Cobertura em Ipanema se transforma em refúgio contemporâneo inspirado pela vida à beira-mar
- há 5 dias
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Projeto reorganiza completamente a planta de uma cobertura duplex de 325 m² e cria ambientes integrados, luminosos e conectados à natureza.
Texto: Revista Habitare Fotos: Andre Nazareth

Um verdadeiro refúgio urbano e afetivo à beira mar. Esse foi o desafio entregue pelo morador ao arquiteto Sebastian Gomez no projeto desta cobertura no Rio: um reencontro com memórias afetivas, especialmente com a praia que frequentava desde a infância e que sempre fez parte de sua história. Ao retornar à cidade, depois de anos vivendo fora, o proprietário desta cobertura duplex de 325 m², em Ipanema, buscava muito mais do que uma mudança de endereço.
“A ideia foi criar uma casa com uma arquitetura silenciosa que fosse uma extensão da praia, um lugar aberto ao encontro, à convivência e ao prazer de receber amigos e familiares, equilibrando sofisticação e informalidade", diz Sebastian.

Durante os 16 meses de obra, a vida dos moradores mudou completamente: o cliente formou uma nova família e se tornou pai. A chegada da filha exigiu uma revisão do layout, incluindo uma suíte infantil e um escritório com possibilidade de acomodar hóspedes.
“O que começou como uma residência para uma pessoa acabou se tornando o lar de uma família. Buscamos então criar uma arquitetura flexível, capaz de absorver essas mudanças, sem perder a essência do conceito original", complementa Sebastian.

A história da cobertura também é singular. Originalmente, o espaço reunia a antiga residência do zelador e uma área comum do edifício. O imóvel tinha uma construção fragmentada, cheia de adaptações acumuladas ao longo dos anos. O projeto reorganizou completamente a lógica espacial da cobertura. A nova escada helicoidal, posicionada no centro da planta, tornou-se o elemento principal. A partir dela, foi possível redefinir os fluxos internos, organizar as áreas social e íntima e estabelecer uma circulação mais intuitiva entre os pavimentos.

No primeiro nível, sala de estar, jantar e cozinha foram integrados e passaram a funcionar como um grande espaço de convivência e valorizando a entrada de luz natural. A cozinha, marcada pela combinação entre madeira natural e superfícies brancas, ganhou uma ilha central que organiza o cotidiano da família. A marcenaria desempenha papel fundamental em toda a casa. Na sala de estar, estantes com laterais móveis substituem os tradicionais painéis de televisão, formando um jogo de transparências e profundidades. Estruturas metálicas em tom corten dialogam com a madeira ripada, enquanto móveis suspensos em muxarabi acrescentam leveza e um delicado trabalho artesanal.

A suíte principal foi pensada como um ambiente contínuo e acolhedor, onde os painéis ripados de madeira integram armários, cabeceira de cama e áreas de apoio, criando unidade visual entre dormitório, banheiro e escritório. Já o quarto da filha aposta em uma atmosfera suave e atemporal. Madeira natural, palha e laca branca compõem um espaço delicado, pensado para acompanhar o crescimento da criança. Nichos, prateleiras arredondadas e soluções discretas (como o espelho camuflado na marcenaria), reforçam a funcionalidade sem abrir mão da leveza estética.

O segundo pavimento concentra a principal área de lazer da cobertura. Piscina, churrasqueira, sauna e espaços de convivência foram desenhados para servir como uma extensão da paisagem externa. A área gourmet recebeu cobertura em vidro e ripados de madeira, permitindo a entrada abundante de luz natural.
A piscina, revestida em pedra vulcânica Hijau, dialoga diretamente com o paisagismo tropical e com a vista do mar. Um banco linear em limestone acompanha sua borda, ampliando as possibilidades de uso da área externa. Já o percurso até a sauna é uma experiência sensorial, com jardim vertical, pergolado em madeira, fechamento em vidro e deck em muxarabi. “Outro destaque está no lavabo, criado como um elemento quase escultórico já que a pia monolítica em limestone surge entre a vegetação integrada ao piso, enquanto painéis em muxarabi escondem a porta de acesso e reforçam a atmosfera acolhedora do ambiente", explica Sebastian.

Além dos desafios arquitetônicos, a obra exigiu soluções estruturais complexas. Uma das principais foi a criação de um novo sistema para que o elevador atendesse diretamente a cobertura. O estudo estrutural permitiu acomodar os sistemas técnicos sem comprometer os ambientes internos e ainda possibilitou a integração da piscina à arquitetura da cobertura.
“Mais do que reformar uma cobertura, o projeto buscou traduzir um modo de viver. Criamos uma arquitetura que aproxima os moradores da natureza, valoriza a convivência e faz da casa uma extensão da experiência de estar à beira-mar”, finaliza Sebastian.
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