Texto: Rock Zanella | Fotos: FG+SG Architectural Photography

Não busquemos classificações para o seu caso, visto que Weinfeld é uma personagem que não se repete nunca, que se recusa ao comodismo, que abusa dos elementos e não admite rótulos ou clichês nem para si e nem para o conjunto de sua obra. Metáfora redundante e pleonasmo dodecafônico citarmos os seus feitos, dar nome às belíssimas residências, aos glamorosos restaurantes, aos cinematográficos prédios assinados pela sua autoria e suas ideias fabulosas que dão forma a objetos e se enamoram da sétima arte. Isay transcende o voo livre da arquitetura e se lança ‘além’ em seu escritório inclassificável enquanto ‘homem de Cultura’ – segundo a definição exposta em seu próprio website, Weinfeld (graduado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e discípulo de gigantes como Aurelio Martinez Flores) mantém um escritório de caráter “multidisciplinar” completo, com projetos de edificações, interiores, mobiliário, cenografia e de cinema.

“Arquitetura tem que causar infartos!”

Na sétima arte, filmou em parceria com Marcio Kogan (amigo inseparável) o longa-metragem “Fogo e Paixão” (que tem no elenco artistas como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Tônia Carreiro, Rita Lee, Regina Casé, Fernanda Torres, Sérgio Mamberti e Nair Bello), considerado pelos críticos um dos pontos altos do cinema brasileiro na década de oitenta. Deixou sua marca também na cenografia dos palcos nacionais em grandes espetáculos, merecedores do prêmio Shell. Sua assinatura deu vida aos divertidos e minimalistas objetos de arte e decoração como a linha de móveis intitulados Huguinho, Zezinho, Luizinho, além do pequeníssimo bar Timbó, biombos, poltronas, mesas e sofás. A genialidade de sua criação acompanha todo o conceito de suas obras – a começar pelos nomes que intitulam as mesmas e pelos quais ficaram reconhecidos internacionalmente: Casa Branca, Cinza, Marrom, Casa D’água, Pau Ferro, Brasília, Inglaterra, Grecia, Iporanga, Morumbi, Pinheiros, Santo Amaro, Sumaré, Suécia, Yucatan – tal cosmopolitismo transpassa as suas construções e enlevam de poesia a sua arquitetura.

Atualmente, Weinfeld escolhe a dedo os projetos a serem por ele executados, visando o perfil do cliente e a identificação com as suas ideias e visão de mundo – poder criar livre e intensamente é o que o leva a aceitar convites para obras que o permitam não se repetir nunca – foi assim com o mundo corporativo no qual rabiscou os projetos das lojas da Forum no Rio e em São Paulo, das Sandálias Havaianas, da loja Karina Duek, do Banco Luso Brasileiro, do Clube Chocolate, das Livrarias da Villa, das redes de restaurantes e hotel Fasano, Ruggero, Mocotó, da ultra-psicodélica Danceteria Disco, e do Midrash (Centro de Cultura e Transcendência de Congregação Judaica no Brasil) que cataliza com elevado ponto de convergência a máxima atemporalidade de sua obra. O mural na fachada do Midrash, na cidade do Rio de Janeiro, imaculado e branco, desenhado com as letras do alfabeto hebraico, personifica a visão de poder do absoluto e do infinito na forma de sua obra cabalística.

Premiado em todas as áreas citadas e na qual atua brilhantemente, Weinfeld dispensa títulos e flerta com o internacional contemporâneo sem deixar de ser brasileiro, sendo ele mesmo o assunto e a teoria da nova arquitetura que invade os grandes e exigentes mercados do mundo – de Londres a Punta del Leste, de São Paulo a Nova York, ele se impõe tal qual um Coringa que nos surpreende e nos choca com a sua modernidade, o seu arrojado censo de equilibrio, a sua ousadia e o seu pluralismo etno-cultural resumido ao mesmo tempo em uma simplicidade espantosa – “Luxo na arquitetura não é diferente do luxo na vida. Luxo é ter em sua casa aquilo que te deixa feliz.” Assunto nas mais respeitadas publicações especializadas (New Yok Times, Arena Homme, Interni, AD Alemanha, etc), Isay continua a provocar incessantemente o nosso olhar. Não existem limites para o evento “Isay Weinfeld”, os títulos acumulados e o academicismo suplantado de seu alter-ego de Arquiteto falam pouco diante de sua insistência em nocautear incessantemente o espectador e defrontá-lo sempre com um choque – de um ataque cardíaco que arrebata o coração dos mortais que paralisam infartados frente ao seu gênio cabalista.