21/02/2017 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: José Victor Castedo

Quando deixou a pequena cidade de Taquarituba (SP), aos 17 anos, Jeffer Zion trazia muitos sonhos na bagagem, mas ainda não tinha ideia do mundo de possibilidades que podia criar com a sua arte.

“Venho de família simples. Meus pais moravam no sítio, mas desde garoto sempre me deram apoio. A única preocupação deles é saber que estou bem”.

Jeffer Zion nasceu Jefferson e adotou o nome artístico para criar uma marca e atrair boas energias. De origem hebraica, Zion significa ‘puro de coração’. “Desde que passei a assinar meus trabalhos como Jeffer Zion, muita coisa boa tem acontecido em minha carreira”.

“Adoro desafios e busco desenvolver obras personalizadas para cada cliente”.

Depois de uma temporada em São Paulo, de volta a Sorocaba, montou seu ateliê, um refúgio para criar sua arte e descansar entre uma viagem e outra. “Considero-me um artista de sorte por viver exclusivamente da minha arte”. Autodidata, sua técnica inclui pintura em óleo sobre tela e acrílico sobre tela. “Adoro pintar sobre lona de caminhão e usar em minhas criações materiais inusitados, como madeira, carvão, folha de cobre e folha de ouro, que dá um ar de sofisticação para a obra”.

Suas influências incluem desde artistas mais antigos até os contemporâneos. “Estudo muito a obra de Caravaggio, Michelangelo e Bernini. Entre os atuais, admiro o Vik Muniz e Frans Krajcberg, que também trabalham com materiais diferentes”.
“Gosto de projetos audaciosos, em grande escala.”

Além das telas, destacam-se também na obra de Jeffer Zion trabalhos ousados, como pinturas em 360°. “Procuro não desenvolver somente uma pintura, mas transformar o ambiente e integrá-lo à arte. Muitas vezes, penso como arquiteto e como engenheiro. Em uma capela particular, fui responsável pelo projeto completo, incluindo a iluminação e decoração do local”. Em sua primeira viagem à Itália, ele reproduziu uma pintura do século 17 em uma parede de 6,5 m da Trattoria Alla. “Gosto de projetos audaciosos, em grande escala”.

Hoje, sua obra ganhou o mundo e está em diversos países da Europa e nos Estados Unidos. “No Brasil, a galeria Vila Garden, em Itu (SP), da minha amiga e representante Stella Birolli, é o único lugar em que exponho o meu trabalho”.

Exclusividade é a palavra de ordem em toda sua criação. “Adoro desafios e busco desenvolver obras personalizadas para cada cliente. Isso exige ainda mais dedicação, mas hoje já posso dizer que conto com uma seleção de amigos e clientes que consomem e valorizam o meu trabalho como expressão artística e também pela minha trajetória”.

Há alguns anos, Jeffer adicionou um novo elemento à sua arte. “Convidado para uma mostra em São Paulo, pensei que seria mais um no meio da multidão e procurei criar algo para chamar atenção para meu trabalho. Como sempre gostei de pintar e de dançar, resolvi juntar as duas artes”. Assim, dedicou-se também às suas performances, que misturam muito ensaio e inspiração. Ele prepara figurino, maquiagem e coreografia de acordo com o evento. “São oito ritmos, mas o samba é o mais pedido, principalmente fora do Brasil”. Alguns podem ser vistos no YouTube.

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