Texto Marcelo Navarro

A imagem que um apaixonado viajante, como eu, pode reter das Maldivas é a de um dos derradeiros paraísos da Terra. Praias de areias brancas, águas cristalinas e quentes, palmeiras e muito sol são os quesitos mais que necessários para cativar turistas do mundo inteiro. Para mim, um emocionante e surpreendente lugar. As ilhas estão situadas ao sudoeste do Sri Lanka, na linha do Equador, próximas à Índia.

Elas são o verdadeiro paraíso para quem sempre sonhou com uma esfera desértica e paradisíaca, como também para deslindar as ocultas belezas do mar, porém meu principal objetivo nessa fantástica viagem foi apreciar a ousada engenharia e arquitetura moderna, ímpar no planeta, contudo romanticamente flutuante. Para mim, o paradisíaco cenário trata de um convite irrecusável para relaxar e me sentir em total êxtase. Esse merecido descanso pode ser realizado em algumas das mais de 1192 ilhas, 202 delas ainda inabitadas.

Foto: Mac Qin

A cultura local me encantou. A maior cidade e capital das Maldivas é Malé, onde residiu e governou o rei com o título de Príncipe de Treze Províncias, berço de palácios da dinastia real na antiguidade. Hoje, Malé sedia o governo e centro de negócios, comercial, empresarial e educativo. Tem uma população de aproximadamente 80 mil pessoas, correspondendo a um terço da população do país. Ao contrário do que se possa imaginar, a cidade encontra-se praticamente 100% urbanizada, é uma das mais povoadas do mundo.

Malé, capital das Maldivas

As ilhas oferecem uma imensa gama de hotéis, desde os mais simples aos mais sofisticados. Dentre eles, os mais glamourosos são edificados com bangalôs em cima das águas, o que mais me causou um fascínio especial. O tentador é que a maioria deles disponibiliza pacotes all inclusive, ou seja, com refeições e bebidas à vontade durante toda a hospedagem.

Um hotel convidativo, com águas tranquilizantes, para quem deseja passar momentos inesquecíveis, ou até mesmo a lua de mel, é o Anantara Dhigu Maldivas, que se distancia a 35 minutos de lancha do Aeroporto Internacional de Malé. Nesse inusitado paraíso, pude vivenciar momentos de puro regozijo. Na verdade, esse Resort dispõe de elegantes Bangalôs à beira-mar e sobre a água no sul de Malé Atol. Os quartos do hotel oferecem luxuosas hospedagens flutuantes sobre o Oceano Índico, com vista cinematográfica, um panorama deslumbrante.

Hotel Anantara Dhigu Maldivas

É fato que nós arquitetos nunca nos desligamos da profissão. Tudo é contemplado, então, mesmo estando a passeio, nada escapou de minha ótica profissional, seja a edificação do homem ou a criação da Natureza, e tudo que lá tenha presenciado, apesar de técnicas simples, surpreenderam-me. Tive a oportunidade ímpar e prazerosa de acompanhar a construção de alguns bangalôs suspensos. Exceto a estrutura em concreto ancorada à areia ao fundo mar, toda a construção se resume a madeira, seja no piso, no fechamento das paredes ou no forro. A cobertura, por sua vez, é composta por estrutura de madeira, manta térmica e recoberta com sapês.

Um bangalô em processo de construção. – Fotos: Marcelo Navarro

Mas, àqueles que buscam mais que requinte e beleza, existe o Ithaa, hotel em que as suítes ficam embaixo das águas do Índico, para hóspedes que se dispõem a pagar US$ 11.710 por noite. Impressionei-me com toda a estrutura do restaurante, feita em terra firme e inserida no oceano em um único pedaço, pesando 175 toneladas, obra que custou em torno de US$ 5 milhões. Ithaa, termo que significa pérola na língua Divehi, das Maldivas, é constituído por um vidro transparente de 125mm de espessura, um ambiente, cujo espaço delimita-se a 9m de comprimento e 5m de largura, mas que permite aos clientes vislumbrar um cenário único, os cardumes de peixes nadando naturalmente e com tranquilidade.

Restaurante do Hotel Ithaa

Previsões do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, da ONU, indicam que até o fim do século a água dos mares suba até um metro, acarretando o “fim das ilhas Maldivas”! Para que esse paraíso não seja perdido, cientistas da organização não governamental BluePeace já estudam soluções, como construir barreiras artificiais para impedir a invasão do mar. Outra alternativa, um processo mais eficaz, com o qual eu concordo, é reforçar o recife exterior, com blocos volumosos, propiciando que os pequenos corais comecem a cobri-lo, aumentando ao longo dos anos.

Seja para uma almejada e programada lua de mel ou merecido descanso propiciado pela natureza local, com massagens ao ar livre, vale a dica: Desfrutar das mais belas paisagens aliadas ao requinte, charme e ao conforto dos hotéis de Maldivas não tem preço, é pura renovação espiritual.