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Casa em vila une estilo industrial, natureza e vida ao ar livre em projeto no coração de São Paulo

Projeto do escritório RUA 141 transforma um terreno de 4 x 18 metros em uma casa integrada, luminosa e com identidade esportiva, a poucos passos do Parque Ibirapuera


Texto: Redação Habitare Fotos: Fran Parente



Triatletas e apaixonados pela vida ao ar livre, o casal de 33 anos, buscava um endereço que traduzisse seu estilo de vida: morar em uma vila, com clima de bairro, onde as crianças pudessem brincar na rua, o cachorro Moleque circulasse livremente e a proximidade com o Parque Ibirapuera facilitasse a rotina de treinos. Quando surgiu a oportunidade de compra de uma das casas na mesma vila onde já moravam de aluguel, não houve dúvidas. Para dar forma a esse novo capítulo, convidaram o escritório RUA 141, liderado pela arquiteta Mona Singal, a desenvolver o projeto em um desafiador terreno de 4 x 18 metros.


Após algumas visitas e estudos, a decisão foi pela demolição completa e a construção de uma nova casa, iniciando uma verdadeira corrida contra o tempo: a primeira filha do casal estava a caminho. Das estruturas existentes, apenas as paredes laterais de tijolinho, que fazem divisa com os vizinhos, foram mantidas. Uma nova estrutura metálica e lajes treliçadas deram origem a uma residência de 135 m², construída em um ano e meio.



A casa foi organizada em dois corpos conectados por passarelas metálicas e distribuída em três pavimentos: térreo, superior e rooftop. No centro do projeto, um jardim interno abriga uma árvore de araçá, responsável não só pelo conforto térmico, mas também por oferecer uma vista verde aos dormitórios. A integração dos ambientes no térreo foi essencial para ampliar visualmente o espaço, garantir ventilação cruzada e potencializar a entrada de luz natural, fundamental em um lote estreito.


O estilo industrial percorre toda a casa e se expressa nas vigas e pilares metálicos pretos, nas paredes de tijolinho descascado, na iluminação em trilhos aparentes e nos conduletes metálicos. Em contraponto, para trazer aconchego, foram utilizados o piso de madeira tauari em espinha de peixe e os caixilhos em madeira freijó. A escada metálica com chapa dobrada e guarda-corpo perfurado conecta os pavimentos e reforça a linguagem contemporânea do projeto.


A fachada, marcada pelo tijolinho branco aparente e pelas venezianas ripadas em freijó, anuncia a personalidade da casa e acolhe quem passa pela vila. Ao entrar, já é possível visualizar a integração entre living, cozinha, jantar e jardim. No segundo bloco do térreo ficam o lavabo, o escritório e a despensa, garantindo privacidade para o trabalho com vista para o verde. Também ali, mais duas bicicletas foram incorporadas à composição.



No pavimento superior, a área íntima se organiza a partir de uma circulação linear iluminada por uma zenital, que traz a luz natural e um recorte do céu para dentro da casa. O piso em madeira tauari percorre todo o andar, enquanto as paredes de tijolinho aparente reforçam a materialidade original. As portas, desenhadas até o forro em freijó, ampliam a sensação de pé-direito. A suíte máster, voltada para a fachada, conta com uma grande janela de correr, enquanto o banheiro mescla cimento queimado e ladrilho hidráulico rosa, com iluminação e ventilação garantidas pela zenital.


Os quartos das filhas seguem a mesma linguagem: caixilhos generosos, venezianas ripadas e vistas para a copa da árvore do jardim interno. O banheiro das crianças repete a combinação de cimento queimado com ladrilho hidráulico, agora em tom verde. Uma das suítes é acessada por uma passarela metálica, reforçando o caráter arquitetônico do projeto.



No topo, o rooftop se revela como um dos espaços mais especiais da casa. O acesso se dá por uma cobertura metálica com vidro motorizado e deslizante, que ilumina naturalmente a escada. Nesse pavimento, foram criadas a área gourmet e um estar acolhedor com pufes, cercados pelo paisagismo.


Floreiras ao redor do perímetro formam um pequeno oásis urbano, que garante privacidade em relação às casas vizinhas e aproxima os moradores da natureza. Atravessando outra passarela, ficam o segundo lavabo e a área de serviço, ambos com iluminação e ventilação naturais por meio de zenitais. O resultado é uma casa que equilibra estética industrial, integração com o verde e soluções afetivas, refletindo a essência de um casal que vê a arquitetura como extensão de seu modo de viver.


 

 
 

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