03/10/2017 — Texto: Cobogó – Relações Públicas | Fotos: Maira Acayaba

Estrutura permitiu construção rápida e vãos maiores, com os balanços ligando as áreas internas e externas.

O ponto de partida do projeto da Casa Pacaembu, projetada pelo escritório DMDV Arquitetos em São Paulo, foi a decisão entre reformar profundamente a construção original ou a demoli-la para projetar uma nova residência. Após o estudo do programa desejado pelos moradores, da implantação da antiga casa, e da análise do sistema estrutural da construção existente, que não permitia grandes intervenções, o escritório optou por sugerir uma nova casa, em estrutura metálica.

A opção reduziu o prazo de execução e viabilizou maiores vãos, livrando o pavimento térreo de interferências estruturais e permitindo os balanços que configuram espaços de permanência protegidos e interligados aos jardins externos. Parte dos materiais da antiga construção foi utilizada na nova moradia, como os tijolos que podem ser vistos aparentes nas fachadas, as pedras de piso que compõem o paisagismo e parte do madeiramento da antiga construção.

O lote de geometria irregular e acentuado aclive, bem como a análise solar, foram determinantes na distribuição do programa e na organização espacial do projeto. O pavimento inferior, ao nível da rua, abriga a garagem para 4 automóveis, lavanderia, depósitos e áreas técnicas. Por estar parcialmente enterrado, esse é o único pavimento construído em concreto.

A iluminação e ventilação desses ambientes é feita através de aberturas para um pequeno jardim que abriga a central de aquecedores e uma cisterna enterrada para captação da água da chuva que é reutilizada pelo sistema de irrigação automático dos jardins.

No pavimento superior, o térreo, está a principal área de permanência, convívio e lazer da família, composta pela sala de estar, jantar, cozinha e home theater. A integração das áreas internas com os jardins externos foi priorizada através da adoção de fechamentos de vidro em todo o perímetro.

As áreas externas foram separadas em dois jardins: um na porção frontal do lote, conectado a cozinha e sala de jantar, e outro maior ao fundo que abriga a piscina e deck de madeira, e se conecta a varanda e churrasqueira, bem como a edícula, uma caixa revestida de madeira que possui dois pavimentos compostos pela brinquedoteca que se abre para o jardim, e sobre a mesma, o espaço para sauna e descanso.

No primeiro pavimento ficam os 3 dormitórios, sendo que os dois frontais estão separados do dormitório do casal na porção posterior pelo vazio do pé direito duplo da sala. Para proteger as esquadrias do sol poente, adotou-se muxarabis de madeira cumaru para resguardar os vidros de vedação melhorando o conforto térmico.

No último pavimento, de onde se tem a vista do vale do Pacaembu, está o escritório, também protegido do sol por brises verticais de madeira cumaru e conectado a 2 terraços descobertos permeados por jardineiras integradas aos guarda-corpos metálicos.

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