À frente da Cia das Fibras, Antonio Cunha e Alberto Dias construíram uma parceria empresarial baseada em perfis complementares e na valorização da tecelagem manual brasileira.

A sociedade que transformou o tear manual em um negócio de alcance internacional
Texto: Redação Habitare · Fotos: Christina Rufatto
Para compreender a trajetória da Cia das Fibras, é preciso começar pela sociedade que sustenta a empresa há 27 anos. Alberto Dias possui um pensamento essencialmente criativo, enquanto Antonio Cunha procura dar contorno operacional às ideias. Essa distribuição de papéis surgiu de forma espontânea e definiu a maneira como os dois passariam a conduzir o negócio. “O Alberto trazia toda a parte criativa, algo muito natural para ele. Eu vinha com o olhar da organização e da ponderação”, conta Antonio.
Antes desse encontro, suas trajetórias apontavam para caminhos distintos. Antonio atuava como dentista. Alberto havia trabalhado na Polícia Rodoviária e estudado design de interiores. A aproximação ocorreu quando reconheceram um perfil empreendedor em comum e perceberam que poderiam construir algo juntos. “O que nos aproximou foi justamente esse empreendedorismo que já existia em nós”, afirma Antonio. A complementaridade, identificada ainda no início, tornou possível transformar a disposição para empreender em uma sociedade duradoura.
Naquele momento, os tapetes artesanais ocupavam um espaço restrito no mercado brasileiro de decoração. A produção sob medida também era pouco explorada. Os primeiros contatos com arquitetos e designers de interiores mostraram que havia demanda por peças personalizadas e confirmaram a leitura dos novos sócios.
Os pequenos lotes comercializados em feiras paulistas deram origem a uma operação que hoje possui capacidade produtiva superior a 1.500 metros quadrados de tapetes por mês. A Cia das Fibras passou a atender projetos em todo o país e chegou ao mercado internacional.
O principal desafio estava contido na própria proposta do negócio: ampliar a operação preservando o caráter artesanal. “Quando trabalhamos com o manual e com artesãos, estamos trabalhando com arte e com artistas. A gestão precisa considerar isso e trazer um olhar mais humano”, diz Antônio.
A preocupação com a continuidade do ofício levou os sócios a criar uma escola preparatória para jovens aprendizes dentro da fábrica, em Campanha, no sul de Minas Gerais.
A produção permanece integralmente no país, sustentada pela confiança no design brasileiro e na capacidade dos artesãos. A sustentabilidade integra esse mesmo modo de pensar: o galpão foi concebido para aproveitar a iluminação natural e passou a operar com energia solar.
Passados 27 anos, a atenção de Antonio e Alberto se volta para aquilo que permanecerá. A longevidade dessa sociedade parece residir justamente aí: na capacidade de construir juntos algo feito para durar.