09/11/2017 — Texto: Divulgação | Fotos: Muniz Franca

A igreja, de arquitetura no estilo românico, levou 10 anos para ser construída na fazenda São Miguel, em Barbacena (Zona da Mata mineira), e precisou de 200 caminhões de pedras lapidadas para ter sua estrutura erguida.

A abadia de Sant’Egidio, construída em 1060 na comunidade de Fontanella, na cidade di Sotto Il Monte, Norte da Itália, foi reproduzida no Brasil e está aberta ao público desde outubro.

O Idealizador italiano, Marco Roberto Bertoli, contrariou as opiniões de especialistas que julgavam impossível reproduzir a igreja com técnicas presentes no projeto original milenar. Ele rodou o mundo e somente depois de muita persistência conseguiu o projeto original junto a um arquiteto do Vaticano.

O italiano montou uma escola de lapidação de pedras, no interior de Barbacena, para ser fiel à construção da igreja. Bertoli é também fundador da Sociedade São Miguel Arcanjo e explica que a obra foi um pedido de seu pai. “Assumi esse compromisso com ele há 17 anos. Mas, primeiro, terminei de construir todos os prédios da Sociedade para atender as crianças e os adolescentes que recebemos”.

De acordo com Bertoli, os anos de 2005 e 2006 foram dedicados à procura do projeto original. No início das obras, em 2007, o desafio foi encontrar o tipo e a quantidade necessária de pedra e também criar uma escola de lapidação, já que o Brasil não costuma adotar esse tipo de prática em suas construções. A construção foi finalizada neste ano e arquitetos mineiros trabalharam no projeto. Além da singular arquitetura, foram replicadas pinturas europeias que ornamentam o templo.

A igreja

Algumas das particularidades desse tipo de igreja são as doze colunas em sua estrutura, que representam os discípulos, e a espessura de 80 cm para cada uma das paredes. O altar é sustentado por quatro colunas redondas, simbolizando a universalidade da fé nos quatro cantos do mundo.

O capitel, uma peça decorativa no fim da coluna, tem um papiro na parte alta que expressa a sabedoria, e as folhas de acanto na parte baixa traduz os espinhos da vida, repassando a mensagem de que só têm sabedoria aqueles que sabem viver com os espinhos da vida. As portas, fechaduras e tachos de ferro forjado reforçam o cuidado com os detalhes.

Ainda foram reproduzidas no interior da igreja quatro importantes obras europeias, a fim de presentear os brasileiros com algo que até então só poderia ser visto no velho continente. Produzidas pelos artistas Sérgio Prata e o Franciscano Marcelo Dos Santos, as pinturas são reproduções da Imaculada Conceição de Gianbattista Tiepolo (1767); A divina Pastora, de Illiam-Adolphe Bouguereau (1893); São Miguel Arcanjo, de Loverini (Santuário Mariano, Pompei, 1891) e Jesus Misericordioso, de Eugênio Kazimirowski (1934).

Características

Colunas:

As colunas são doze, número da perfeição. São seis de cada lado, tendo o crucifixo no meio, representando o cenáculo.

Capitel:

Peça decorativa no final da coluna. Tem um papiro na parte alta simbolizando a sabedoria e folhas de acanto na parte baixa, simbolizando os espinhos da vida: somente tem sabedoria aqueles que sabem viver os espinhos da vida.

Simbologia da luz:

A luz natural que penetra na igreja representa a essência da fé: somente Cristo é a luz, enquanto nos permanecemos na sombra. Desta forma a primeira luz do dia, ao nascer do sol, entra pelo óculo central ou janela circular e ilumina o Cristo do lado oposto da parede. No final do dia, no pôr do sol, a luz entra pela fissura do meio (que representa o Pai) da semi cúpula central e ilumina o filho que está no Ostensório em cima do altar.

Janelas:

As janelas de igrejas românicas eram minúsculas para tornar as igrejas verdadeiras fortalezas, protegendo a comunidade – que em caso de perigo se trancava dentro delas – dos ataques inimigos.

O altar:

Quatro colunas redondas o sustentam, representando a universalidade da fé cristã, nos quatro cantos do mundo.

A fonte batismal:

Originalmente tendo três degraus, cada degrau representando um dos três dias da ressurreição de Jesus, de sexta a domingo. Assim, ao ser batizado, o cristão ressuscita para a nova vida.

As três janelas da semicúpula central representam a Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.

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