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  • Arquiteto Lucas Carrara estreia na CASACOR São Paulo com o ambiente Tramas e Transbordos

    De São José do Rio Preto (SP) e com uma carreira em expansão, o profissional presta uma homenagem à América Latina por meio de um living acolhedor que reúne referências à rotina, memória e às expressões culturais dos diferentes países da região Texto: DC33 Comunicação Fotos: Felipe Cuine Os visitantes da CASACOR São Paulo 2026 serão convidados a embarcar em uma verdadeira viagem pela cultura, pelas tradições e pelas imagens que revelam a riqueza da América Latina. Em sua estreia no evento, o arquiteto Lucas Carrara, de São José do Rio Preto, apresenta o ambiente “Tramas e Transbordos”, uma homenagem à história e ao cotidiano latino-americano, marcados por uma diversidade capaz de encantar pessoas de todas as partes do mundo. A maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas acontece de 02 de junho a 09 de agosto, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Concebido como uma ilha de conforto, o living de 35 m² conta também com um banheiro de duas cabines. Na concepção do profissional, o ambiente reúne obras de arte, objetos e móveis (Casa Verde), revestimentos e tecidos marcados por inúmeros detalhes e por referências à cultura latino-americana. Mais do que um local de passagem, o projeto se apresenta como um refúgio de acolhimento e conexão com as múltiplas identidades do continente. “A América Latina se manifesta como uma presença sensível e cotidiana. Ela não aparece como estética aplicada, mas como uma bagagem humana bastante vívida e expressa nos objetos decorativos, nos gestos e nas materialidades que carregam a memória coletiva dos nossos povos”, afirma Lucas Carrara. Conceito “Tramas e Transbordos” traduz o encontro entre estrutura e expressão — entre aquilo que se constrói e o que escapa. Segundo o arquiteto, as tramas representam a organização: a arquitetura, a moda, o pensamento que estrutura. “São as camadas que dão forma, vestem o espaço e constroem identidade”, afirma Lucas Carrara. Já o transbordo revela o que não se contém: a memória, o gesto, o afeto e a cultura. “É onde o valor deixa de ser imposto e passa a ser reconhecido”, completa. Uma cadeira e uma boa prosa O ambiente valoriza o simples por meio do deslocamento de valor, ressignificando elementos cotidianos e inserindo-os em um novo contexto. Um dos exemplos dessa abordagem está em um dos grandes símbolos das ruas latino-americanas: a tradicional cadeira dobrável de metal, associada aos encontros informais, às conversas despretensiosas e aos bons momentos da vida. No ambiente, uma peça desse tipo recebe uma releitura contemporânea com a aplicação de resina de poliéster no assento e no encosto, com trabalho executado pela By Poli. Arte que conta histórias Simplicidade e sofisticação se encontram de forma harmoniosa no ambiente. As duas estantes reúnem uma seleção cuidadosa de adornos, obras de arte e livros com referências à América Latina, incluindo publicações de autores de diversos países, como Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa Isabel Allende e Jorge Amado, assim como homenagens a personalidades como Ayrton Senna e Sebastião Salgado por meio de livros de fotografia. Garimpado por Lucas com atenção aos detalhes, o conjunto revela camadas de memória e afeto. Cada elemento parece contar uma história e traduzir um fragmento da riqueza cultural do continente. Entre as raridades, também aparecem vasos e cabaças indígenas antigas, que reforçam o diálogo com a ancestralidade e o fazer manual. “Na estante, frutos naturais de cacau aparecem entre os elementos decorativos como um símbolo forte, que vai além da imagem tropical associada ao fruto. Sua presença evoca uma história profunda, ligada à Amazônia, aos saberes ancestrais, à alimentação, aos rituais e às trocas culturais entre povos originários”, ressalta Lucas Carrara. “Por sua vez, a bananeira, tão presente no imaginário e no cotidiano brasileiro, também ganha destaque na obra assinada pela Pakatatu Studio”, completa. Numa das paredes, que antes recebem um vidro jateado que filtra a luz natural, um dos destaques é o painel Onde a Terra Transborda, da artista visual Samia Bilachi, composto por dezenas de pratos de porcelana pintados à mão, resultando em um vitral contemporâneo suspenso. A obra reúne representações de elementos botânicos, objetos tipicamente brasileiros como filtro de barro e um carrinho de coco, símbolos populares, cenas cotidianas como um menino jogando bola, uma cadeira sob o coqueiro, além de frutas tropicais e folhagens que aparecem como fragmentos de memória coletiva e símbolos de abundância. Da Galeria Contempo, um quadro marcante é o La pared de Papel II (acrílico sobre tela), da artista paraguaia Lilian Camelli. Logo ao lado há também a dupla Seashore e Boldo, do gaúcho Uéslei Fagundes, que utiliza materiais como óleo e cera de abelha sobre madeira de caixote. A miscigenação e a ancestralidade são os pontos de partida do quadro Homens de Barro 44, pintado pela artista MAFENOGFER, do interior de São Paulo, que retrata diferentes povos, raças e culturas através da diversidade de cores usadas. “Vestindo e revestindo o ambiente” A forte presença da madeira, somada ao uso de tecidos na decoração e às referências à moda, ganha protagonismo no ambiente não apenas pelo apelo estético, mas também pela conexão com a natureza, o conforto térmico, a identidade e as tradições latino-americanas. “Arquitetura e moda se encontram como linguagens que operam nesse mesmo território: ambas vestem, protegem e expressam pertencimento. Cada país tem a sua própria identidade revelada através dos tecidos e das diferentes maneiras de vestir”, afirma Lucas. Mesmo com pé-direito alto, de 4,5 m, Tramas e Transbordos reflete acolhimento por meio de escolhas cuidadosamente pensadas. Para trazer a sofisticação da madeira escura, as paredes receberam o revestimento Carvalho Brun, da Duratex, em uma tonalidade marrom aquecida e com veios bem definidos. O teto, de madeira também escura, ganha um revestimento amadeirado mais claro ao centro, como meio de adicionar leveza e luminosidade. Entre as paredes e o teto do living, um tecido drapeado verde ganha destaque — recurso que, segundo Lucas, vem ganhando força tanto na moda, quanto na decoração, e ainda contribui com a sensação de acolhimento. Na área dos banheiros, a proposta têxtil reaparece em outra leitura: um veludo em tom de rosa queimado recobre parte das superfícies e surpreende os visitantes com estampas inspiradas na flora regional. A iluminação indireta e aconchegante, somada à presença de luminárias de pedra natural e um rodapé iluminado, contribui para reforçar a atmosfera de pausa e conforto proposta pelo ambiente. Uma luminária de piso, com base de pedra alga green, foi desenhada pelo próprio arquiteto para integrar a mostra. Por fim, o piso de porcelanato com formato orgânico, da Cerâmica Portinari, completa a composição e contribui para a leveza visual do espaço. Mobiliário & Acessórios O sofá verde e as poltronas bordô, da loja Casa Verde, exibem uma estética atemporal dentro da paleta do projeto. Com design mais baixo e compacto, os móveis reforçam uma comodidade e bem-estar tal qual um abraço. A combinação de diferentes materiais acrescenta camadas de textura, especialmente nas poltronas, que alternam couro e tecido entre assento e encosto em um jogo descontraído e refinado. A aplicação dos tons amadeirados escuros, alinhados com o verde, se traduz em uma homenagem à exuberância natural da América Latina, especialmente à Amazônia e à diversidade de biomas do continente”, afirma Lucas. Ao lado do sofá curvo, a mesa lateral em cerâmica de alta temperatura, da série Festas Brasileiras, de Juliana Nagle, surge como peça decorativa e funcional, reforçando o caráter afetivo e autoral da composição. Na parede lateral, a dupla de espelhos Côncavo e Convexo, de Rodolpho Gutierrez, completa o conjunto com formas orgânicas e presença escultórica. Em diálogo com a mostra Em sintonia com o tema da CASACOR São Paulo deste ano, Mente & Coração, que propõe repensar o papel dos ambientes a partir de uma perspectiva mais sensível e humana, o conceito de Lucas Carrara nasce justamente da observação da vida e do cotidiano. Ao invés de apostar em um ambiente que se impõe, ele buscou acolher e valorizar histórias, memórias e identidades já existentes. Representando a latinidade, seu ambiente revela uma minuciosa curadoria de artistas de designers expoentes. Serviço: CASACOR SP 2026 Local: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, 37 – Água Branca, SP Quando: De 2 de junho a 9 de agosto de 2026 Horários: das 11h às 22h, com entrada no parque até 20h e bilheteria até 20h15 Mais informações: bilheteriacasacor@abril.com.br Para comprar ingressos: https://appcasacor.com.br/events/sao-paulo-2026/tickets

  • Bruno Borges estreia na CASACOR São Paulo 2026 com O Banho da Saudade

    O banheiro de 33 m² propõe um percurso sensorial e introspectivo, no qual arquitetura, arte e ritual se articulam para provocar um estado de presença Texto: Ale Gusmão Comunicação Fotos: MCA Estúdio “A saudade é, por definição, uma fenda no tempo. É o presente sentindo falta de um passado que ainda está vivo dentro de nós.” Na CASACOR São Paulo 2026, o banheiro de 33 m² desenhado pelo escritório BSB Arquitetura propõe um percurso sensorial e introspectivo. O Banho da Saudade foi concebido como uma experiência de desaceleração, na qual arquitetura, arte e ritual se articulam para provocar um estado de presença. Já na entrada, ao atravessar um arco, as obras A Descoberta e Pachamama, de Bruno Passos, apresentam figuras distorcidas que evocam a fragilidade e a complexidade da condição humana, entre vulnerabilidade e proteção. Ao centro, o sofá Bacio, de Karol Suguikawa, remete simbolicamente ao primeiro beijo e às memórias afetivas primordiais. “Seu veludo macio cria uma atmosfera de acolhimento e introspecção, dialogando com o tapete Profundezas, desenhado pelo escritório, e instiga o visitante a se entregar por completo à experiência”, afirma o arquiteto Bruno Borges, sócio-fundador do escritório. Na parede oposta, a obra Santo Lar de Vertigem, de Caio Cruz, surge como um fragmento difuso da infância, ampliando a dimensão psicológica do ambiente. O banco Jogada, também desenhado pelo escritório, complementa o mobiliário. “Entre o jogo da velha e o cubo mágico, a peça sugere encontros, decisões e as escolhas no jogo da vida”, explica Bruno. Junto a um diário aberto, o visitante é convidado a registrar suas próprias saudades. Um portal em Laminox, com acabamento em pedra e inox, sustenta a viga original do edifício. Ali, o visitante encontra fragmentos de histórias e memórias preservadas, além da obra O Interior das Coisas Macias, também de Caio Cruz. Antes de prosseguir, a obra 108 Vezes Agora, criada pelo arquiteto em parceria com a artista Patrícia Cavalli, apresenta um japamala monumental. “Suas esferas guardam fragmentos do passado: flores de um casamento, chaves de uma casa sonhada, o brinco da primeira filha. Um gesto de gratidão que reconecta ao presente”, conta. O percurso segue por um túnel listrado, que provoca uma leve vertigem e simboliza o fluxo contínuo da mente. Ao abrir as cabines, espelhos ampliam o espaço e revelam uma pergunta norteadora: “Quem é você quando ninguém está olhando?” Ao lavar as mãos na bancada em inox de rigor cirúrgico, o visitante é confrontado pela obra de Felipe Lanzas, composta por máscaras de malha metálica translúcidas que representam as diferentes versões assumidas socialmente. E, então, se depara com sua própria imagem em um espelho convexo que materializa a palavra saudade, refletindo tanto a presença quanto a falta. Sobre BSB Arquitetura A arquitetura de Bruno Borges nasce do encontro entre arte e experiência, tendo a emoção como elemento central. Natural de Santa Catarina, foi em São Paulo que o arquiteto consolidou sua trajetória e ampliou o alcance de sua linguagem arquitetônica. Seus projetos partem de um olhar profundamente autoral, interessado naquilo que o espaço é capaz de provocar. Os ambientes surgem como narrativas sensíveis, nas quais memória, percepção e presença tornam-se parte da construção, unindo forma e função de maneira indissociável. www.bsbarq.com @viabrunoborges Sobre a CASACOR A CASACOR São Paulo, a mais completa plataforma cultural de arquitetura, paisagismo e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, decoradores e paisagistas e em 2026 chega à sua 39ª edição em São Paulo, no Parque da Água Branca. Instagram: @casacor_oficial | @casacor_sustentavel Facebook: facebook.com/casacor_oficial Youtube: www.youtube.com/casacoroficial Twitter: twitter.com/casacor Telegram: t.me/casacoroficial WhatsApp: whatsapp.com/channel/0029Va6nnYPAYlUPPSrquW2m Site: www.casacor.com.br SERVIÇO - CASACOR São Paulo 2026 Onde: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, s/n portaria G4 do PAB Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026 Horário de funcionamento do evento: Terça a domingo das 11h às 22h Horário bilheteria: Terça a domingo* das 11h às 20h15 *fechamento da bilheteria física 15 minutos após o último horário. A visita poderá acontecer até às 22h.

  • CASACOR São Paulo 2026: arquiteto Eduardo Baldelomar revela uma inestimável herança cultural da Bolívia em seu ambiente batizado como Co-Living Chiquitano

    Tocado pelo tema da mostra, Mente e Coração, Eduardo assume seu legado de divulgar a ampla riqueza cultural de seu país e nesta edição compartilhará tradições e memórias da região situada na fronteira seca entre Brasil e Bolívia, que foi colonizada por missionários jesuítas. Texto: DC33 Comunicação Fotos: Carolina Mossin Depois de consolidar sua trajetória na Bolívia e no Brasil e tornar-se um dos nomes mais assíduos das mostras CASACOR nos dois países, o arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar volta à CASACOR São Paulo 2026 com o projeto mais íntimo e autoral de toda sua carreira: o Co-Living Chiquitano, um ambiente de 32 m² concebido como uma travessia afetiva pela cultura da Chiquitania, região do leste boliviano, marcada pelo encontro entre os povos originários e a influência das missões jesuítas. O trabalho apresentado nasce do mergulho pessoal que o profissional realizou em suas próprias raízes e da vontade de transformar arquitetura em ferramenta de preservação cultural. Assim, Eduardo se aprofundou em pesquisas, conheceu artistas, artesãos locais, percorreu igrejas, povoados e centros históricos para compreender as diversas camadas culturais que moldaram a identidade chiquitana. Ao longo desse processo, também descobriu o quanto essa herança permaneceu invisibilizada dentro da própria Bolívia. “Comecei essa incursão em novembro do ano passado e, desde então, fui quatro vezes à Chiquitania. Cada viagem foi de grande aprendizado e tive a oportunidade de conversar com líderes indígenas e os próprios artesãos”, relata o arquiteto. Natural de Santa Cruz de La Sierra, ele se deu conta que ainda conhecia pouco da ancestralidade preservada pelo país – durante o período escolar, não recebeu ensinamentos sobre suas origens –, e afirma que a cultura das terras baixas na Bolívia foi diminuída por muito tempo. “Essa participação na CASACOR acabou se tornando uma missão muito pessoal, porque fui profundamente tocado pela história da Chiquitania e pela forma como esse legado permanece vivo através da arte, da música, da arquitetura e do fazer artesanal”, revela Eduardo, enfatizando que essa imersão atribuiu a ele um verdadeiro compromisso de compartilhar as tradições de seu povo. A 39ª CASACOR São Paulo 2026 propõe o tema ‘Mente e Coração’, incentivando reflexões sobre os espaços de morar como ambientes de acolhimento, desaceleração e conexão humana diante das angústias contemporâneas e do excesso de estímulos tecnológicos. “A mente aparece no extenso estudo que promovi para compreender a arquitetura missionária da Chiquitania. Já o coração está nas minhas lembranças, nas referências afetivas da infância e na emoção de transformar minhas origens em arquitetura”, explica. Barroco mestiço da selva Ao entrar no Co-Living Chiquitano, a presença intensa da madeira envolve o visitante quase imediatamente e estabelece uma atmosfera calorosa. Eduardo pontua que a estruturação do ambiente é resultante da imagética que designou para representar os vértices culturais da região. A copa retrata a culinária local, enquanto os elementos dispostos acima do sofá refletem a mística do povo chiquitano. Para complementar, a parede oposta, com o oratório, designa a religiosidade inserida pelos jesuítas, além de desenhos e fotografias que apresentam a restauração das Igrejas Imaculada da Concepción e San José de Chiquitos, que aparecem como referências centrais do projeto. A partir desse encontro histórico entre indígenas e missionários, nasceram centros urbanos onde a arquitetura católica europeia passou a coexistir com técnicas, desenhos e tradições indígenas, originando o chamado barroco mestiço da selva. Reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1990, as Missões Jesuítas da Chiquitania preservam até hoje manifestações ligadas à música, à pintura, à escultura em madeira e ao fazer artesanal. As características que constituem o ambiente No Co-Living Chiquitano, cada detalhe é representado pela profunda observação de Eduardo. Nas seis colunas adornadas com as boiseries, ele contou a maestria empreendida pelo artista visual boliviano Leoni Antequera que concebeu pinturas, a partir de pigmentos naturais, com referências às plantas e flores indígenas. “Por estar imerso na cultura chiquitana, ele realizou uma produção notável e muito fiel ao que está estampado nessas duas igrejas”, observa Eduardo. O profissional expõe que o desenho orgânico do forro, que remonta às abóbadas encontradas tanto na Imaculada da Concepción, quanto San José de Chiquitos, foram erguidas com material da Teto Vinílico by Talt. Junto com os painéis amadeirados que recobrem as paredes, ele incluiu o preciosismo dos detalhes geométricos em losangos, uma alusão às ornamentações típicas presentes nas igrejas. Todos esses traços detalham, minuciosamente, as construções do período colonial, capitaneadas pelo jesuíta suíço, arquiteto e artista Martin Schmidt em companhia dos indígenas locais. Ainda de acordo com Baldelomar, a combinação estética dos materiais, restaurados em 1972 pelo arquiteto jesuíta Hans Roth, propõe transportar o visitante, de maneira sutil e contemporânea, por meio da sensação de caminhar pelos espaços sacros Chiquitanos, onde a madeira sempre ocupou papel central tanto na estrutura, quanto na ornamentação. “O mais fascinante na arquitetura da Chiquitania é justamente essa mistura cultural. Existia uma tradição milenar antes da chegada dos jesuítas e ela continuou viva depois deles. A música, a escultura em madeira, os desenhos e os costumes permaneceram presentes porque houve respeito às tradições locais que passaram a dialogar com o calendário católico. Isso criou uma identidade arquitetônica muito própria e extremamente rica em simbolismos”, analisa o arquiteto. Com sua aparência rústica, o piso cerâmico quadricular dialoga com os revestimentos presentes nas antigas igrejas missioneiras. Em tons terrosos, a paleta cromática intensifica o acolhimento do espaço e se conecta às paisagens das planícies e florestas secas da região leste do país. Um museu boliviano Em toda a extensão do ambiente, Eduardo constrói gallery walls afetivos onde arte, história e memória convivem em múltiplas camadas. São mais de 200 obras, entre pinturas, esculturas, máscaras, fotografias, mapas históricos, cerâmicas, partituras barrocas, tecidos, objetos utilitários e instrumentos musicais advindos diretamente da Chiquitania. A composição acaba transformando o Co-Living Chiquitano em uma verdadeira galeria viva da cultura de seu país, onde cada elemento carrega valor estético, histórico e simbólico. Além disso, muitas das peças foram produzidas especialmente para a CASACOR São Paulo por artistas e artesãos bolivianos, sendo grande parte oriunda da Artecampo, associação de artesãos rurais de povos indígenas do país, incluindo da Chiquitania. Para completar, sua curadoria igualmente incluiu outras peças garimpadas pessoalmente pelo profissional durante suas imersões na região. Sua veia multifacetada também pode ser conferida pelos dois pufes em madeira de cedro assinados por Eduardo Baldelomar e esculpidos artesanalmente em San Miguel. “Minha inspiração para o design foi a harmonia estética dos desenhos presentes nas colunas das igrejas missionárias”, conta ele. Além disso, ele também foi o autor dos tapetes geométricos produzidos no tear a mão e fio indiano pela Via Star. O desenho de ambos reinterpretam grafismos presentes nas Igrejas Imaculada da Concepción e San José de Chiquitos. Um dos modelos apresenta desenhos em losangos, enquanto o outro trabalha formas quadradas inspiradas nos elementos arquitetônicos dos templos missionários. As duas poltronas do living receberam tecidos produzidos manualmente por bordadeiros de Lomerío, reforçando a conexão do ambiente com os saberes ancestrais preservados pelas comunidades. A curadoria também evidencia a forte presença da música dentro da cultura chiquitana. A Bolívia é hoje o único país que preserva mais de 3 mil partituras do barroco mestiço escritas pelos próprios indígenas, um patrimônio histórico que ajuda a revelar a dimensão artística e musical desenvolvida dentro das missões. Isso foi possível graças aos esforços de restauração das igrejas, quando as peças foram encontradas e atestadas como originais. A trilha sonora ambiente, cedida pela APAC – Associação Pró-Arte e Cultura da Bolívia –, aproxima o visitante das sonoridades preservadas há séculos pelas comunidades locais a partir das partituras musicais chiquitanas tocadas durante os festivais de Música Barroca. Entre os objetos mais simbólicos do ambiente, a organização também concedeu ao arquiteto a oportunidade de expor um violino original atingido por um incêndio na região chiquitana. Ainda marcado pelas manchas escuras deixadas pelo fogo que acometeu a vila, que compõe a região Amazônica, o instrumento também carrega gravada na madeira uma legislação de combate às queimadas, tornando-se símbolo da resistência cultural e ambiental da região. “A arquitetura tem o poder de transmitir e desenvolver conexões emocionais muito profundas. Quis construir um espaço onde cada peça ajudasse a contar quem somos, de onde viemos e como nossa cultura continua viva através das pessoas que mantêm essas tradições até hoje”, afirma Eduardo. O morar como experiência contemplativa Embora profundamente conectado à memória e à ancestralidade, o Co-Living Chiquitano também propõe uma leitura contemporânea do morar. Concebido como um espaço de convivência e pausa dentro da CASACOR São Paulo, tudo foi desenhado para estimular permanência, observação e conexão humana. A composição privilegia móveis de formas curvas, materiais naturais e iluminação indireta, demonstrando um clima envolvente que abraça o visitante desde a entrada. No centro do living, a copa gourmet funciona como extensão natural do espaço social. Em destaque, a bancada com extensão de mesa redonda, ambas em pedra natural do nordeste brasileiro, foi executada pela Botânica Mármores. Ao fundo, a grande estante amplia ainda mais a narrativa cultural do projeto ao reunir livros, esculturas, obras de arte e objetos garimpados durante as viagens do arquiteto pela Bolívia. Já as espécies vegetais escolhidas para o espaço ajudam a construir uma atmosfera tropical e reforçam a ligação do ambiente com as paisagens naturais da Chiquitania. A sustentabilidade também aparece como compromisso cultural e construtivo. O projeto valoriza materiais naturais, a produção artesanal local e sistemas inspirados nas técnicas tradicionais da região boliviana, fortalecendo cadeias produtivas culturais e contribuindo para a preservação de saberes ancestrais. Um legado além da arquitetura Ao levar a cultura chiquitana para a CASACOR São Paulo 2026, Eduardo Baldelomar enxerga sua terceira participação como uma oportunidade de ampliar o olhar sobre a identidade latino-americana e valorizar tradições que ainda permanecem pouco conhecidas fora de seus territórios de origem. No seu entendimento, a Bolívia carrega uma diversidade histórica, artística, climática e arquitetônica muito mais ampla do que os imaginários tradicionalmente associados ao país. “Muitos pensam que Bolívia é apenas frio, montanha e altiplano, mas isso representa só uma parte do país. Temos vales, florestas, Amazônia e uma diversidade cultural gigantesca que ainda é pouco conhecida fora dali. Quis mostrar uma Bolívia diferente e com tradições que continuam vivas até hoje”, afirma. Ao transformar referências ancestrais em uma experiência contemporânea de morar, Eduardo Baldelomar faz do Co-Living Chiquitano um manifesto afetivo sobre pertencimento, identidade e preservação cultural. O visitante é instigado a desacelerar, observar e se permitir atravessar pelas histórias, memórias e tradições que seguem vivas através da arte, da arquitetura e das comunidades chiquitanas. Serviço CASACOR São Paulo 2026 Local: Parque da Água Branca – Rua Dona Ana Pimentel, s/n, Barra Funda. Período: 02 de junho a 09 de agosto. De terça a Domingos e feriados: 11:00 às 21:00.

  • Loft Carmim, de Paula Neder, transforma memória, arte e bem-estar em uma experiência sensorial na CASACOR São Paulo 2026

    Inspirado na intensidade da cor carmim e na riqueza das histórias pessoais, o ambiente de 84 m² propõe um novo olhar sobre o morar contemporâneo, onde design, afeto e sustentabilidade convivem em perfeita harmonia. Texto: Revista Habitare Fotos: Denilson Machado Em meio às tendências que redefinem a forma de habitar, a arquiteta Paula Neder apresenta na CASACOR São Paulo 2026 um espaço que vai além da estética. O Loft Carmim surge como uma celebração da memória, da autenticidade e do bem-estar, traduzindo em arquitetura uma maneira mais sensível e consciente de viver. Com 84 m² distribuídos entre sala, cozinha, dormitório, banheiro e uma área dedicada ao autocuidado, o ambiente foi concebido para uma mulher que expressa sua identidade por meio dos objetos que escolhe, das experiências que acumula e das histórias que carrega consigo. Cada detalhe revela uma narrativa construída com delicadeza, transformando o loft em um verdadeiro refúgio urbano. A inspiração nasce da própria cor que dá nome ao projeto. Intenso, profundo e carregado de simbolismo, o carmim aparece pontualmente em obras de arte, luminárias, tapetes e peças de mobiliário, criando uma composição elegante e emocional. Ao redor dele, uma base neutra e sofisticada ganha vida por meio de texturas, contrastes e elementos cuidadosamente selecionados. “Nada aqui acontece por acaso. Cada peça foi escolhida para compor um universo íntimo, afetivo e cheio de significado”, explica Paula Neder. Um cenário onde a arte conta histórias O Loft Carmim traduz a habilidade da arquiteta em equilibrar referências clássicas e contemporâneas. Inspirada pelo refinamento da tradição francesa, Paula reinterpretou elementos como boiseries e molduras de forma leve e atual, criando uma atmosfera que combina sofisticação e acolhimento. A curadoria desempenha papel central na narrativa do espaço. Obras de arte, peças artesanais e objetos garimpados em diferentes ateliês revelam o valor do feito à mão e das produções autorais. Entre os destaques estão as cortinas estampadas com pinturas da artista muralista francesa Dominique Jardy, que acrescentam delicadeza e personalidade ao ambiente. Mais do que decorar, cada elemento foi escolhido para despertar emoções e criar conexões afetivas, reforçando a ideia de que a casa deve refletir a essência de quem a habita. O bem-estar como protagonista do morar contemporâneo Uma das grandes forças do projeto está na forma como incorpora o wellness ao cotidiano. Em vez de reservar um espaço isolado para a prática de atividades físicas, o Loft Carmim integra saúde, movimento e design à experiência residencial. Nesse contexto, a Technogym participa do ambiente com a Bike Personal, equipamento assinado pelo renomado designer italiano Antonio Citterio. Com linhas elegantes e visual minimalista, a bicicleta se integra naturalmente à arquitetura, tornando-se parte da composição estética do espaço. A presença da peça reforça uma tendência cada vez mais presente na arquitetura contemporânea: a transformação dos ambientes dedicados ao autocuidado em espaços sofisticados, conectados e visualmente integrados à casa. Mais do que um equipamento fitness, a Bike Personal representa uma nova forma de compreender o bem-estar — não como um momento isolado da rotina, mas como um hábito incorporado ao estilo de vida. A cozinha, equipada com eletrodomésticos Brastemp, segue a mesma proposta. Funcional e acolhedora, foi desenhada para estimular encontros, convivência e experiências compartilhadas, ampliando a sensação de conforto que permeia todo o projeto. Um convite à desaceleração Em tempos de hiperconectividade e excesso de estímulos, o Loft Carmim convida a uma pausa. A fluidez da circulação, a organização dos ambientes e a abundância de luz natural criam uma atmosfera de serenidade. As grandes janelas originais do imóvel estabelecem uma conexão constante com a paisagem externa, permitindo que o verde participe da experiência espacial e reforçando a sensação de acolhimento. Texturas naturais, obras de arte, materiais táteis e elementos artesanais completam essa narrativa, transformando a casa em um espaço de reconexão consigo mesmo. Quando a porta se fecha, o loft deixa de ser apenas um cenário e se torna um abrigo para desacelerar, contemplar e viver com mais presença. Sustentabilidade que preserva memórias A preocupação ambiental também orienta as decisões do projeto. Em vez de substituir elementos existentes, Paula Neder optou por valorizar a arquitetura original do imóvel, preservando o piso de taco e aproveitando ao máximo as características construtivas já presentes. A decisão de eliminar o forro de gesso reduziu significativamente o consumo de materiais e a geração de resíduos. Já a escolha por pedras industrializadas, mobiliário em madeira de demolição e obras produzidas a partir de resíduos têxteis reforça o compromisso com práticas mais responsáveis. A sustentabilidade aparece, assim, de forma natural e coerente, sem abrir mão da beleza, do conforto ou da sofisticação. Habitar com alma Mais do que apresentar tendências, o Loft Carmim propõe uma reflexão sobre o que realmente torna uma casa especial. O projeto mostra que os espaços mais marcantes são aqueles capazes de acolher histórias, traduzir identidades e proporcionar bem-estar. Ao unir arte, design, memória, sustentabilidade e wellness em uma única narrativa, Paula Neder cria um ambiente profundamente humano — um lugar onde cada detalhe carrega significado e onde o morar se transforma em uma experiência emocional. CASACOR São Paulo 2026 Onde: Parque da Água Branca – Rua Dona Ana Pimentel, s/n portaria G4 do PAB – Água Branca, localidade que integra o distrito da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026 Horário de funcionamento do evento: Terça a domingo, das 11h às 22h Horário bilheteria: Terça a domingo, das 11h às 20h15 (fechamento da bilheteria física 15 minutos após o último horário. A visita poderá acontecer até às 22h)

  • Carlos Navero transforma banheiro em galeria de arte e cria experiência provocativa inspirada em Picasso

    O arquiteto aposta na união entre arte, design e sensorialidade para despertar reflexão e interação do público em ambiente de 12 m² Texto: Camila Russi Fotos: Adriana Barbosa Na CASACOR São Paulo 2026, o arquiteto Carlos Navero apresenta um dos ambientes mais inusitados da mostra: um banheiro concebido como uma galeria de arte contemporânea. Em apenas 12 m², o espaço propõe uma experiência imersiva que combina design autoral, curadoria artística, memória afetiva e estímulos sensoriais, convidando os visitantes a desacelerar e a observar os detalhes. A mostra estreia no dia 2 de junho e ficará em cartaz até 9 de agosto, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Reconhecido por integrar arte e arquitetura em seus projetos, Navero leva para a mostra uma proposta que ultrapassa a funcionalidade do ambiente e reforça sua defesa da arte como elemento essencial na construção dos espaços contemporâneos. O projeto reúne peças de design, luminárias autorais, obras de artistas contemporâneos e objetos garimpados, criando uma narrativa visual que desperta curiosidade e incentiva a descoberta. O ponto focal do ambiente é uma intervenção inspirada em uma ação realizada na Espanha em homenagem aos 50 anos da morte de Pablo Picasso. No reservado do banheiro, os visitantes encontram um cartaz com a imagem do artista e a palavra “desaparecido”, originalmente distribuído em museus espanhóis como parte de uma provocação artística sobre a permanência e o legado do pintor. A instalação cria um efeito surpresa e transforma um espaço íntimo em ponto de reflexão e interação. A obra também inspira o conceito narrativo do ambiente, que brinca com títulos provocativos como “Procura-se Picasso” ou “Onde Picasso se Esconde?”, estimulando o visitante a participar da experiência e a compartilhar a descoberta nas redes sociais. A estratégia dialoga com um dos desafios atuais das mostras de arquitetura e design: criar espaços visualmente impactantes e, ao mesmo tempo, capazes de gerar conexão emocional e engajamento espontâneo. Além da experiência visual, o projeto investe na construção de uma identidade sensorial própria. A ambientação inclui uma assinatura olfativa exclusiva, desenvolvida para reforçar a memória afetiva da visita e ampliar a imersão do público. A proposta é que o aroma funcione como extensão do conceito do ambiente, conectando percepção, lembrança e emoção. “O banheiro é um dos espaços mais íntimos da casa. Quis transformá-lo em um lugar de contemplação, surpresa e arte, sem abrir mão da funcionalidade. Acredito que a arquitetura deve provocar emoções e criar experiências memoráveis”, afirma Carlos Navero. Mais do que um ambiente expositivo, a proposta apresentada por Carlos Navero na CASACOR São Paulo 2026 convida o visitante a refletir sobre presença, percepção e silêncio — temas que atravessam o projeto e se revelam em cada detalhe do percurso. Serviço Ambiente: Banheiro/Galeria de Arte Profissional: Carlos Navero Studio Evento: CASACOR São Paulo 2026 – Parque da Água Branca, Sao Paulo Área: 12 m² Conceito: Arte, design, experiência sensorial e provocação cultural reunidos em um espaço de contemplação e descoberta. Fornecedores Espelho: Humberto da Mata @humbertodamata Arandelas: F.Studio @f.studioarquitetura Lâminas do teto: Alpi @alpi_wood Piso (lançamento modelo Campagna mix branco): Mosarte @mosarte Iluminação técnica: Gaya @gayaled Metais e bacias: Deca @decaoficial Painel de madeira preto absolute: Duratex @duratexbr Cortina Lumiére: Amorim Cortinas @amorimcortinas Molduras e caixas de acrílico: Capricho Molduras @capricho_molduras_sp Pedra da bancada Nuage Quartzite: Vitoria Stone @vitoriastonegroup Execução da marcenaria: Marinovich Movelaria @marinovichmovelaria Execução da bancada: Sefione Marmoraria @sefione_stone Projeto de Feng Chui: Cris Bevilacqua @fengshuicomcrisbevilaqua Sobre Carlos Navero Studio O paulistano Carlos Navero cria projetos de arquitetura e interiores que se valem de sua sensibilidade para garimpar obras de arte e objetos de design. Essa aptidão surgiu cedo: por ter trabalhado na área comercial de duas galerias, uma em Curitiba e outra em São Paulo, o profissional mergulhou nesse universo e aprendeu a encontrar peças especiais. Desde então, não parou de frequentar exposições, leilões e feiras de antiguidades e incorporou esse conhecimento depois de se formar arquiteto pelo Centro Universitário Belas Artes. Carlos se especializou também em Design de Interiores e Design de Móveis, ambos pelo Senac. Hoje, atua em São Paulo e Madri. Instagram: carlosnavero https://casacor.abril.com.br/pt-BR/profissionais/carlos-navero

  • Entre o tempo e a permanência: o tapete que traduz o conceito do "Hall Tempo de Chegar" na CASACOR São Paulo

    Texto: Revista Habitare Fotos: Studio By Kamy No espaço "Tempo de Chegar", apresentado na CASACOR São Paulo pelas arquitetas Fernanda Prado e Catarina Biselli, da Duno Arquitetura, cada elemento foi pensado para desacelerar o olhar e convidar à contemplação. Com 21 m², o hall de entrada transforma o ato de chegar em uma experiência sensorial, propondo uma pausa em meio ao ritmo acelerado da vida contemporânea. Entre os destaques do ambiente está o tapete Entre Tempo BKV, desenvolvido especialmente para o projeto. Com desenho orgânico que acompanha as linhas fluidas do espaço, a peça reforça a atmosfera acolhedora criada pelo painel curvo de madeira escura e pelo cantinho de leitura iluminado pela luminária exclusiva assinada por Luisa Lempa. Mais do que um elemento decorativo, o tapete carrega uma narrativa de reaproveitamento e memória. Produzido artesanalmente pela equipe da by Kamy Verde, foi confeccionado a partir de fragmentos dos tapetes Morgana, um dos clássicos da marca. O processo dá origem a uma peça única, que une design contemporâneo, sustentabilidade e saber artesanal. O nome Entre Tempo sintetiza a essência do projeto. A peça representa o instante de transição entre o exterior e o interior, entre a pressa e a permanência. Um convite para tornar consciente esse breve momento de passagem que, muitas vezes, passa despercebido no cotidiano. Ao traduzir visualmente o conceito do ambiente, o tapete se torna parte fundamental da narrativa espacial criada pela Duno Arquitetura: um manifesto delicado sobre a importância de desacelerar e habitar o tempo. SERVIÇO - CASACOR São Paulo 2026 Onde: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, s/n portaria G4 do PAB Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026 Horário de funcionamento do evento: Terça a domingo das 11h às 22h Horário bilheteria: Terça a domingo* das 11h às 20h15 *fechamento da bilheteria física 15 minutos após o último horário. A visita poderá acontecer até às 22h. Bilheteria digital: https://appcasacor.com.br/events/sao-paulo-2026 Valores ingressos: De terça a domingo e feriados - R$141,00 (inteira) e R$ 70,50 (meia entrada) Compra de ingresso de meia-entrada - Idoso a partir de 60 anos - Estudante apresentando o documento válido com foto ou recibo de pagamento. - PNE (portador de necessidade especiais) e seu acompanhante (conforme lei 12.933/13) - Professor da rede pública e privada, apresentando o documento válido com foto. *Promoção de pré-venda não válida para meia entrada. *Comprovação de meia-entrada será exigida na porta. Importante: Gratuidade de entrada para crianças com idade comprovada de até 10 anos. 1 (um) CPF pode comprar no máximo 10 ingressos. Venda Grupo: Compras acima de 10 ingressos ou por CNPJ, envie e-mail para bilheteriacasacor@abril.com.br

  • CASACOR SÃO PAULO 2026 - Da terra ao solo

    Mais que um jardim, um manifesto sobre a arte, a cultura, a biodiversidade e as origens brasileiras Texto: Mafer Comunicação Fotos: Divulgação Em sua primeira participação solo na CASACOR São Paulo, a paisagista Maria Fernanda Marques assina a maior área e leva o paisagismo ecológico para a fachada do evento. São mais de 3 mil plantas de 70 espécies diferentes, sendo 99% nativas, reunidas ao trabalho de artesãos e artistas de diversas regiões do Brasil. O jardim “Da Terra ao Solo” é um manifesto sobre brasilidade, biodiversidade e as mãos que dão forma à nossa cultura. Foi criado para ser visto e sentido, para despertar os sentidos e reaproximar o ser humano da natureza e de si mesmo. O tema Mente e Coração da edição 2026 encontrou em Maria Fernanda Marques uma resposta que ultrapassa o paisagismo. Seu espaço foi pensado para despertar todos os sentidos, tão belo de contemplar quanto de sentir, respirar e habitar. “Ocupar a maior e mais visível área da mostra não é acaso: é dar à natureza e a quem a cultiva o lugar de destaque que elas merecem”, afirma. Da terra ao solo O nome do projeto carrega a sua essência. A terra, sozinha, é matéria pobre, sem vida e sem trocas. O solo é outra coisa: é a terra que ganhou vida, onde raízes, microrganismos, água e minerais se relacionam e se complementam, sustentando tudo o que existe sobre o planeta. Transformar terra em solo é a base de qualquer jardim. E é também o resumo do que aconteceu neste espaço. As imagens do antes e depois (fotos) revelam a transformação de um chão empobrecido em um ecossistema rico, biodiverso e em equilíbrio, onde cada elemento beneficia o outro. A natureza como cuidado Não é por acaso que o jardim ocupa a fachada. Estar na entrada da mostra é um gesto simbólico: de colocar a reconexão com a natureza diante dos olhos, antes de tudo. O contato com o verde está associado à queda dos níveis de estresse e de ansiedade, à redução da pressão arterial e ao aumento das sensações de prazer e tranquilidade. No Japão, o banho de floresta já integra recomendações médicas. Mente e coração batem no mesmo compasso quando a natureza está por perto. Uma imersão para desacelerar em um jardim vivo Os caminhos são tortuosos, de formas orgânicas, feitos para desacelerar o passo e devolver o tempo a quem caminha. A vegetação avança sobre o percurso, entra pelas bordas e se mistura ao piso, de modo que natureza e caminho se completam e se equilibram com naturalidade. Muitas das 70 espécies diferentes, sendo 99% nativas do Brasil, vieram para devolver ao parque a vegetação que um dia foi retirada dali, mas o jardim vai além das fronteiras locais e propõe ser o país do presente, na valorização da arte, a cultura e do ambiente natural biodiverso. As obras do artista João Machado são casas projetadas para abrigar abelhas nativas sem ferrão, feitas por processos ancestrais de queima, e no espaço cumprem o papel de despertar a consciência sobre o quanto os polinizadores são essenciais à vida. As abelhas nativas chegam a elevar em até 30% a produção de flores e frutos de um jardim. Ao lado delas, um hotel de insetos construído artesanalmente, com técnicas e elementos naturais, reforça o convite a enxergar esses seres com outros olhos. Em pouco tempo, o jardim passou a receber a visita de saguis, pássaros, abelhas e uma diversidade de insetos, sinal de que o bioma voltou a pulsar. Sem eles, não haveria vida sobre a Terra. A arte e o design brasileiros O espaço é uma reverência ao que o Brasil cria com as próprias mãos. O banco Cacau e outras peças de Jay Boggo, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea. O mobiliário da Casa Teo, que carrega a memória do design nacional. As obras de Carol Ambrosio, que unem esculturas de concreto a peças antigas garimpadas ao longo do tempo, na técnica do assemblage. Um quadro da Casa Bast e os objetos de coração de O Designer Artesão conversam com a poesia do lugar. Cada peça é também um ofício preservado, uma história brasileira que se recusa a desaparecer. A própria materialidade do jardim fala de natureza. Os pisos e cobogós drenantes da Lepri são feitos de elementos naturais e traduzem a biofilia em cada textura. Os vasos de cerâmica são moldados por mulheres do sertão nordestino, reunidas em cooperativas (Jatti Vasos). Os bancos rústicos de madeira maciça da Tabua Brasil resultantes de manejo florestal. Até a luz acompanha o conceito: a iluminação do jardim, executada pela Lightin Garden com projeto luminotécnico de Carlos Portes e luminária Interligh compõe o projeto. As luminária de capim dourado assinada por Ana Neute para a Itens, de micélio da Olá.Cria, o abajur da Essencial Luz e as almofadas da Baziotti Decor proporcionam o conforto sem se afastar dos materiais que vêm da terra. Um encontro de mundos O projeto de Maria Fernanda se entrelaça com o do arquiteto e designer holandês Edward van Vliet. Com cerca de 370 m² próprios, o verde da paisagista se estende para abraçar o espaço de Edward e alcança aproximadamente 400 m², a maior área da mostra em 2026. Elementos materiais, espécies vegetais e o Cobogó Fiori costuram essa conversa entre dois mundos. SERVIÇO - CASACOR SÃO PAULO 2026 Onde: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, 37 Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026, das 11h às 22h, com bilheteria presencial e últimas entradas até às 20:15h. Mais Informações: www.casacor.com

  • CASACOR SÃO PAULO 2026: "Pequena Amazônia - Quarto do Filho" faz um convite ao imaginário afetivo e sustentável

    Especialista em projetos infantis, a arquiteta Marta Calasans faz uma interpretação lúdica da floresta e cria uma casa de bonecas revestida com cerâmica natural da Lepri em tons off-white com toque suave! Texto: Mafer Comunicação Fotos: Daniela Magario Em sua estreia na CASACOR, a arquiteta Marta Calasans apresenta um quarto infantil onde imaginação, afeto e desenvolvimento caminham juntos. Inspirado na Floresta Amazônica, o ambiente “pequena Amazônia – Quarto do Filho” convida a habitar um universo simbólico, onde o brincar se torna ferramenta essencial de construção emocional e cognitiva. “No quarto infantil é onde se formam as primeiras memórias afetivas, assim o espaço está intimamente ligado ao tema da mostra”, diz Marta. Ela criou uma casa de bonecas onde o piso foi revestido com o Olaria Invecchiatto Atacama em tons off-white. Trata-se de um revestimento artesanal com um acabamento que proporciona um toque suave. Por proporcionar bem-estar é ideal para propostas com foco no design afetivo. O projeto “Pequena Amazônia – Quarto do Filho” parte da premissa de que o espaço infantil precisa acolher múltiplas funções — dormir, estudar, brincar e descansar — sem perder a leveza. A partir disso, Marta cria uma narrativa imersiva: o papel de parede com paisagem de floresta, assinado pela artista Ju Brandão, envolve todo o ambiente, enquanto uma grande árvore cenográfica com copas em tecido se torna o elemento central, transformando o quarto em um território de descoberta. A marcenaria desenvolvida pela Kinder Design com madeira de reflorestamento estrutura o espaço de forma lúdica e funcional, com a cama posicionada sob um mezanino que remete a uma casa na árvore, ampliando as possibilidades de uso e estimulando a autonomia da criança. Elementos interativos reforçam a proposta: a casinha de boneca inspirada no João de Barro convida o visitante a espiar. Marta revestiu o piso com a cerâmica natural da LEPRI DA COLEÇÃO Olaria Atacama no formato 5 cm x 10 cm reforçando ainda mais o aspecto afetivo da proposta em função do acabamento suave e da tonalidade neutra escolhida. Peças como o cubo jacaré, o pufe sapo, a cadeira onça e luminárias em forma de animais aproximam o universo natural do cotidiano infantil. “A criança aprende e se desenvolve a partir das experiências que vive no espaço. Quando conseguimos equilibrar estímulo e acolhimento, mente e coração passam a atuar juntos — e é aí que a criatividade acontece de forma genuína”, afirma Marta Calasans. A paleta — baseada em verdes, terrosos e nuances de amarelo — equilibra estímulo e acolhimento, reforçando a ideia de que o ambiente pode influenciar diretamente o bem-estar. Outro elemento que contribui neste sentido é a banheira L’ARUM BLANC – Modelo LA Rochelle, que convida ao relaxamento. Cada modelo recebe o nome de uma região icônica da França, em uma homenagem à tradição e ao charme que atravessam gerações. Para o banheiro Marta escolheu a banheira L’ARUM BLANC – Modelo LA Rochelle, também fornecida pela Lepri. A L’ARUM BLANC, comercializada pela Lepri a partir deste ano, nasceu com a proposta de redefinir o significado da palavra banho através de uma linha de banheiras de imersão que proporcionam a experiência dos muitos sentidos e das sensações que duram. A começar pelo design fluido, que se destaca ao primeiro olhar, e pelo toque acetinado de suas peças que transformam o banho em um ritual de bem-estar, uma pausa sensorial e relaxante, integrando perfeitamente com ambientes internos ou externos. SERVIÇO - CASACOR SÃO PAULO 2026 Onde: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, 37 Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026, das 11h às 22h, com bilheteria presencial e últimas entradas até às 20:15h. Mais Informações: www.casacor.com

  • Mia Kamimura estreia na CASACOR 2026 com banheiro Entre o visível e o invisível

    Com 32 m², o ambiente propõe uma experiência sensorial construída por reflexos, transparências, texturas e camadas de privacidade Texto: Duetto Comunicação Fotos: Divulgação Nem tudo o que define um espaço está totalmente à vista. Na arquitetura, tudo se revela aos poucos: em um reflexo, em uma superfície translúcida, na maneira como a luz atravessa o ambiente ou na sensação que um material é capaz de criar. É a partir dessa percepção que a arquiteta Mia Kamimura estreia na CASACOR 2026 com o ambiente Entre o Visível e o Invisível, um banheiro conceitual de 32 m² que traduz o tema “Mente e Coração” por meio de uma experiência sensorial, acolhedora e contemplativa. “A ideia surgiu da vontade de criar um espaço que acolhesse o corpo e também a mente. Um ambiente onde a experiência não estivesse apenas na função, mas na forma como cada pessoa percebe a luz, os materiais, os reflexos e a própria sensação de permanência.” Com aproximadamente 32 m², o espaço de uso público, além das cabines, tem área de trocador e banheiro acessível. Um dos principais pontos do projeto está nas cabines, executadas com vidro comutável PDLC, tecnologia que alterna entre os estados transparente e leitoso a partir de um pulso elétrico acionado pelo trinco. Ao fechar a porta, o vidro muda de aparência e garante privacidade ao usuário, materializando de forma direta o conceito do ambiente: a passagem entre aquilo que se revela e aquilo que se preserva. A materialidade também participa dessa narrativa. As bancadas, revestidas por ripas abauladas de granito abstrato, sobressaem no espaço pela textura e pelos veios marcantes da rocha, que transitam entre bege, cinza e verde. A pedra orienta a paleta complementar do ambiente, em diálogo com tons de rosê e dourado, enquanto a marcenaria alterna freijó e hibisco para criar uma atmosfera quente, acolhedora e sofisticada. “Minha proposta era traduzir esse diálogo em arquitetura a partir do equilíbrio entre rigor técnico, fluidez espacial e experiência sensorial. Queria que o ambiente não fosse percebido apenas pela função, mas também pela forma como a luz, os reflexos, as texturas e os planos de privacidade conduzem a experiência”, completa a arquiteta. À frente do escritório Mia Kamimura Arquitetura e Design, Mia atua no segmento residencial de alto padrão, com foco em reformas completas e interiores contemporâneos. Ao lado do marido e sócio, Rafael Sandim, responsável pela gestão e acompanhamento das obras, a arquiteta combina precisão técnica, sensibilidade estética e atenção próxima à execução dos projetos. Sobre Mia Kamimura Fundado pela arquiteta e urbanista Mia Kamimura, o escritório reflete uma prática orientada pelo olhar atento ao modo de viver de cada cliente. O processo parte da escuta e se traduz em escolhas precisas, que equilibram estética e funcionalidade com naturalidade. Ao longo da carreira, a arquiteta acumulou experiência no desenvolvimento de projetos e obras no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, passagem que contribui para a consistência técnica presente em seus trabalhos. Hoje, seu foco está na criação de espaços bem resolvidos, elegantes e coerentes, onde cada decisão responde a um uso real. www.miakamimura.com.br contato@miakamimura.com.br @miakamimuraarquiteta 11) 975451008

  • Letícia Nannetti propõe um olhar sensível sobre design universal no Estúdio Universal Âmbar

    Arquiteta mineira apresenta ambiente de 54 m² na CASACOR 2026. Explorando o design universal de forma intuitiva, combinando conforto, autonomia e acolhimento Texto: Duetto Comunicação Fotos: Divulgação Na CASACOR 2026, a arquiteta Letícia Nannetti apresenta o Estúdio Universal Âmbar, ambiente de 54 m² inspirado em uma reflexão sobre o tempo, a permanência e a forma como desejamos habitar ao longo da vida. A proposta interpreta o tema “Mente e Coração” ao combinar clareza espacial, funcionalidade intuitiva e uma atmosfera sensorial pensada para acolher. Inspirado na matéria que lhe dá nome, o projeto traduz a maturidade como continuidade, acolhimento e pertencimento. “Assim como o âmbar preserva vestígios com delicadeza, o espaço propõe uma arquitetura capaz de acompanhar as transformações do corpo com naturalidade e sensibilidade”, explica Letícia. O ambiente apresenta o design universal incorporado ao desenho com naturalidade, sem recorrer a códigos visuais evidentes ou soluções marcadas. O ambiente foi pensado para acolher diferentes ritmos, percepções e modos de viver, promovendo conforto, autonomia e fluidez de forma orgânica. Logo na entrada, o visitante é recebido por uma atmosfera aconchegante, garantida pelo vitral em tonalidades inspiradas no âmbar, que filtra a luz e transforma a percepção do ambiente ao longo do dia. “Desenhado por mim, especialmente para o Estúdio, nasce como uma superfície sensível que filtra luz, tempo e percepção. Inspirado nas tonalidades e na profundidade do âmbar, o desenho autoral se constrói por formas orgânicas e fluidas, criando movimento, acolhimento e continuidade visual. A peça transforma a luz em atmosfera, reforçando o conceito do ambiente: um morar sensível, intuitivo e atemporal”, conta a arquiteta. Além disso, os tecidos ampliam essa experiência ao introduzir textura, proximidade e delicadeza, com tramas aparentes, xadrezes sutis e florais discretos no enxoval, quarto e banheiro, enriquecem a leitura tátil do espaço." Também priorizei a curadoria de arte e objetos para aprofundar essa narrativa ao reunir artistas e peças que dialogam com materialidade, tempo e território. Referências brasileiras e memórias mineiras aparecem de forma sutil, integradas ao conjunto como parte da identidade do projeto", conta a arquiteta. Na área social, estar e cozinha se conectam de forma fluida, reforçando a vocação do ambiente para a permanência e o convívio. O mobiliário foi desenvolvido a partir de princípios ergonômicos, com proporções equilibradas, geometrias suaves e cantos arredondados que favorecem o uso intuitivo e acompanham naturalmente o movimento do corpo. Já a área íntima, traz o quarto e o banheiro seguindo a mesma linguagem visual, com soluções que favorecem conforto, autonomia e bem-estar. As escolhas espaciais facilitam o deslocamento e incorporam acessibilidade sem deixar de lado a unidade estética e a atmosfera acolhedora do ambiente. “Para as barras de apoio, propus um modelo autoral, desenhada pelo escritório que vai além da função de acessibilidade, como também possui um porta-objetos, deixando tudo facilmente à mão, e ainda garante uma estética mais elaborada, diferente do convencional, existente no mercado", finaliza Letícia. Parceiros A Morada (@A_morada) Amorim Cortinas (@amorimcortinas) Ateliê Benini (@ateliebenini) Brastemp (@brastemp) Breton (@bretonoficial) Coral (@tintascoral) Deca (@decaoficial) Divinas Gerais (@divinasgerais) Duratex (@duratexbr) Interlight (@interlight.oficial) Mobility Brasil (@mobilitybrasil) Portinari (@ceramicaportinari) Sergio Ramos (@sergioramosatelier) WM Mármores (@wm.marmores) Serviço Com raízes mineiras, atuação entre Minas Gerais e São Paulo, e criação de projetos sem fronteiras, Letícia Nannetti desenvolve uma arquitetura autoral e contemporânea, guiada pela escuta, pela curadoria e pela criação de espaços com identidade, sensibilidade e permanência. Sua relação com a arquitetura começou ainda na infância, acompanhando o pai na restauração de casarões coloniais, experiência que influenciou seu olhar para a memória e a materialidade dos ambientes. O reconhecimento no mercado se consolida através da participação em importantes eventos do setor, incluindo duas edições consecutivas da CasaCor (2023 e 2024), sendo premiada na edição de 2024. Este reconhecimento reafirma o compromisso com a excelência e criatividade em cada projeto desenvolvido. www.leticianannetti.com.br

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