05/04/2018 — Texto: Divulgação | Fotos: Salvador Cordaro e Marco Antonio

Grandes nomes da arquitetura e dos interiores apresentam espaços para sonhar e se inspirar a partir dos clássicos – e novos clássicos – do cinema.

A Mostra Artefacto Decor+Cinema abriu as portas para o público no dia 1 de abril em Brasília. A mostra apresenta 12 ambientes assinados por 20 renomados profissionais, entre eles arquitetos e designers de interiores.

Com o tema a Sétima Arte, o universo cinematográfico e suas especificidades foram a inspiração para a criação de espaços intimistas e com personalidade, levando em consideração toda a expertise Artefacto.

A edição 2018 da Mostra Artefacto Brasília traz grandes clássicos do cinema mundial, entre eles La La Land, O Diabo Veste Prada, O Grande Gatsby, Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas, Tempos Modernos, Bonequinha de Luxo, Carmen Miranda, Marilyn Monroe, O Lobo de Wall Street, Cinema Paradiso, 007 – Contra Spectre e Cores de Almodóvar.

La La Land — Alf Arquitetura

Na escolha da homenagem a formação musical de André Alf foi de encontro à busca por uma obra leve, criativa e romântica. Mais precisamente, foi a cena de ‘La La Land’ em que os personagens interpretados por Ryan Gosling e Emma Stone cantam sobre um banco enquanto admiram o skyline e o céu estrelado de Los Angeles que ditou o ritmo do home theater de 40 m² feito com o auxílio da sobrinha Marina Lage, arquiteta que, assim como outros associados do escritório, trabalha com o tio em projetos especiais. Para projetar um ambiente íntimo, familiar e confortável e transmitir a sensação de estar em sua própria casa, a dupla inseriu um enorme telão – um dos destaques – junto ao igualmente grande sofá Maddox, que compõe com as mesas Drift em contraste aos puffs Lupion. Poltronas Fold, com um significativo detalhe de quartzito, desenham um livro aberto ao fundo. Detalhes de luz dão charme extra, e quadros desenvolvidos exclusivamente para o ambiente complementam o acabamento final.

O Diabo Veste Prada — Cybele Barbosa

Uma das cenas em que Miranda Priestly recebe a esforçada e competente jovem repórter Andrea Sachs em sua sala na redação da fictícia revista Runaway foi o quadro de ‘O Diabo Veste Prada’ que inspirou Cybele Barbosa. Junto à estética do escritório, a interpretação de Meryl Streep à frente da editora de moda, que, para a designer de interiores, representa uma mulher forte, bem-sucedida e de personalidade marcante foi determinante para a atitude buscada no espaço, onde se misturam tons neutros, referências clássicas, mobiliário arrojado e elementos de peso em uma sofisticação e contemporaneidade à altura da big boss. Nesta releitura, cabem nos 70 m² divididos entre sala, quarto e copa modelos como o sofá Linares, as poltronas Sin e Hemsley, a mesa Maya e o criado Drake.

O Grande Gatsby — Dora e Giovanini Lettieri

Para o quarto com sala íntima, Dora e Giovanini Lettieri escolheram o filme ‘O Grande Gatsby’, de contexto histórico marcado pelos embalos do frenético ritmo dos anos 1920 e pela tortuosa jornada em busca do sonho americano. A dupla considerou o destaque da figura feminina no espaço público, “fumando, dançando, sempre em movimento, evidenciando a ideia de maior independência e atividade” e da fragilidade entrelinhada de uma sociedade aparentemente progressista. Isto foi traduzido nos 41 m² do espaço, pela mistura de expressões artísticas, com a inserção de grafismos e de figuras cubistas, de cores vivas – como o vermelho queimado, o preto e o dourado –, e de elementos clássicos. Na decoração, as formas geométricas estão presentes até mesmo nos móveis, de geometrias mais abstratas e design contemporâneo e sofisticado, com tons escuros, espelhos e metais, basta observar o aveludado sofá Jean, que segue a tendência dos modelos curvos, e a cama Maschio, revestida no mesmo material em preto e com acabamento em metal bronze.

Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas — George e Júlia Zardo

George e Júlia Zardo, pai e filha, movidos pelo charme dos anos 1960 retrataram o ‘Bonnie & Clyde’. “Exibiu nas telas todo o charme da época que vivia o auge do estilo Art Déco” acredita a dupla. O cenário vintage transposto pela premiada fotografia da película foi o partido dos 90 m² do B&C Bar. “Existia o charme e a emoção de frequentar os bares proibidos”, dizem. Para seguir a linha de que “cada vez mais estar e receber em casa é preferencial na vida das pessoas”, e com a ideia de produzir um espaço intimista em mente, desenharam home theater, living e área para drinques que podem acomodar os moradores e visitantes em peças como as confortáveis banquetas Gin ou no abraço do sofá Antique. O mood é de tons escuros e iluminação dramática, moderada e aconchegante, ideal para a projeção de grandes imagens – como nas telonas. Uma enorme parede curva revestida com papel de couro falso cor de ameixa está pronta para receber cinco fotografias produzidas pelo fotógrafo brasiliense Bento Viana. Foi justamente a paleta de cores que mais caiu no gosto de George e Júlia: ela brinca com contraste e vivacidade diante da textura e do efeito de outros materiais.

Tempos Modernos — Juliana Leão

O ambiente da arquiteta Juliana Leão é pautado pela magia das histórias sem diálogos verbais, com o filme ‘Tempos Modernos’. “Quis homenagear um gênio do cinema mudo: Charles Chaplin”, diz. “O fato de passar uma mensagem sem precisar dizer uma palavra despertou meu interesse em fazer uma mistura de estilos”. Isso envolveu, no living de 50 m², aplicar uma mistura entre a importância da película dentre os clássicos da Sétima Arte com móveis contemporâneos e toques industriais. Para representar a estética das produções desbravadoras das telonas, optou por uma paleta P&B de mobiliário e acabamentos como partido. Nas salas de jantar e estar em que consiste o ambiente, incrementadas por modelos como o sofá Coquille, a mesa Zalla e as poltronas Phili, se destaca a mesa Halston com seu tampo inteiriço de 4 m em madeira com microtextura e traços marcantes sustentado por pés geométricos com acabamento rosê.

Bonequinha de Luxo — Larissa Dias

A arquiteta Larissa Dias buscou um espaço feminino que colocasse delicadeza nos detalhes de forma limpa e com linguagem simples e pura, para o que procurou películas em que houvesse mulheres fortes e suaves. Alcançou o objetivo com ‘Bonequinha de Luxo’, cuja reprodução de forma contemporânea argumenta em favor de um bom gosto atemporal. A intenção foi que o quarto de 38 m² fosse atraente pela beleza, pelo conforto, e pela reconhecida elegância da personagem interpretada por Audrey Hepburn. Os tons de cinza de Nova York pautaram o espaço, puxando uma urbanidade equilibrada por meio de painéis de madeira ripada nas paredes e no teto, mais acolhedores, e por uma feminilidade representada por detalhes dourados e tecidos na cor rosê. A fluidez desde o início requisitada se aplicou por modelos curvilíneos como a cadeira Filipa, a mesa lateral Aprilic e o sofá Oscar.

Carmen Miranda — MAAI Arquitetos Associados

Os profissionais do MAAI Arquitetos Associados, Monica Pinto, Arnaldo Pinho e Isabel Veiga, tomaram como partido para a vitrine do espaço a energia, a importância e o apreço pela figura de Carmen Miranda, cantora e atriz portuguesa que viveu seu auge entre as décadas de 1930 e 1950. “Carmen participou de 14 filmes no exterior e foi a primeira artista sul-americana a ser homenageada com uma estrela na calçada da fama”, justificam os profissionais. “Ela cantava para grandes públicos e tinha o trabalho muito prestigiado nos Estados Unidos, assim como a Artefacto, chique, elegante e também reconhecida fora”. Em alusão aos materiais utilizados à época e fazendo uma releitura desse tempo, trabalharam nas paredes do ambiente – estar, jantar, quarto e banho – lâminas de madeira pau ferro, além de tons que vão do cinza, passando pelo fendi, e chegando até o verde bandeira. Realçados por um projeto luminotécnico inteligente, preenchem ainda os 100 m² com graça e vigor peças como a poltrona Monovar, a mesa de chá Spin e o criado Berge arredondado.

Marilyn Monroe — Miguel Gustavo

Em sua primeira participação na expo, Miguel Gustavo se inspirou na personalidade marcante da atriz icônica Marylin Monroe ao conceituar as circulações e os três halls da Mostra Artefacto Brasília 2018. “Escolhi homenagear Monroe devido à força e expressividade de sua imagem, apostei em um projeto sóbrio, sofisticado e clean, assim como os filmes de Marylin”, explica. O projeto foi equacionado numa paleta de base neutra, em três tons de rosa mesclados ao branco, com iluminação dramática (tal qual como na Sétima Arte) que valorizou ainda mais a produção moveleira da grife como o sofá Memory, a coluna de jantar Crow e o aparador Rio.

O Lobo de Wall Street — Sérgio Borges

Encantado pela atmosfera nova-iorquina que emoldura a narrativa de ‘O Lobo de Wall Street’, de Martin Scorsese, a escolha da obra foi natural para o arquiteto Sérgio Borges, especializado em arquitetura corporativa. O storytelling foi materializado por aspectos como a sobriedade da combinação da madeira com o aço corten e a contraposição com elementos feito vidro, transparência e luminárias contínuas, marcando parede e teto e deixando uma área para entrar uma obra de arte atual que fosse totalmente contrária a uma estética mais comportada. Ainda enriquecem o espaço de 60 m² a coluna de jantar Indian, o cavalete Tower e a poltrona Theo II. O profissional destaca como um ponto forte o quadro do artista plástico Ricardo Munhoz, criado especialmente para a Mostra, e um casulo de madeira em que foi alocada a poltrona Pipo como uma espécie de trono.

Cinema Paradiso — Studio Gontijo

Gabriela Gontijo, com o apoio de Mariana Hummel e Plinio Barros, desenhou uma espécie de mini cinema. A inspiração veio do antigo cinema pertencente à família na cidade mineira de Bom Despacho. Hoje desativado, o então Cine Regina – batizado pelo avô em homenagem a uma das filhas – era o único que a cidade teve e levou muitas alegrias aos seus moradores. “O Cine Regina, que nos faz recordar do filme ‘Cine Paradiso’, é motivo de orgulho e de muitas lembranças boas. Está sendo um grande prazer homenagear a minha família nessa Mostra, em especial meu avô e minha tia Regina, e trazer um pouco da nossa própria história” atesta a profissional. Do espaço foram coletadas não apenas memórias e a trilha sonora da época, como elementos originais, feito letreiro, máquina de projeção, roleta, cadeiras de madeira, lentes, caixas com filmes, quadros de energia e certificado de censura. Além deles, há estruturas de suporte metálicas e de madeira, paredes em ripado de madeira e um teto de concreto ripado que formam a sala de reprodução de filmes e o banheiro, recheados por peças como o sofá Cartaya e as poltronas Savona e Arizona.

007 – Contra Spectre — Tatiana Estrela e Carla Ramos

As profissionais do escritório + Mais Arquitetura, Tatiana Estrela e Carla Ramos, que costumam optar por cores neutras bem combinadas e móveis confortáveis de forma pura e limpa, alocaram no ambiente peças como a mesa de jantar Cardona e as poltronas Mandarin III e Alvar para aludir à atmosfera de suspense de ‘007 – Contra Spectre’. “Decidimos fazer um ambiente mais masculino e a figura do agente secreto nos remete à sofisticação e luxo”, dizem. As menções se fazem de novo presentes nas cores: o preto remete à escuridão e o dourado, ao fogo. Das tomadas da película sobre o Dia dos Mortos, gravadas no México, saiu o quadro de caveira de Humberto Hermeto, enquanto a artista plástica brasiliense Sabrina Najar reproduziu nas paredes a planta baixa de uma Basílica e da praça São Pedro, no Vaticano, também cenários da trama. Ainda nos 70 m², o espelho faz a função do “espectro”, enquanto o piano no escritório lembra o visitante da emblemática música de abertura da franquia.

Cores de Almodóvar — Yeda Garcia

Fã das matizes intensas presentes na obra do mexicano Ricardo Legorreta, desta vez, Yeda Garcia mergulhou nas cores do diretor espanhol Pedro Almodóvar ao assinar o conceito do espaço. “Gosto dos cenários e das tonalidades fortes e ousadas presentes nas tramas almodovarianas”, pontua. O elegante ambiente de 72 m² é composto de estar, quarto e sala de banho onde brilham o mobiliário da grife como as mesas de jantar Lake as poltronas Belgravia e o fabuloso sofá Illi, que revestido no veludo em um incandescente vermelho escarlate roubou, literalmente, a cena do espaço.

Serviço

Mostra Decor+Cinema da Artefacto
Local: Artefacto
Endereço: Rua Shis Qi 21, Bloco B | Lago Sul | Brasília | DF
www.artefacto.com.br