08/08/2016 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Acervo do Artista

Artista de Salto (SP) transforma as cores em sensações e sentimentos.

Evandro Schiavone se considera um observador por natureza. Para ele, a inspiração pode surgir de um livro ou até mesmo de uma simples conversa à mesa do jantar. “Para captar esses pequenos insights é preciso estar atento às coisas do dia a dia que mais chamam a minha atenção e despertam a curiosidade das outras pessoas”.

Natural de Salto (SP), Evandro viveu uma infância comum a toda criança no interior paulista, cercado pelas brincadeiras tradicionais do passado como peão e bolas de gude, mas presenciou o início dos brinquedos eletrônicos da década de 80. “Passava horas jogando Atari, boa parte disso na casa da minha avó paterna, onde morei por um bom tempo”.

Os primeiros desenhos foram cópias de gibis e criações para as capas dos trabalhos do colégio. “Na adolescência, com uns 13 anos, eu trabalhava como balconista na sorveteria dos meus avós, onde hoje funciona meu ateliê. Um cliente assíduo percebeu minha facilidade com o desenho e me presenteou com o livro Bíblia, a obra completa de Salvador Dalí. O contato com aquelas imagens foi transformador. Sem saber, eu tive ali a descoberta de um perfil psicológico e artístico análogo ao meu. Foi sorte isso ter acontecido tão cedo”.

Evandro se considera autodidata, no sentido acadêmico da palavra. “Frequentei vários ateliês de grandes mestres que admiro, a fim de adquirir conhecimentos técnicos para poder expressar melhor pictoricamente minhas ideias. Sobre o aprendizado, penso que o conhecimento é como um tubo de tinta novo que compramos e só será possível usufruir depois de adquirirmos. Os novos conteúdos são ferramentas a mais, que ampliam as possibilidades e enriquecem as obras”.

Conforme se descobria como artista, ele percebeu que os desenhos e pinturas, que lhe davam prazer em fazer, emocionavam as pessoas de alguma forma. “O reconhecimento foi acontecendo em paralelo aos estudos e às exposições, mas os primeiros passos são sempre mais difíceis”.

Diferente de muitos artistas, Evandro teve o privilégio, bem cedo, de exercer a Arte como sua única atividade. “Abri o ateliê aos 17 anos. Com dois anos de atividade, conheci Lurdinha Perina, uma consultora artística de uma editora de São Paulo, que tinha dois títulos especializados em ensino e divulgação de artes plásticas. Com o alcance nacional destas publicações, pude ver minhas pinturas além das fronteiras regionais. As publicações aconteceram a cada 4 meses, por 5 anos consecutivos”.

A exposição de seu talento levou a arte de Evandro a vários lugares, além da região de Salto, como São Paulo, Londrina e Belo Horizonte. Por dois anos seguidos (2010/2011), a bordo dos navios da MSC, ele passou por Uruguai e Argentina, pintando ao vivo e expondo.

“Tive também a satisfação de representar o Brasil em um evento de artes que acontece em Paris, uma exposição promovida pela associação nacional de Belas Artes da França, nas dependências do Museu do Louvre. Hoje, estou em exposição permanente na Marcelo Neves Art Gallery, que me representa em São Paulo”.

Evandro se declara um Artista Pintor. “Cerca de 80% das minhas obras são pinturas a óleo sobre tela, mas em alguns intervalos faço desenhos a pastel, caneta, lápis grafite e outras técnicas”.

Desenhista habilidoso, ele conta com um estilo inconfundível, que mistura formas, signos, representando materiais e texturas, brincando com luz e sombra, reflexos e transparências, compondo com objetos do passado e presente. Sempre com uma pitada de humor sutil, transformando brincadeira em coisa séria.

Sobre os temas que mais lhe interessam, ele destaca o universo circense, muito presente em sua obra. “Gosto da fantasia, do imaginário, as coisas que não poderíamos vivenciar sem a ajuda da arte. O universo lúdico me permite exageros. Não tenho compromisso com a realidade. Posso saturar a cor, fazer analogias com as formas e brincar com essa liberdade que o estilo me dá”.

“Os artistas figurativos me emocionam mais. Os surrealistas também, em especial pela estranheza que os objetos fora de contexto provocam. Gosto muito de Arcimboldo, Bosch, Magrite e do mestre Dalí”.

Sobre a presença das artes na arquitetura e decoração, Evandro considera que a relação estética entre o ambiente e a obra de arte é muito importante. “Presto muita atenção em tendências e tenho feito a montagem dos meus quadros com uma pegada mais contemporânea, apresentando a mesma pintura, mas com uma roupagem atual. Embora me veja mais ligado às pessoas e aos lares do que aos prédios, é na poética que rola minha emoção, onde me comunico com meus espectadores”.

“Vejo que o mercado está crescendo, com novos artistas e galerias surgindo. Para as Artes, é essencial que a economia vá bem, mas a Educação e Cultura também precisam acompanhar essa evolução”.

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