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Tito Bertolucci: o olhar que ajudou a construir a cena da arte urbana brasileira

  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Colecionador e empreendedor cultural, ele criou espaços que se tornaram referência na promoção, formação e preservação da arte de rua.




Tito Bertolucci está entre um dos mais importantes colecionadores de arte urbana da atualidade. Seu interesse pelas artes começou ainda criança, em viagens que realizava com o pai pela Europa e onde conheceu inúmeros museus. A lembrança de quando viu pela primeira vez obras como “Guernica” de Pablo Picasso, no museu Reina Sofia, em Madrid, assim como as obras de Michelangelo no museu do Louvre, em Paris, lhe abriu o olhar para o que seria, ainda sem saber, uma paixão para os próximos anos de sua vida. 


Tito formou-se publicitário pela PUC/SP e, já inserido no mercado de trabalho, usou sua bagagem cultural no departamento de marketing na Lorenzetti onde trabalhava com merchandising, desenvolvendo ações para pontos de vendas e outras estratégias voltadas para vendas e comunicação visual. Nesse período, seu contato com criativos o impulsionou ainda mais para o mundo das artes e do qual não saiu mais.


Apaixonado por surf, nessa mesma época conheceu um tipo de arte específico chamado ‘Surf Art’, estilo já difundido na Califórnia, Indonésia e no Havaí. Um caminho sem volta! Em 2009, Tito começou a pesquisar mais e mais essa arte. Assim nasceu, no mesmo ano, sua primeira galeria, a Alma do Mar, um espaço totalmente dedicado à arte voltada para a cultura do surf, onde alguns artistas eram, entre outros, também surfistas.



Chamada Galeria Alma do Mar, que era próxima ao Beco do Batman, um dos endereços mais emblemáticos em arte urbana na cidade de São Paulo, proporcionou ao jovem galerista ter contato com outros artistas e suas artes. Ali encontrou sua verdadeira paixão: o street art. Tito passou a fazer murais com esses artistas e a organizar exposições, ao mesmo tempo em que deu início ao colecionismo, adquirindo de uma só vez 13 obras de uma galeria vizinha, focada em grafite. Os trabalhos de Enivo, Marina Zumi, Ricardo Akemi, Mundano, entre outros, compuseram sua primeira coleção.


Algum tempo depois, Tito encerra as atividades da Alma do Mar e abre sua primeira galeria focada em street art na Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta. A Blaze Gallery, aberta em 2015, exibiu cerca de oito mostras de street art e, sempre adquirindo obras, Tito percebeu que precisava de um espaço maior, que abrigasse suas cerca de 200 obras. Em 2016, surge a Alma da Rua I que já nasceu grande e onde Tito vendia apenas obras próprias.


A partir daí começaram a acontecer exposições e, com a abertura de outra unidade, também no Beco do Batman, a Alma da Rua II, passou a concentrar as mostras de arte com períodos expositivos e com obras, a maioria inéditas, para atender um calendário com cronograma anual. A Alma de Rua I, segue em funcionamento como um local direcionado para abrigar mostras com obras de acervo.


Hoje, os espaços ‘Alma da Rua’ são considerados locais abrangentes, com foco em grafite e pixação. São centros geradores e articuladores de arte urbana, que fomentam diversos tipos de manifestações culturais e atividades, através da reflexão, formação, produção e a história da arte presente nas ruas.



 
 

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