvel, que antes funcionava como endereço comercial, apresentava ambientes compartimentados, pouca abertura para o exterior e uma ocupação quase total do terreno estreito de 5,10 x 28 m, o que resultava em uma edificação escura, pouco ventilada e sem áreas livres.


“Não foi amor à primeira vista, mas junto da minha esposa, conseguimos enxergar o que ela poderia se tornar”, relembra. No deck da residência, a família Tripoloni formada pelo Paulo, Mariana, Nuno e Lina | Foto: JP Image



A proposta inicial era uma reforma pontual que logo se mostrou insuficiente. Ao lado da equipe de obra, Paulo entendeu que seria necessário, além de preservar o perímetro original da casa principal, reconfigurar completamente a casa redistribuindo os espaços e, principalmente, devolvendo respiros ao terreno.


A eliminação de barreiras físicas permitiu que os ambientes sociais se organizassem em sequência contínua: sala de TV, jantar, cozinha, quintal. Essa integração não se dá apenas pela ausência de paredes, mas pela coerência entre materiais, alturas e proporções. “O piso em granilite branco no térreo, por exemplo, unifica visualmente os espaços, enquanto a estrutura em concreto aparente percorre o ambiente como um fio condutor”, destaca.


Fachada

Logo ao primeiro olhar, a fachada projetada pelo arquiteto Paulo Tripoloni denota a mudança de postura da casa, sendo discreta e simples | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Logo ao primeiro olhar, a fachada projetada pelo arquiteto Paulo Tripoloni denota a mudança de postura da casa, sendo discreta e simples | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

Antes opaca e pouco convidativa, a fachada da residência é marcada por cobogós encaixilhados que desenham a identidade visual do projeto, antes mesmo de se adentrar o lar, e funcionam como filtros de luz e ventilação que permitem que o interior receba iluminação natural constante, embora sem uma exposição direta.


Sala de TV


Invertendo a lógica da maioria das residências, Paulo e Mariana decidiram que a sala de TV seria mais contida e quase introspectiva em relação à cozinha e os outros cômodos. “Muita gente estranha a sala ser menor, mas ela cumpre exatamente o que desejamos: um lugar para ver TV e só. Já a cozinha… é onde tudo acontece”, acentua.


Na sala de estar, a decoração proposta pelo arquiteto Paulo Tripoloni segue uma linha essencialista: poucos objetos, porém todos com uma função ou significado definido. A produção de ambientes condecora o olhar da profissional Mayra Navarro | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Na sala de estar, a decoração proposta pelo arquiteto Paulo Tripoloni segue uma linha essencialista: poucos objetos, porém todos com uma função ou significado definido. A produção de ambientes condecora o olhar da profissional Mayra Navarro | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

De acordo com Paulo, essa redução não é uma limitação, mas uma escolha consciente do casal. Ao compactar esse ambiente, o projeto libera área para os espaços que realmente estruturam o cotidiano da família e reforçam o propósito de uma casa desenhada para o uso real.


O melhor da casa: a cozinha

Em relevância na bancada principal e na península, o quartzo branco escolhido pelo arquiteto Paulo Tripoloni garante resistência ao calor, cortes e uso intenso da família | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Em relevância na bancada principal e na península, o quartzo branco escolhido pelo arquiteto Paulo Tripoloni garante resistência ao calor, cortes e uso intenso da família | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

Parece até clichê dizer que a cozinha é o coração da casa, mas na casa da família Tripoloni esse cômodo é sim o verdadeiro epicentro do projeto. Desenhada em formato de ‘U’, com uma península generosa, a cozinha organiza fluxos e amplia possibilidades de uso com um layout que permite várias pessoas cozinhando simultaneamente.


“Usamos, ao mesmo tempo, várias bocas do cooktop, e a península nos proporciona momentos únicos da vida cotidiana. A alimentação é um elo para nossas conversas e risadas em um espaço onde queremos eternizar essas lembranças afetivas para as crianças”, conta o Paulo.



O arquiteto também destaca que a cozinha carrega muito do olhar organizado da esposa, Mariana, que atua como cozinheira em um negócio próprio. Por isso, o ambiente foi concebido não apenas para a finalidade basilar, como para valorizar o ritual e apreciar cada prato preparado no local.


Posicionada como extensão direta da cozinha, a mesa de jantar orgânica reitera o caráter coletivo, funcionando como apoio, palco e ponto de encontro | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Posicionada como extensão direta da cozinha, a mesa de jantar orgânica reitera o caráter coletivo, funcionando como apoio, palco e ponto de encontro | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

Enquanto a coifa industrial garante conforto ao eliminar odores e fumaça, o frontão revestido com pastilhas hexagonais de porcelana acetinada adiciona delicadeza à composição. Já a marcenaria em MDF Carvalho Hanover aquece visualmente o ambiente, equilibrando a presença marcante da lâmina azul profundo, da Fórmica, aplicado em planos estratégicos.


Pela conexão com os demais ambientes, a sala de jantar também conversa com a parede amarela e com o verde que invade a casa a partir do quintal. “Quem me conhece sabe o quanto eu sou apaixonado por azul. Claro que ele precisava estar presente justamente no coração da casa”, declara Paulo.


Sob a escada e próximo a mesa de jantar, a marcenaria desenhada sob medida organiza o café e o bar, equilibrando praticidade e afeto, com garrafas protegidas e utensílios à mão | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Sob a escada e próximo a mesa de jantar, a marcenaria desenhada sob medida organiza o café e o bar, equilibrando praticidade e afeto, com garrafas protegidas e utensílios à mão | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

Com circulação generosa, soluções acessíveis e previsão para adaptações futuras, como a instalação de elevador, o projeto assinado pelo arquiteto incorpora uma visão de longo prazo. Peças de design, como a luminária Nalu, da Arteide, e itens industriais do Galpão Atemporal, complementam a narrativa com sutileza.


“É uma casa sem frescuras e com liberdade para usar, viver e aproveitar cada espaço em sinergia com as próximas fases da vida”, avalia.


Quintal

Nos fundos do terreno, o quintal idealizado pelo arquiteto Paulo Tripoloni sintetiza uma das principais intenções do projeto: devolver espaço para a vida acontecer ao ar livre | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Nos fundos do terreno, o quintal idealizado pelo arquiteto Paulo Tripoloni sintetiza uma das principais intenções do projeto: devolver espaço para a vida acontecer ao ar livre | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

A cozinha se abre para um extenso deck em madeira cumaru que, por sua vez, estabelece uma base acolhedora para o magnifico paisagismo que toma conta da área externa. Nas laterais, o banco em peroba-rosa reaproveitada resgata a memória da construção original.


Com orientação técnica do cunhado do arquiteto, o engenheiro agrônomo Peterson Batista, foi possível inserir diversas árvores frutíferas como jabuticabeira, pitangueira e macieira, além de preservar espécies que já estavam ali, como a palmeira-fênix e outras que acrescentam camadas que estabelecem uma relação com o tempo, permitindo acompanhar ciclos, colheitas e transformações.


“É um espaço que muda muito. Quando chove, por exemplo, sentimos com uma atmosfera de fazenda”, conta. Sob o deck, a solução técnica organiza o escoamento das águas pluviais e oculta a infraestrutura, mantendo a leitura limpa do espaço.


Nos fundos, o arquiteto Paulo Tripoloni projetou um depósito, lavanderia e banheiro para o essencial cotidiano | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
Nos fundos, o arquiteto Paulo Tripoloni projetou um depósito, lavanderia e banheiro para o essencial cotidiano | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

Subindo a escada...

Solta das paredes, ela é mais do que um elemento funcional nesta casa, trata-se de uma verdadeira escultura executada em concreto aparente que reforça a linguagem industrial do projeto e dialoga diretamente com os demais elementos estruturais que foram mantidos à mostra. “A ideia nunca foi esconder a estrutura, mas apresentá-la como parte do desenho da casa”, conta Paulo Tripoloni.


No projeto concebido pelo arquiteto Paulo Tripoloni, o concreto aparente moldado in loco percorre pilares, vigas e escadas sem ser ocultado. As janelas basculantes complementam o sistema, favorecendo a circulação de ar e contribuindo para o desempenho térmico da residência | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
No projeto concebido pelo arquiteto Paulo Tripoloni, o concreto aparente moldado in loco percorre pilares, vigas e escadas sem ser ocultado. As janelas basculantes complementam o sistema, favorecendo a circulação de ar e contribuindo para o desempenho térmico da residência | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

O arquiteto relembra que, na primeira visita ao imóvel ao lado da esposa, a escassez de luz natural foi imediatamente percebida como um dos maiores desafios da reforma. Curiosamente, foi justamente esse aspecto que acabou se tornando o principal elemento da casa após a reconstrução. Ao longo do dia, a incidência solar transforma completamente a atmosfera dos ambientes intensificando cores, revelando texturas e diferentes cenários dentro da casa.


Para alcançar esse resultado, o projeto incorporou rasgos estratégicos nas paredes, janelões generosos, alguns com até 3,30 x 1,85 m, além de chaminés de ventilação e um cobogós na cobertura, decisões que asseguram circulação cruzada de ar e iluminação natural abundante em todos os pavimentos.


Atelier

No home office do arquiteto Paulo Tripoloni, o lugar se desenha como território de debate e experimentação | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
No home office do arquiteto Paulo Tripoloni, o lugar se desenha como território de debate e experimentação | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

No espaço criativo do Atelier Paulo Tripoloni, o arquiteto equilibra técnica e inspiração. Organizado com uma grande estação de trabalho que comporta uma equipe de quatro pessoas, o local ainda ganhou prancheta de desenho e a pequena biblioteca, enquanto os caixilhos acústicos garantem concentração. “É um lugar para pensar, desenhar e compartilhar. Assim, eu mantenho o equilíbrio entre vida profissional e o fato de estar perto da família”, compartilha.


Suíte do casal


A simplicidade, neste projeto, é construída com intenção | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
A simplicidade, neste projeto, é construída com intenção | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

A sinergia entre o cru e o essencial partilham o equilíbrio da suíte principal. Aqui, o projeto desacelera e a materialidade mantém a coerência com o restante da casa, porém ganha nuances mais acolhedoras como o piso em cimento queimado, executado ainda no contrapiso, e nas folhas de porta em madeira tauari e armário de compensado sumaúma.


O banheiro, com dimensões generosas, foi pensado para usos múltiplos, incluindo momentos com as crianças, o que reforça a dimensão afetiva do espaço | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
O banheiro, com dimensões generosas, foi pensado para usos múltiplos, incluindo momentos com as crianças, o que reforça a dimensão afetiva do espaço | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

Terraço


O espaço recebe mobiliário resistente e um pergolado que, em breve, será tomado por parreiras, gerando sombra e acolhimento | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image
O espaço recebe mobiliário resistente e um pergolado que, em breve, será tomado por parreiras, gerando sombra e acolhimento | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni | Foto: JP Image

No último pavimento, o terraço se apresenta como um respiro urbano, perfeito para os fins de tarde com as crianças. Devido às restrições legais, o espaço foi recuado, o que acabou se transformando em vantagem, já que a área recebe o sol da tarde voltado para as faces norte e oeste.


A vista revela marcos da cidade, como o Obelisco e o Instituto Biológico, enquanto o pergolado, que receberá parreiras, promete uma ambiência ainda mais acolhedora. “Esse foi um espaço pensado para ser um estar, de lazer, onde a gente gosta de se reunir aqui para desfrutar a vista”, finaliza o arquiteto.


Sobre o Atelier de Arquitetura Paulo Tripoloni

Para o arquiteto Paulo Tripoloni, nascer na maior cidade da América Latina o fez refletir, desde cedo, sobre o lugar do homem nas cidades – o morar, o viver e o trabalhar. Morar em São Paulo despertou nele o olhar atento aos detalhes, necessidades e a força que a urbanidade trazia. Encontrou na arquitetura minimalista uma de suas inspirações para realizar projetos que buscam atender às necessidades da vida contemporânea por meio de ambientes funcionais, belos e ecologicamente responsáveis que conectem cada cliente ao que, de fato, é essencial para cada um.


Instagram: @paulotripoloni

Site: paulotripoloni.com.brInformações para a imprensa:

dc33 Comunicação

Emilie Guimarães - conteudo@dc33.com.br

Glaucia Ferreira – coordenacao@dc33.com.br

Danilo Costa – danilo@dc33.com.br

(11) 98125-7319 | dc33.com.br | @dc33comunicacao

 
 

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