01/07/2016 — Texto: Tiana Ribeiro | Fotos: Acervo da Artista

Uma representante da arte contemporânea sustentável.

A artista Bia Doria tem na natureza a matéria-prima e o motivo de seu trabalho. Suas peças são identificadas por obras feitas a partir de resíduos de floresta de manejo, produtos sustentáveis e árvores nativas resgatadas em queimadas, desmatamentos, fundo de rios, barragens, entre outros. Suas criações são desenvolvidas com muita inovação dentro do que sua imaginação identifica como formas ideais da natureza. E, por isso, se autodenomina uma representante da arte contemporânea sustentável.

“Minhas esculturas são feitas com resíduo de madeira resgatado da natureza sofrida pelo desmatamento e queimadas, de áreas alagadas para barragens. Trabalho também com materiais provenientes de pedras, como o pó do mármore e o bronze. O feio destruído se torna belo!”

A arte contemporânea lhe aflorou naturalmente. Com a tradição do TIROL – entalhe em madeira enraizada na infância, sempre utilizou essa habilidade como um hobby no artesanato, da mesma maneira que tricotava blusas, crochê em panos de prato e bordados em seus vestidos. “Com o passar do tempo comecei a unir o incomodo das derrubadas das árvores com o termo sustentabilidade e passei a colocar as minhas ideias em prática através de esculturas. A arte brotou como intuição da revolta que sentia em ver as derrubadas na minha infância ao assistir todo o desbravamento da região onde nasci em Santa Catarina, que na época derrubar árvores era necessário para delimitar terras.”

Recria e transforma esses resíduos como se fossem diamantes lapidados, materiais difíceis de serem trabalhados e adquiridos.Necessitam de cuidados especiais, desde a higienização até sua preservação, portanto, é um demorado processo de elaboração.

Suas ferramentas: primeiramente, a intuição, depois os formões, espátulas para limpar a madeira, serrotes, escovões de aço, pincéis, maçarico, lixas e a força. O acabamento depende de cada peça, que pode receber pinceladas de vernizes, ceras, pigmentos, folhas de ouro e cobre e polimentos.

“Minha escultura é um tanto orgânica e dependendo do local aonde ela vai estar, dá a impressão de que está viva, realçando o ambiente. Talvez isso faça com que os profissionais coloquem minhas obras em seus projetos, pois a arte agrega valor à arquitetura. Além dos elementos do cotidiano no espaço, a obra de arte faz o papel de reflexão, faz com que a pessoa pare por um momento para a observação.”

Bia Doria tem como referência escultores como Auguste Rodin, Victor Breheret, entre outros, mas seu maior apego e admiração são por Frans Krajcberg, artista marcado pela guerra, a dor, o sofrimento, a angústia e os gritos desesperados da floresta incendiada, com quem ela encontrou força para avançar dentro de uma estética identificada com a sustentabilidade, onde a natureza é o ponto de partida e de chegada.

Nos seus 12 anos de carreira, a artista participou em São Paulo de várias exposições e mostras, incluindo MAC, MUBE, Salão de Arte, Pinacoteca Benedicto Calixto, entre outras.

Fora do estado de São Paulo, Bia também teve grande contribuição cultural, exemplo disso foi a exposição individual – Redesenhando a Natureza no Museu de Arte Contemporânea de Goiás – Centro Cultural Oscar Niemeyer – que teve grande repercussão no País.

Na 10ª Bienal de Firenze/Itália em 2015, a escultora não só representou o Brasil, mas também trouxe o prêmio na categoria escultura, e esse não foi o único convite internacional. Em seu currículo, Bia coleciona participação na Bienal de Padova, no Salon dês Artistes Indépendents Art em Paris/França, Exposição em Munique na Alemanha, Feira Internacional de Artes e Design em Seul/Coréia do Sul, Art Basel Miami – Gary Nader Fine Art Gallery em Miami/EUA.

www.biadoria.com.br