Arquiteto Paulo Tripoloni converte antigo imóvel comercial em casa viva, prática e cheia de afeto para viver com sua família
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Atualizado: há 7 horas
Antes escura e fragmentada, a residência de 145 m² foi completamente reconfigurada para abrigar a rotina do casal e seus dois filhos. O projeto prezou pela integração, luz natural abundante e soluções que priorizam o uso real dos espaços
Texto: Revista Habitare Fotos: JP Image

Nem toda casa começa como um sonho: algumas começam com dúvidas, mas se existe potencial, há como idealizar algo novo. A residência do arquiteto Paulo Tripoloni, onde vive com a esposa e os dois filhos pequenos, é resultado de um olhar que ultrapassa a primeira impressão.
O imóvel, que antes funcionava como endereço comercial, apresentava ambientes compartimentados, pouca abertura para o exterior e uma ocupação quase total do terreno estreito de 5,10 x 28 m, o que resultava em uma edificação escura, pouco ventilada e sem áreas livres.
“Não foi amor à primeira vista, mas junto da minha esposa, conseguimos enxergar o que ela poderia se tornar”, relembra. No deck da residência, a família Tripoloni formada pelo Paulo, Mariana, Nuno e Lina | Foto: JP Image

A proposta inicial era uma reforma pontual que logo se mostrou insuficiente. Ao lado da equipe de obra, Paulo entendeu que seria necessário, além de preservar o perímetro original da casa principal, reconfigurar completamente a casa redistribuindo os espaços e, principalmente, devolvendo respiros ao terreno.
A eliminação de barreiras físicas permitiu que os ambientes sociais se organizassem em sequência contínua: sala de TV, jantar, cozinha, quintal. Essa integração não se dá apenas pela ausência de paredes, mas pela coerência entre materiais, alturas e proporções. “O piso em granilite branco no térreo, por exemplo, unifica visualmente os espaços, enquanto a estrutura em concreto aparente percorre o ambiente como um fio condutor”, destaca.
Fachada

Antes opaca e pouco convidativa, a fachada da residência é marcada por cobogós encaixilhados que desenham a identidade visual do projeto, antes mesmo de se adentrar o lar, e funcionam como filtros de luz e ventilação que permitem que o interior receba iluminação natural constante, embora sem uma exposição direta.
Sala de TV
Invertendo a lógica da maioria das residências, Paulo e Mariana decidiram que a sala de TV seria mais contida e quase introspectiva em relação à cozinha e os outros cômodos. “Muita gente estranha a sala ser menor, mas ela cumpre exatamente o que desejamos: um lugar para ver TV e só. Já a cozinha… é onde tudo acontece”, acentua.

De acordo com Paulo, essa redução não é uma limitação, mas uma escolha consciente do casal. Ao compactar esse ambiente, o projeto libera área para os espaços que realmente estruturam o cotidiano da família e reforçam o propósito de uma casa desenhada para o uso real.
O melhor da casa: a cozinha

Parece até clichê dizer que a cozinha é o coração da casa, mas na casa da família Tripoloni esse cômodo é sim o verdadeiro epicentro do projeto. Desenhada em formato de ‘U’, com uma península generosa, a cozinha organiza fluxos e amplia possibilidades de uso com um layout que permite várias pessoas cozinhando simultaneamente.
“Usamos, ao mesmo tempo, várias bocas do cooktop, e a península nos proporciona momentos únicos da vida cotidiana. A alimentação é um elo para nossas conversas e risadas em um espaço onde queremos eternizar essas lembranças afetivas para as crianças”, conta o Paulo.

O arquiteto também destaca que a cozinha carrega muito do olhar organizado da esposa, Mariana, que atua como cozinheira em um negócio próprio. Por isso, o ambiente foi concebido não apenas para a finalidade basilar, como para valorizar o ritual e apreciar cada prato preparado no local.

Enquanto a coifa industrial garante conforto ao eliminar odores e fumaça, o frontão revestido com pastilhas hexagonais de porcelana acetinada adiciona delicadeza à composição. Já a marcenaria em MDF Carvalho Hanover aquece visualmente o ambiente, equilibrando a presença marcante da lâmina azul profundo, da Fórmica, aplicado em planos estratégicos.
Pela conexão com os demais ambientes, a sala de jantar também conversa com a parede amarela e com o verde que invade a casa a partir do quintal. “Quem me conhece sabe o quanto eu sou apaixonado por azul. Claro que ele precisava estar presente justamente no coração da casa”, declara Paulo.

Com circulação generosa, soluções acessíveis e previsão para adaptações futuras, como a instalação de elevador, o projeto assinado pelo arquiteto incorpora uma visão de longo prazo. Peças de design, como a luminária Nalu, da Arteide, e itens industriais do Galpão Atemporal, complementam a narrativa com sutileza.
“É uma casa sem frescuras e com liberdade para usar, viver e aproveitar cada espaço em sinergia com as próximas fases da vida”, avalia.
Quintal

A cozinha se abre para um extenso deck em madeira cumaru que, por sua vez, estabelece uma base acolhedora para o magnifico paisagismo que toma conta da área externa. Nas laterais, o banco em peroba-rosa reaproveitada resgata a memória da construção original.
Com orientação técnica do cunhado do arquiteto, o engenheiro agrônomo Peterson Batista, foi possível inserir diversas árvores frutíferas como jabuticabeira, pitangueira e macieira, além de preservar espécies que já estavam ali, como a palmeira-fênix e outras que acrescentam camadas que estabelecem uma relação com o tempo, permitindo acompanhar ciclos, colheitas e transformações.
“É um espaço que muda muito. Quando chove, por exemplo, sentimos com uma atmosfera de fazenda”, conta. Sob o deck, a solução técnica organiza o escoamento das águas pluviais e oculta a infraestrutura, mantendo a leitura limpa do espaço.

Subindo a escada...
Solta das paredes, ela é mais do que um elemento funcional nesta casa, trata-se de uma verdadeira escultura executada em concreto aparente que reforça a linguagem industrial do projeto e dialoga diretamente com os demais elementos estruturais que foram mantidos à mostra. “A ideia nunca foi esconder a estrutura, mas apresentá-la como parte do desenho da casa”, conta Paulo Tripoloni.

O arquiteto relembra que, na primeira visita ao imóvel ao lado da esposa, a escassez de luz natural foi imediatamente percebida como um dos maiores desafios da reforma. Curiosamente, foi justamente esse aspecto que acabou se tornando o principal elemento da casa após a reconstrução. Ao longo do dia, a incidência solar transforma completamente a atmosfera dos ambientes intensificando cores, revelando texturas e diferentes cenários dentro da casa.
Para alcançar esse resultado, o projeto incorporou rasgos estratégicos nas paredes, janelões generosos, alguns com até 3,30 x 1,85 m, além de chaminés de ventilação e um cobogós na cobertura, decisões que asseguram circulação cruzada de ar e iluminação natural abundante em todos os pavimentos.
Atelier

No espaço criativo do Atelier Paulo Tripoloni, o arquiteto equilibra técnica e inspiração. Organizado com uma grande estação de trabalho que comporta uma equipe de quatro pessoas, o local ainda ganhou prancheta de desenho e a pequena biblioteca, enquanto os caixilhos acústicos garantem concentração. “É um lugar para pensar, desenhar e compartilhar. Assim, eu mantenho o equilíbrio entre vida profissional e o fato de estar perto da família”, compartilha.
Suíte do casal

A sinergia entre o cru e o essencial partilham o equilíbrio da suíte principal. Aqui, o projeto desacelera e a materialidade mantém a coerência com o restante da casa, porém ganha nuances mais acolhedoras como o piso em cimento queimado, executado ainda no contrapiso, e nas folhas de porta em madeira tauari e armário de compensado sumaúma.

Terraço

No último pavimento, o terraço se apresenta como um respiro urbano, perfeito para os fins de tarde com as crianças. Devido às restrições legais, o espaço foi recuado, o que acabou se transformando em vantagem, já que a área recebe o sol da tarde voltado para as faces norte e oeste.
A vista revela marcos da cidade, como o Obelisco e o Instituto Biológico, enquanto o pergolado, que receberá parreiras, promete uma ambiência ainda mais acolhedora. “Esse foi um espaço pensado para ser um estar, de lazer, onde a gente gosta de se reunir aqui para desfrutar a vista”, finaliza o arquiteto.
Sobre o Atelier de Arquitetura Paulo Tripoloni
Para o arquiteto Paulo Tripoloni, nascer na maior cidade da América Latina o fez refletir, desde cedo, sobre o lugar do homem nas cidades – o morar, o viver e o trabalhar. Morar em São Paulo despertou nele o olhar atento aos detalhes, necessidades e a força que a urbanidade trazia. Encontrou na arquitetura minimalista uma de suas inspirações para realizar projetos que buscam atender às necessidades da vida contemporânea por meio de ambientes funcionais, belos e ecologicamente responsáveis que conectem cada cliente ao que, de fato, é essencial para cada um.
Instagram: @paulotripoloni
Site: paulotripoloni.com.brInformações para a imprensa:
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