habitare
Gabriel Fernandes assina “Casa Simonetto – Tributo à Janete Costa” na CASACOR São Paulo 2026
Eventos08 de junho de 2026

Gabriel Fernandes assina “Casa Simonetto – Tributo à Janete Costa” na CASACOR São Paulo 2026

Texto: Denise Delalamo Comunicação · Fotos: Denilson Machado

Inspirado em Janete Costa, o espaço alinha monumentalidade, simetria e a potência do fazer brasileiro

Em sua quarta participação em conjunto com a Simonetto marca de móveis planejados na CASACOR São Paulo, o arquiteto Gabriel Fernandes, à frente do GF Estúdio 55, apresenta a “Casa Simonetto – Tributo à Janete Costa”. Inspirado no tema da mostra deste ano “Mente e coração”, o projeto valoriza a passagem do tempo e a capacidade de reinvenção dos fazeres brasileiros, afirmando o valor do desenho que nasce da cultura popular. A CASACOR São Paulo acontece de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca.

No conceito do projeto, Gabriel presta homenagem a uma de suas maiores referências, a arquiteta e designer Janete Costa, reconhecida por valorizar a arte popular brasileira em projetos sofisticados e por sua atuação como curadora. O espaço celebra seu legado por meio de elementos sensíveis e carregados de história, equilibrando monumentalidade, proporção e simetria, resgatando memórias entrelaçadas ao saber-fazer brasileiro, à prática artesanal e à arquitetura. 

“A ideia é apresentar a Casa Simonetto como uma homenagem sensível a uma das figuras mais importantes da arquitetura e da arte popular no Brasil. Como alguém que se considera aluno dessa escola Janete Costa, minha busca foi criar um espaço capaz de provocar a mesma emoção que senti ao entender a potência do território e do fazer manual como transformação na vida das pessoas”, afirma Gabriel Fernandes.

Com 160 m², a casa se abre para um living com pé-direito generoso, criando uma atmosfera que valoriza perspectiva, escala e profundidade. Para reforçar a ideia de simetria, a lareira assume destaque como peça central no ambiente. Ao fundo, foram posicionadas a cozinha e o jantar, estabelecendo a divisão dos espaços por meio de uma leitura clara e equilibrada, com base na lógica modernista. O layout, pensado também para o olhar contemporâneo, fortalece essa monumentalidade ao enquadrar o espaço de forma elegante e precisa, junto às grandes janelas, que ampliam a delicadeza da luz natural e reforçam a sofisticação silenciosa do ambiente.

A grande estante surge como um dos principais destaques do projeto. Ocupando todo o pé direito do espaço, ela é composta por gavetas entalhadas em madeira, inspiradas nas volutas do barroco brasileiro. As peças foram desenvolvidas pelo artista mineiro Nellinho, artesão de Tiradentes, cujo o trabalho resgata as memórias do fazer manual brasileiro e transforma a estante em uma peça simbólica da arte popular e do tempo dedicado ao ofício. As gavetas entalhadas guardam memórias, do artesão, do arquiteto, da arquitetura e do próprio território brasileiro, reafirmando o valor da manufatura e da tradição.

Toda a marcenaria foi assinada pela Simonetto, tradicional empresa brasileira de móveis planejados, e ganha protagonismo através do lançamento do ano da marca: a lâmina natural de pau-ferro, aplicada em diferentes mobiliários do ambiente. O material recebe ainda delicados chanfros nos tamponamentos de maior espessura para suavizar o olhar e acabamento melamínico em tom Caramelo, criando uma base elegante, quente e sofisticada para o projeto. A Simonetto entrega um alto nível de personalização que enriquece toda a marcenaria. A partir dessa composição, todos os demais acabamentos foram desdobrados, em uma construção cuidadosa entre matéria-prima, textura e desenho autoral.

A iluminação desenvolvida por Carlos Fortes, cria camadas dentro do próprio projeto, valorizando volumes, transparências e texturas naturais, trazendo continuidade visual e conforto estético para a mostra. As tramas artesanais ocupam um papel central na narrativa do ambiente. O tapete mistura palha natural com fios de algodão, enquanto o tecido do sofá foi desenvolvido por Gabriel em parceria com o designer Renato Imbroisi, profissional que também colaborou com Janete Costa ao longo de sua trajetória. A escolha reforça a continuidade desse legado e a importância do trabalho manual na construção da identidade brasileira.

Inspirado no amarelo modernista presente na arquitetura de Oscar Niemeyer, observado recentemente por Gabriel durante uma hospedagem no Edifício Copan, o projeto traz um amarelo vibrante aplicado de maneira pontual e precisa, exatamente como Janete fazia em seus interiores. A tonalidade, desenvolvida em parceria com a Coral, surge como um gesto de emoção e memória dentro da composição.

As texturas naturais aparecem em diferentes camadas, como nos tecidos de algodão das cortinas e nos acabamentos cuidadosamente selecionados, reforçando a autenticidade e a delicadeza do projeto. A curadoria valoriza as tramas artesanais e homenageia o legado de Janete Costa na união entre design e arte popular brasileira. Entre os destaques, estão as poltronas em couro do living que fazem parte do acervo pessoal Vilma Eid, desenhadas por Janete e Acácio Borsoi, a mesa lateral em cerâmica dos irmãos campana, e as peças da coleção tubular de Geraldo de Barros. A chaise Le Corbusier, um clássico do modernismo, reforça as misturas do arquiteto que traz para seu trabalho neste ano um pouco do design internacional dentro de sua linguagem. As obras de arte que faziam parte do acervo de Acácio e Janete, sendo o quadro da Tomie Ohtake, e o Panneaux do Burle Marx, são os protagonistas da narrativa, fazendo uma conexão entre as histórias vividas por Janete, com o partido do arquiteto. 

Na cozinha, a composição é marcada por grandes nichos e por uma marcenaria que oferece funcionalidade ao integrar mesa de jantar, fogão embutido, geladeira, tudo se resume ali, em volta da mesa. A materialidade reafirma o discurso do projeto e aproxima arte, arquitetura e artesanato. Já a varanda é totalmente inspirada em Burle Marx, carregada de bromélias, plantas preferidas do paisagista, e por vasos com diferentes estruturas, dialogando com o modernismo e a paleta do ambiente, tudo elaborado e pensado pela paisagista Regina Peres.

Gabriel mostra que a Casa Simonetto é mais do que um espaço. É um convite para um olhar mais sensível sobre o trabalho manual e o fazer brasileiro. Com uma narrativa consistente, o projeto resgata memórias, afetos e referências fundamentais da arquitetura e da arte popular do país, celebrando o legado de Janete Costa através de uma experiência carregada de emoção, cultura e identidade brasileira.

Galeria
Projeto
Gabriel Fernandes
Ver portfólio →

Veja também