Arquitetos usam o período do isolamento social para adaptar projetos corporativos e garantir mais segurança no retorno ao trabalho presencial

Em tempos de pandemia, não existe uma receita de bolo a ser seguida para um retorno 100% seguro ao ambiente de trabalho. É necessário avaliar cada tipo de empresa, levando em consideração não só a metragem dos ambientes como também o número de funcionários, quem são eles e com quem vivem em suas casas. A partir daí, um projeto de reestruturação poderá ser elaborado com a ajuda de um arquiteto para garantir o bom planejamento do espaço físico e o novo protocolo da empresa. Tudo isso para priorizar a saúde e o bem-estar de seus colaboradores.




Com sede em Niterói, o escritório Nop Arquitetura, comandado pelos jovens arquitetos Livia Ornellas e Philippe Nunes, precisou reestruturar dois grandes projetos corporativos que já estavam na reta final de execução, até que chegou a pandemia e as obras foram interrompidas, no dia 16 de março. Um deles é o escritório da nova unidade da All Investimentos (agência de assessores autônomos da XP), em Niterói, e o outro é o escritório-sede da Gold Energia, no Jardim Europa, em São Paulo.

O período do isolamento social que se impôs e em seguida acabou sendo usado pela dupla de arquitetos para fazer uma série de adaptações nos projetos originais das duas empresas em função das notícias que surgiam diariamente sobre a Covid-19. “As obras ficaram paralisadas até o final de julho, quando retomamos aos poucos, seguindo todos os protocolos recomendados pela OMS”, lembra Philippe.

Com 240 m², o novo escritório da All Investimentos, foi instalado em um prédio com esquadrias na fachada que já contavam com mecanismos de abertura, mas nunca eram usados porque o ar condicionado central ficava ligado o tempo todo.  Como a falta de uso emperrou esses mecanismos, tivemos que readequar as esquadrias para que voltassem a abrir e assim garantir a troca permanente de ar com o exterior”, explica Philippe. “Outra adaptação que fizemos diz respeito às portas, que antes eram painéis fechados. Com a pandemia, trocamos tudo por painéis de correr”, acrescenta ele.

As divisórias das salas que inicialmente seriam de vidro fixo duplo (para garantir privacidade e boa acústica nos espaços), do piso ao teto, também foram substituídas por painéis de correr, passando a privilegiar a integração dos espaços e a ventilação entre eles. Outro item de ajuste aconteceu no hall de entrada. Os arquitetos redesenharam a marcenaria, que antes era apenas de armários fechados, para incluir no lugar deles um aparador, que hoje serve de apoio para álcool gel, máscaras e aparelhos de aferição de temperatura. “O hall acabou virando um cantinho de sanitização, sinalizando os protocolos de ingresso na empresa”, conta Philippe. Já nos lavabos, os papéis de parede foram substituídos por azulejos cerâmicos, com estampas inspiradas na obra do modernista Athos Bulcão.

Mesmo com a pandemia, a área total da All Investimentos foi mantida, mas somente metade do mobiliário funcional previsto no projeto original foi montado para respeitar o distanciamento mínimo entre os colaboradores. A medida gerou alguns espaços propositalmente descampados e, das 24 estações de trabalho, restaram apenas 12, com 2,4m de distância entre cadeiras e 1,6m entre mesas. Os arquitetos também desistiram da ideia de usar uma grande mesa coletiva de trabalho, totalmente sem barreiras, inserindo no meio dela vários “biombos” baixos. O distanciamento do mobiliário dos lounges e salas de espera também aumentou e algumas peças chegaram, inclusive, a ser eliminadas. “Tudo isso porque a All optou pelo esquema de rodízios da maioria dos funcionários para evitar aglomeração no ambiente de trabalho, e home office permanente para alguns casos”, explica Livia.




Já no projeto do escritório-sede da Gold Energia (com 280 m²), no Jardim Europa, em São Paulo, estava previsto o uso de carpete em praticamente todos os ambientes. Com a pandemia, os espaços de convivência ganharam piso vinílico e o tijolinho de uma das paredes, com superfície porosa, foi substituído por um modelo cerâmico liso para facilitar sua higienização. “Neste caso, acabamos economizando, pois o tijolinho custaria 222 reais o m², enquanto a cerâmica saiu por 49 reais o m²”, revela Philippe. “Pelo mesmo motivo, também substituímos os papéis de parede por porcelanatos decorativos”, acrescenta ele.

Fora as adaptações impostas pela pandemia, os dois projetos também têm em comum um toque de informalidade e despojamento na decoração, seja pelo uso de cores, marcenaria ou seleção de parte do mobiliário, com direito a peças que lembram ambientes de casa, especialmente nos lounges. “Acho que conseguimos quebrar a sisudez típica das empresas que atuam nessas áreas, em especial no setor de finanças, e, ao mesmo tempo, inspirar seriedade e senso de organização tanto nos colaboradores como nos clientes finais”, conclui Livia.

Conheça mais projetos corporativos e residenciais do escritório NOP Arquitetura visitando o site www.noparquitetura.com.br ou o Instagram @noparquitetura