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Casa Caju: onde a arquitetura abraça a essência de Trancoso

  • 27 de jul.
  • 3 min de leitura

Assinada pelo arquiteto Brunno Costa, a Casa Caju traduz o encontro entre a arquitetura colonial baiana, o design brasileiro e a natureza exuberante de Trancoso em uma residência pensada para acolher, contemplar e viver.


Texto: Revista Habitare Fotos: Antônio Soto



Há lugares que parecem desacelerar o tempo. A Casa Caju é um deles.


Localizada no Condomínio Altos de Trancoso, no sul da Bahia, a residência surge entre a vegetação como se sempre tivesse pertencido àquele cenário. A arquitetura não busca protagonismo sobre a paisagem. Pelo contrário, é ela quem permite que a natureza conduza a experiência, enquanto materiais naturais, texturas e luz revelam uma casa construída para ser vivida com calma.


Ao assumir o projeto, o arquiteto Brunno Costa encontrou uma obra em fase final de execução, mas distante da atmosfera desejada pelos proprietários. A partir de uma ampla revisão conceitual, redefiniu espaços, materialidades e soluções estéticas, preservando a estrutura existente e transformando completamente a identidade da residência.


A chegada acontece de forma serena.



O telhado colonial desenha a silhueta da casa antes mesmo da porta principal se revelar. Madeira, tons terrosos e elementos naturais estabelecem uma conexão imediata com a arquitetura tradicional da Bahia. Nada parece excessivo. Cada detalhe foi pensado para dialogar com o lugar.



Ao cruzar a entrada, o olhar é conduzido naturalmente para o grande living.


O pé-direito duplo amplia a percepção do espaço e revela a imponência da cobertura em madeira. Grandes pendentes artesanais descem suavemente sobre o vazio central, criando uma composição que equilibra escala, textura e acolhimento. A luz natural percorre os ambientes ao longo do dia, desenhando sombras sobre a madeira e aquecendo a paleta suave que define toda a residência.



A área social foi concebida como um grande espaço de convivência.


Sala de estar, jantar e cozinha gourmet compartilham o mesmo ambiente, permitindo que a casa permaneça sempre conectada. Os amplos vãos aproximam o interior do jardim, enquanto a piscina e os terraços passam a integrar naturalmente o cotidiano dos moradores.


No centro do living, grandes sofás organizam os espaços de encontro sem bloquear a vista para a área externa. Poltronas, bancos e mesas de centro completam a composição com leveza, valorizando a circulação e reforçando a sensação de permanência.


A mesa de jantar, produzida em madeira maciça por artesãos locais, ocupa posição de destaque. Com capacidade para doze pessoas, ela dialoga diretamente com a ampla ilha da cozinha gourmet, transformando o ato de cozinhar e receber em uma única experiência.



No mezanino, a atmosfera torna-se mais íntima.


Inserido durante a reformulação do projeto, o espaço abriga uma sala de TV integrada à área de jogos. Um ambiente pensado para diferentes gerações compartilharem momentos juntos, preservando a fluidez da arquitetura sem abrir mão da privacidade.

As oito suítes seguem uma linguagem mais silenciosa.


A decoração aposta em poucos elementos, privilegiando conforto, funcionalidade e materiais naturais. A madeira, os tecidos em fibras naturais e os tons claros criam ambientes que convidam ao descanso, permitindo que a paisagem permaneça protagonista.



Grande parte da identidade da Casa Caju nasce do trabalho artesanal.


Mesas, cabeceiras, bancos e objetos em madeira foram produzidos por artesãos da região, valorizando técnicas locais e conferindo autenticidade à residência. Entre essas peças surgem clássicos do design brasileiro, como as Poltronas Mole, de Sérgio Rodrigues, reforçando o diálogo entre tradição, contemporaneidade e cultura nacional.

A paleta de cores acompanha a própria paisagem de Trancoso.



Areia, argila, madeira e fibras naturais estabelecem continuidade entre arquitetura, interiores e jardins. Os limites entre dentro e fora tornam-se cada vez mais sutis, fazendo com que a natureza participe constantemente da experiência de habitar.


Com 745,68 m² de área construída em um terreno de mais de 2.500 m², a Casa Caju representa mais do que a reformulação de uma residência. Sob a assinatura do arquiteto Brunno Costa, o projeto resgata referências da arquitetura colonial baiana e as interpreta de maneira contemporânea, criando uma casa onde conforto, identidade brasileira e conexão com o lugar caminham lado a lado. O resultado é uma arquitetura que não apenas ocupa a paisagem de Trancoso, mas passa a fazer parte dela.



 
 

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