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Um refúgio toscano em meio à cidade

  • 30 de jul.
  • 2 min de leitura

Assinado pela arquiteta Cilene Lupi, o projeto do Vila Dalí transforma arquitetura, luz e memória em uma experiência sensorial, onde o rústico contemporâneo acolhe e convida à permanência.


Texto: Revista Habitare Fotos: Rafael Renzo


Ao cruzar a entrada do Vila Dalí, a cidade parece ficar para trás. A arquitetura conduz o olhar e os sentidos para uma atmosfera que remete às pequenas vilas da Toscana, onde o tempo desacelera e cada elemento convida à permanência. Concebido pela arquiteta Cilene Lupi, o projeto revela uma narrativa construída por texturas, luz e memória, transformando o restaurante em um cenário de encontros e afetos.


O ambiente foi desenhado para traduzir o desejo da chef e proprietária de criar um espaço romântico, contemporâneo e profundamente acolhedor. A rusticidade aparece de forma elegante nos materiais naturais, nos acabamentos artesanais e na paleta de tons terrosos que percorre o piso e envolve o espaço com suavidade. Cada escolha reforça uma sensação de autenticidade, como se o ambiente carregasse histórias vividas ao longo do tempo.



A iluminação desempenha um papel essencial nessa composição. Pendentes distribuídos com delicadeza dialogam com a vegetação e desenham um refinado jogo de luz e sombra, criando pequenas ilhas de intimidade. Em cada mesa, a luz revela texturas, valoriza os materiais e transforma o momento à mesa em uma experiência ainda mais envolvente.


A arquitetura explora com sensibilidade o pé-direito duplo, o teto retrátil e a adega, criando uma varanda que aproxima interior e exterior e permite que a luz natural participe da ambientação. Essa integração amplia a percepção do espaço e reforça a atmosfera leve e acolhedora que define o projeto.



Um dos aspectos mais marcantes está na capacidade de ressignificar objetos cotidianos. Bicicletas tornam-se elementos cenográficos, xícaras de café ganham nova vida como luminárias, arcos iluminados emolduram passagens e antigas cadeiras passam a sustentar pontos de luz nas paredes. Esses detalhes imprimem personalidade ao ambiente e revelam o olhar criativo da arquiteta, que transforma peças comuns em elementos de forte expressão estética.



Além do salão principal, o Vila Dalí abriga uma delicada loja de confeitaria na entrada, um bar, espaços reservados para eventos e um gazebo que já recebeu celebrações de casamento, reafirmando a versatilidade do projeto. Mais do que um restaurante, o espaço se consolida como um refúgio urbano onde arquitetura, gastronomia e emoção se encontram em perfeita harmonia. Um lugar concebido para ser vivido com calma, descoberto aos poucos e lembrado pela sensação de acolhimento que permanece muito depois da visita.



 
 

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