24/09/2017 — Texto: Trovata Comunicação | Fotos: Marcelo Scandaroli

A conservação da essência das típicas casas de campo é o principal destaque desta residência, localizada na Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista (SP).

O projeto do arquiteto Miguel Pinto Guimarães, em parceria com a MADO Janelas & Portas, priorizou o conforto e o aconchego. Em 530m² de área construída, a casa apresenta predominância de elementos naturais, mesclados com tendências contemporâneas.

O partido arquitetônico do projeto trabalhou com a superposição de três blocos. O primeiro, formado pelos quartos de hóspedes, atravessa o terreno longitudinalmente separando o gramado do acesso de carros. O segundo, paralelo ao primeiro, abriga a cozinha da residência e se conecta com um muro aos fundos que esconde todo o resto das áreas de serviço e caseiro. O terceiro bloco, configurando um segundo pavimento, tem suas extremidades apoiadas sobre os outros dois blocos. Nele se localiza o apartamento íntimo do casal.

Nessa área, gerada logo abaixo do terceiro bloco, está o principal trunfo da residência: uma grande área de estar. Nela, grandes panos de vidro abrem o ambiente para o jardim frontal e para o jardim dos fundos, gerando quatro diferentes situações para serem usadas de acordo com as diferentes horas do dia, épocas do ano ou situações meteorológicas. Este agradável espaço de convivência pode ser usado fechado como sala de estar, totalmente aberto como uma varanda ou então integrado ao jardim da frente ou ao jardim dos fundos.

O jardim dos fundos é outro acerto. Ao contrário do grande gramado onde se localiza a piscina na frente da casa, este é intimista. É um pátio abraçado pela casa, configurando uma área mais reservada, protegida do vento, do sol da tarde que serve também de ligação entre a sala/varanda, a sala de televisão e o ateliê.

É uma casa que pode assumir várias configurações, projetada para se retrair e expandir, de acordo com o número de hóspedes, sem nunca perder o caráter de aconchego.

Ela pode ser usada em grande parte das vezes por apenas um casal, como se fosse um bangalô, que pode se isolar do serviço e também dos hóspedes, mantendo o seu domínio na forma de um aconchegante apartamento “palafitado” sobre uma grande varanda. A mágica, portanto, é reduzir a casa pela metade, quando esta estiver sendo usada apenas pelo casal, resumindo-a ao bloco transversal, formado pelo quarto do casal, sala e cozinha.

O quarto do casal também assume diversas configurações através de painéis de correr, que unem ou isolam os ambientes, conectando a sala íntima com a sala de TV, ao escritório e ao pequeno quarto.

A estrutura metálica foi escolhida por permitir os grandes vãos, necessários para evidenciar o gesto arquitetônico de blocos pousados uns sobre os outros. A ausência de pilares no vão central da sala de estar possibilitou que, recolhidas as esquadrias, esta seja transformada na grande varanda que faz com que o jardim rompa a arquitetura, atravesse a construção e se torne uno, atravessando o terreno de ponta a ponta longitudinalmente.

Os materiais naturais escolhidos, basicamente pedra e madeira, permitirão o envelhecimento e amadurecimento da residência com dignidade. Os blocos longitudinais, revestidos de pedra, em contato com o solo, foram projetados para serem superfícies para o desenvolvimento de heras ou trepadeiras, de forma a enraizar a arquitetura ao terreno, criando a simbiose que, com o passar dos anos, evidenciará o aceite da arquitetura por parte da natureza e a cumplicidade a ser assumida entre elas.

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