Assinada pela Mayresse Arquitetura, sob a direção do arquiteto Cadu Mayresse, a residência em Xangri-Lá revela como a matéria, a luz e a escala podem construir uma experiência silenciosa, sofisticada e profundamente conectada ao litoral gaúcho.

Casa Terroir: a arquitetura que transforma concreto, luz e paisagem em permanência
Texto: Revista Habitare · Fotos: Marcelo Donadussi
Há casas que impressionam pela forma. Outras permanecem na memória pela maneira como nos fazem sentir. A Casa Terroir pertence a esta segunda categoria.
Localizada no Condomínio Los Cobos, em Xangri-Lá, a residência assinada pela Mayresse Arquitetura, do arquiteto Cadu Mayresse, surge quase como uma extensão da própria paisagem costeira. O concreto aparente dialoga com a intensidade da maresia, enquanto os ripados desenham sombras que mudam ao longo do dia.
A aproximação acontece de forma silenciosa. A fachada é marcada por volumes precisos, linhas horizontais e uma materialidade honesta. Os painéis ripados em alumínio filtram a luz e preservam a privacidade das suítes.
Ao atravessar a porta de entrada, o espaço se abre em um único gesto. O pé-direito generoso amplia a percepção da escala e conduz naturalmente o olhar até a grande superfície envidraçada voltada para o jardim.
No centro desse cenário, uma escada helicoidal se transforma em escultura. Sua curva delicada rompe a ortogonalidade da arquitetura e cria um movimento quase orgânico dentro da residência.
A circulação acontece sem barreiras. Sala de estar, jantar, espaço gourmet e varanda formam um único ambiente contínuo. As esquadrias piso-teto desaparecem completamente quando abertas.
Do lado de fora, o deck em madeira amplia a experiência de convivência. A piscina com prainha reflete o céu do litoral, enquanto o espaço fogo convida a prolongar as noites de verão.
No pavimento superior, a arquitetura assume um ritmo mais íntimo. As quatro suítes se distribuem de forma reservada, tendo a suíte master voltada para a área da piscina.
Com 480 m², a Casa Terroir é um exercício de equilíbrio entre técnica e sensibilidade, onde cada decisão projetual nasce da relação entre funcionalidade, conforto e permanência.