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Go Up Arquitetura ressignifica apartamento de 97 m² na Bela Vista por meio da sinestesia e da materialidade natural

  • 29 de jul.
  • 2 min de leitura

Texto: Revista Habitare Fotos: Robson Figueiredo



Em meio à dinâmica urbana da Bela Vista, em São Paulo, um apartamento de 97 m² passou por uma reforma completa que redefine a relação entre arquitetura, sensações e cotidiano. Assinado pela Go Up Arquitetura, o Projeto Ischia propõe uma leitura contemporânea do morar ao substituir soluções padronizadas por uma composição marcada pela fluidez espacial, pela materialidade natural e pelo uso estratégico da cor.



Desenvolvido para um jovem casal e seus animais de estimação, o projeto foi executado por meio da metodologia Fast Decor, que combina planejamento preciso e agilidade na obra. A intervenção redesenhou completamente o layout, eliminando barreiras entre os ambientes sociais para ampliar a permeabilidade visual, favorecer a ventilação cruzada e potencializar a entrada de luz natural.


A proposta parte de um conceito que aproxima a arquitetura da experiência sensorial. Em vez de criar ambientes cenográficos, o escritório buscou construir uma residência que convida ao uso cotidiano, ao conforto e à permanência, explorando texturas, iluminação e uma paleta cromática cuidadosamente estudada conforme a incidência da luz ao longo do dia.



Nesse contexto, a cor deixa de ser apenas um elemento decorativo e passa a organizar os espaços. Na área social, o azul acinzentado Horizonte, da Suvinil, envolve paredes e elementos estruturais, criando uma base contínua que amplia a percepção espacial. Já a suíte principal recebe o tom Argila Rosada, responsável por estabelecer uma atmosfera mais intimista e acolhedora, reforçando a proposta sinestésica do projeto.



A materialidade é outro aspecto determinante da identidade do apartamento. A marcenaria combina MDF Cinza Urban, da Guararapes, com compensado naval de sumaúma, cuja característica mais marcante é a exposição das bordas naturais do material. Ao optar por revelar, e não esconder, as camadas do compensado, o projeto evidencia uma estética baseada na honestidade construtiva, valorizando o desenho e a autenticidade dos acabamentos. Madeiras maciças, como freijó e tauari, complementam a composição e equilibram a paleta de cinzas e azuis com tonalidades mais quentes.


A funcionalidade acompanha as transformações do modo de morar. Os dormitórios incorporam áreas para trabalho remoto integradas à marcenaria, enquanto soluções discretas garantem organização e flexibilidade de uso. O projeto também contempla a convivência com animais de estimação, incorporando percursos verticais para gatos de forma integrada às estantes metálicas e aos elementos de marcenaria, sem interferir na linguagem arquitetônica.


Além das escolhas estéticas, a reforma exigiu intervenções técnicas importantes, como o reposicionamento da infraestrutura de gás e o nivelamento preciso das bancadas em pedra, soluções que demonstram o cuidado construtivo presente em todas as etapas do projeto.



 
 

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