Texto: Cobogó – Relações Públicas | Fotos: Fran Parente

No coração do bairro dos Jardins, em São Paulo, os profissionais do escritório CR2 Arquitetura desenvolveram um projeto de residência para um casal de meia idade e uma filha. Moradores do bairro, eles gostariam de seguir vivendo ali, mas não mais em um apartamento. O terreno encontrado, em uma pequena rua, abrigava uma cozinha industrial que ocupava 100% do lote. Essa construção não tinha nenhum valor arquitetônico e nenhuma preocupação com insolação e ventilação. Partiu daí a ideia de um projeto que seria um mini respiro na paisagem urbana.

A grande caixa de concreto do primeiro pavimento é o conceito da casa. Nessa caixa foram feitos rasgos, criando vazios que iluminam, sem devassar a intimidade dos moradores dessa casa, que fica no coração de um bairro predominantemente de prédios. Os vazios são preenchidos por jardins exuberantes e contemplativos, que podem ser vistos de todos os ambientes, criando uma conexão visual entre térreo e primeiro pavimento. Outro ponto importante nessa conexão é o pé direito duplo da sala de estar, que permite uma compreensão clara da casa.

O uso de vigas invertidas foi a solução estrutural encontrada para que a laje do primeiro pavimento fosse vista do térreo, reforçando a identidade da caixa em concreto. Essa escolha também permitiu que toda a tubulação do segundo pavimento passasse entre piso e laje. A localização da casa no lote visa aproveitar ao máximo a insolação, já bastante limitada pelo entorno. No andar inferior está a parte social da residência: de um lado o bloco fechado do lavabo. Do outro o bloco da cozinha e área de serviço. Entre eles, abertos, sala de estar e jantar.

Todo o pavimento tem piso de granilite, abandonando a sensação de estar dentro ou fora da casa. Uma parede de cobogó amarelos faz a separação da garagem para o jardim. No andar superior tem três suítes e uma sala de televisão, além de uma varanda com pergolado, resultado de um desses recortes na caixa de concreto flutuante.

A escada, no meio da sala, foi adotada como um elemento plástico e escultural em si, solta de tudo, servindo como uma proteção visual de quem ingressa na residência, bloqueando parcialmente a visão do que está acontecendo na sala.

Trata-se de um projeto com fortes referências modernistas, pelo concreto, planta livre e elementos vazados, mas com uma pegada mais contemporânea e atual.

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