Texto: A4&Holofote Comunicação

Reconhecida como a maior e melhor mostra de arquitetura, decoração e paisagismo das Américas, a CASA COR esteve literalmente em festa para sua 30ª edição. Tendo como tema para 2016 a celebração do morar brasileiro, o evento criou experiências que inspiram, emocionam e transformam a casa como um verdadeiro espaço para celebrar a vida. Veja um pouco do que foi mostrado lá.

Foto: Marco Antônio

Calçada Urbana — Michel Farah

O conceito do projeto foi baseado no projeto da calçada em frente à mostra, assinado por Michel Farah. Com isso, o canteiro central da avenida Lineu de Paula Machado ganhou plantas resistentes às intempéries. Na calçada, ainda é possível ver um oásis de descanso, com bancos de madeira, e um paraciclo para quem chegar de bicicleta.

Foto: Evelyn Müller

Jardim da Recepção — Alalou Paisagismo

O jardim foi elaborado com a mesma linguagem da arquitetura da recepção, para a integração dos ambientes. O jardim é bastante moderno, com linhas retas em piso drenante, intercalando cores como cinza-claro, cinza chumbo e preto. Além disso, conta com uma grande variedade de espécies vegetais existentes e tombadas, com ondas verdes com arbustos em diversas tonalidades, tamanhos e texturas, resultando em um jardim mais homogêneo e equilibrado. Para completar, uma escultura de madeira maciça em forma de cubo, além de um grande banco para as pessoas se sentarem na entrada ou saída da visita e uma mesa antiga de madeira.

Foto: Marco Antônio

Pavilhão da Recepção — Otto Felix

O ambiente de 75 m² abrirá a principal mostra de decoração da América Latina apresentando a arquitetura desconstruída como parte essencial da decoração e do conceito do espaço. Ou seja, a estrutura da casa desenvolvida pelo arquiteto campineiro integra o visual do espaço de forma natural e bela. Pelo lado de fora, as formas desiguais da construção cobertas por placas de titânio, que podem variar em tons de cinza de acordo com a luz do dia, chamam a atenção pela ousadia e irreverência. Dividido em três ambientes, os visitantes poderão conferir um espaço equilibrado. É lá também que os profissionais de imprensa poderão trocar figurinhas, realizar entrevistas ou mesmo descansar um pouco em uma das peças assinadas que ambientarão o lugar. Logo na entrada, os visitantes compram seus bilhetes e têm a opção de guardar os pertences para curtir a mostra com mais tranquilidade.

Foto: Vinni Del Poço

Praça Eliane — Alex Hanazaki

Envolvido pelo conceito do brutalismo sincronizado com o tropicalismo brasileiro, o arquiteto paisagista Alex Hanazaki apresenta um conceito paisagístico atemporal na criação da Praça Eliane. No espaço de mais de 450 m², é possível ver um jardim flutuante composto pelos elementos naturais água e fogo e diversas espécies de plantas, com produtos especialmente criados pelo profissional em parceria com a marca Eliane Revestimentos, como porcelanatos, revestimentos e seixos com aspecto fosco. O projeto equilibra os revestimentos com aspecto fosco e rigor estético leal às pedras naturais em perfeita harmonia com elementos naturais e plantas nativas – como o icônico e característico pau-brasil.

Foto: Vinni Del Poço

Hall / Biblioteca — Roberto Cimino e Nelson Amorim

A entrada principal da CASA COR 2016, elaborada por Roberto Cimino e Nelson Amorim, abriga um grande Hall / Biblioteca com sala de leitura e office e recebe uma coleção do melhor da literatura brasileira modernista, assim como uma incrível coleção de obras de artistas plásticos brasileiros modernistas e concretos – Tomie Ohtake dos anos 60, Mauricio Nogueira Lima (1962), Ismael Nery, Leon Ferrari, Hércules Barsotti, escultura de Victor Brecheret, entre outros – em contraponto com arte tribal de fibra do alto Xingu. O pé-direito duplo permite que as duas torres/estantes de livros revestidas de madeira ebanizada dividam o espaço criando os ambientes laterais: a sala de leitura e a sala office no lado oposto. O totem do hall central tem base de madeira e vidro até o teto e permite ao público um contato visual próximo a um desenho com formas orgânicas de Tarsila do Amaral.

Foto: Marco Antônio

Living e Jardim de Inverno — Dado Castello Branco

Nesta edição, o Living e o Jardim de Inverno trazem a assinatura de Dado, que dividiu os 120 m² em dois ambientes em espaços com multifunções, já que há no Living uma biblioteca com escrivaninha e um espaço de leitura com café, que oferecem momentos de relaxamento no terraço. A ideia é priorizar o conforto e o bem-estar, e para isso foi utilizada uma paleta de cores que trouxesse sobriedade e tranquilidade, com tons de bege, branco e cinza. A presença de luz natural também é bastante aproveitada no espaço. O arquiteto traz ainda uma mistura de mobiliário que vai do moderno ao contemporâneo, com peças da Etel, Arnaldo Danemberg Antiquário, Passado Composto, Casual Móveis, Vermeil, Loja Teo, além de marcenaria exclusiva pela Fênix Marcenaria, tecidos Celina Dias, Vitrine e Empório Beraldim e lustre Juliana Benfatti.

Foto: divulgação

Galeria Grassi — Fabio Morozini

O ambiente escolhido foi uma galeria de entrada, com um pé-direito de 4 m e extensão de 25 m por quase 3 m de largura, conferindo ao mesmo tempo a imponência e a exclusividade desejados, juntos ao impacto visual grande aos visitantes da mostra, lembrando o Palácio Grassi, em Veneza. Como é uma galeria de entrada/passagem, a grande diferença está no piso, em branco e preto com um desenho desenvolvido especialmente para o local. O espaço conta com mobiliários desenvolvidos pela Artefacto, algumas peças de antiquário da Christie Móveis, grandes obras de arte da Galeria André (Tomie Ohtake, Manabu Mabe e Arcangelo Ianelli) e Altitude Galeria (Lufe Gomes), além de uma superfoto produzida pela Fast Frame exclusivamente para esse projeto, de uma gôndola veneziana de 5 m de comprimento. Um dos lustres é um Baccarat século 19 com frutas de cristal âmbar, e o outro um Force, da La Lampe.

Foto: Marco Antônio

Living da Praia — David Bastos

Com um clima leve, aconchegante e com espaços amplos que proporcionam o merecido descanso, David Bastos criou uma atmosfera arquitetônica atemporal, harmonizando características do estilo contemporâneo com a rusticidade, elegância e conforto da madeira nobre, que reveste as paredes e está presente nas peças e nos detalhes que pontuam a concepção. A sala de convivência de 55 m² possui três ambientes integrados, sendo um apoio de bar, uma varanda e um living, que fazem alusão aos momentos de interação, descontração e lazer.

Foto: Marco Antônio

Banheiro Unissex 1 — Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge

Os arquitetos cariocas Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge, à frente da Artis Design +, fazem sua estreia na mostra com o ambiente que ganhou uma apresentação especial nesta edição. O espaço conta com um amplo espelho que reflete o jardim com galhos secos e pedras, aplicado em frente à bancada de mármore, além de contar com cores mais fechadas, como cinza, marrom e preto, e soluções de sustentabilidade nos metais sanitários com duplo fluxo de água, descarga inteligente e sensor de sabonete. O grande detalhe do projeto é a disposição da bancada da pia, que fica solta no espaço.

Foto: Divulgação

Circulação — Luciana Kreimer

O menor ambiente da mostra se apresenta de forma aconchegante e charmosa, com ares de biblioteca. Para isso, foi feita uma homenagem à cidade de São Paulo, com uso de paleta de cores com os tons branco, preto e vermelho. Nas paredes, os móveis do Arnaldo Danemberg Antiquário se unem a um tecido listrado em um bonito conjunto.

Foto: Marco Antônio

Sala do Apartamento — Tenório

A inspiração desse ambiente veio das fotos da fotógrafa americana Francesca Woodman. A sala de estar do arquiteto conta com paredes e piso originais do Jockey Club, servindo de base para uma eclética decoração, que traz mobiliário italiano, peças de desenho autoral de Tenório e obras de arte, além de um painel de jacarandá.

Foto: Marco Antônio

Estúdio do Casal — Clarisse Reade

O ambiente de 30 m² foi criado com clima aconchegante para funcionar como um refúgio do casal, um ambiente privado onde eles podem trabalhar, ler e receber amigos íntimos para um bate-papo. O casal é apreciador de arte e literatura, o que é refletido pela estante alta com muitos livros e as paredes repletas de obras. O tom azul-escuro das paredes traz aconchego ao ambiente e o uso de poucos pontos de iluminação no teto e maior utilização de luminárias soltas completam o cliente. A ideia de pintar a estante com a mesma cor da parede é para ela se camuflar e assim ressaltar os livros e objetos, que contam a história do casal e que foram adquiridos pela vida afora.

Foto: Romulo Fialdini

Espaço das Interlocuções — Pedro Lázaro

Nesse projeto podemos encontrar um ponto marcante: o contraste do concreto bruto das paredes, que se relaciona com o balcão revestido de ouro metalizado. Além do sino de bronze do século 2 a.C., junto com as cerâmicas de Máximo Soalheiro. Esse ambiente, assinado por Pedro Lázaro, expressa as diferenças da natureza do ser e tem sua atmosfera criada a partir do barroco mineiro.

Foto: Salvador Cordaro

Gabinete de Criação — Patricia Anastassiadis

O ambiente é inspirado na mãe da arquiteta, Dora Openheim, escritora, artista plástica e designer de moda. Com o objetivo de resgatar a história do lugar, que antigamente funcionava como ambulatório, a arquiteta manteve detalhes originais e preservou ao máximo a arquitetura do prédio, garimpando azulejos de demolição, por exemplo, material que reveste a maior parte das paredes. Com isso, Patricia espera proporcionar aos visitantes uma memória afetiva do patrimônio. No projeto, destaque para a cristaleira e composição de mesas de pedras brasileiras, desenhadas exclusivamente para a mostra, além de peças de design, como a mesa Wireframe, de Piero Lissoni, poltrona Letizia, de Gastone Rinaldi para a Poltrona Frau, sofá Argand e poltrona Poline, de Patricia Anastassiadis para a coleção 2016 da Artefacto, escrivaninha Svolta, do Empório Beraldin, e cadeira inglesa do século 19 do Arnaldo Danemberg Antiquário. A inspiração para a paleta de cores utilizada foi a casa do designer de moda Mariano Fortuny, em Veneza. Todo o piso do ambiente, assim como o teto, possui revestimento de madeira da Indusparquet com paginação escama de peixe. Já o piso da entrada é da Concresteel.

Foto: Marco Antônio

Galeria do Colecionador — Maicon Antoniolli

O ambiente de passagem valoriza a arquitetura histórica do ambulatório do Jockey Club, utilizando dois materiais: concreto aparente e compensado naval, resultando em um percurso aonde o visitante descobre, aos poucos, enquadramentos e perspectivas diferentes do caminho.

Foto: Vinni Del Poço

Tributo aos 30 — Roberto Migotto

O living glamouroso e elegante com ares de biblioteca é assinado por Roberto Migotto, que comemora, assim como a CASA COR, 30 anos de carreira. Por isso, o nome do espaço também remete à década de 1930, tempo do designer francês Jean- Michel Frank. Junto do sócio Ricardo Minelli, Migotto desenvolveu um ambiente contemporâneo e relaxante, com a maioria dos móveis sendo composta por peças da sua nova coleção, lançada nesta edição da mostra.

Foto: Marco Antônio

Sala Íntima — Alexandre Dal Fabbro

Com uma sala que traduz o verdadeiro sentido de conforto e funcionalidade, Alexandre Dal Fabbro iniciou seu primeiro projeto na CASA COR, a Sala Íntima, um espaço de 21 m² inspirado no Rio de Janeiro e composto por uma decoração leve e neutra, que vai do areia ao cinza. Conceitual, Alexandre escolheu para o projeto uma peça multifuncional que pode atuar tanto como aparador, biblioteca e lareira quanto como um apoio ou bancada para computador. Entretanto, o real protagonista do ambiente é o grande e despojado sofá Montenapoleone, idealizado para aqueles momentos de lazer com os amigos ou mesmo para um dia de preguiça. Sobre a arquitetura, embora o projeto começasse com o desafio de produzir um ambiente em meio a quatro vigas, Alexandre optou por não negar esse elemento estrutural, e o incorporou ao projeto, produzindo um jogo de volumes aliado ao pé-direito alto na maior parte do espaço.

Foto: Marco Antônio

Saleta do Hobby — Julio Dantès e Marcelo Cohen

Em 10 m², Julio Dantès e Marcelo Cohen se uniram para mostrar que é possível esbanjar elegância e abusar do cinza e preto. A Saleta Íntima do Hobby é o menor espaço da CASA COR 2016. O hobby, no caso, é a fotografia, ponto de partida para toda a decoração da saleta. Uma seleção de fotografias preenche a parede diante da estante, com temas e cores diversas. O amarelo dá o arremate e é puro contraste, pontuado apenas em nicho da estante e no tapete blue night da By Kamy, desenhado pelos arquitetos exclusivamente para a mostra. Para cumprir a função de ampliar o espaço, um espelho pouco tímido não poderia deixar de estar presente, refletindo um autêntico Baccarat. Complementam o local móveis da Breton e Brentwood, iluminação cênica da Puntoluce e os ventiladores da Gerbar, com a assinatura de Ruy Othake.

Foto: Marco Antônio

Home Office — Patricia Hagobian

O ponto de partida desse espaço foi um personagem muito culto, com gosto eclético de leitura, apreciador da arte, filmes clássicos e com grande conhecimento do mundo. O projeto foca não só no trabalho, mas também na pesquisa e leitura. O grande destaque é uma estante de madeira, e o ar intimista do ambiente é expresso na iluminação focada nas obras de arte.

Foto: Rafael Gap

Cinema em Casa — Bruno Gap

Como um homem caseiro, o arquiteto Bruno Gap adora chamar amigos para curtir o final de semana em casa. Por isso, prefere chamar sua sala de cinema de sala de entretenimento. Enquanto alguns jogam na mesa de jantar, outros podem cozinhar ou assistir a algum filme no sofá desenhado por ele mesmo. Tudo, em um mesmo ambiente influenciado pela cultura escandinava, com tons neutros nas paredes e móveis, mas com elementos coloridos, como almofadas, flores e obras de arte.

Foto: Romulo Fialdini

Loft do Campo — Paola Ribeiro

O loft requer um casal com muita intimidade, já que a única divisória do espaço é de vidro espelhado, que esconde o banheiro. A grande bancada de madeira com laca verde começa como apoio de cooktop, depois se torna mesa de jantar até alcançar a outra ponta, destinada ao home office. Embora encontre objetos campestres, o toque contemporâneo está presente em detalhes como uma luminária de estilo industrial, do designer Jader Almeida.

Foto: Salvador Cordaro

Quarto da Menina — Très Arquitetura

A estante desse quarto é o ponto alto do projeto, feita de madeira americana na cor castanha, com linhas ortogonais que proporcionam um movimento potencializado por nichos ora cheios, ora vazios. O desafio do projeto foi trabalhar uma marcenaria complexa com um tablado para apoiar a cama de uma maneira atemporal e uma estante de linhas ortogonais, espaços cheios e vazios e diferentes materiais e texturas que se complementam. A paleta de cores e texturas é composta pela madeira nogueira, pintura metalizada cobre e diferentes tecidos nos tons cinza, cru e rosê. Agregado à estante, um balanço, para os momentos de estudo e também para os momentos de descontração. Na bancada de estudos, há tudo para o dia a dia: um espaço para estudar, maquiar-se e expor as vontades e desejos através de um mural bem atualizado com referências de lifestyle, viagens e amizade. Um grande espelho e uma boa poltrona para leitura complementam os pontos de interesse desse quarto, que é um grande refúgio da menina.

Foto: Salvador Cordaro

Sala da Família — Thiago Manarelli e Ana Paula Guimarães

A inspiração das cores desse espaço vem de uma viagem recente dos arquitetos a Estocolmo, com tons leves como rosa seco e verde-água. Diferentes elementos se mesclam, como as peças de antiquário e obras de arte contemporânea, trazendo aconchego ao ambiente, dando a sensação de que os moradores possuem muitas histórias.

Foto: Salvador Cordaro

Suíte do Casal — Catarina e Renata Hermanny

O Studio Hermanny, estreante na mostra, estampa um mix contemporâneo no espaço, marcado pela sofisticação e requinte da arquitetura predominante do local, o Jockey Club de São Paulo. Catarina e Renata apresentam em 62 m² uma solução funcional para acomodar hábitos prazerosos de um casal que aprecia leitura, música, artes e jogos. O ambiente possui uma arquitetura atemporal, ideal para o público exigente que circula na exposição em busca de novas ideias no mundo do décor.

Foto: Evelyn Müller

Quarto do Bebê — Michele Luz

O Palácio de Versalhes é a grande inspiração de Michele Luz para o Quarto do Bebê, que destaca a nobreza ao mesmo tempo em que torna leve a austeridade do castelo francês, com o uso de off-white tanto nos móveis quanto nos revestimentos escolhidos pela mineira. Nas paredes, arabescos em 3D dão o tom lúdico ao espaço, que traz grandes cubos de madeira e um abajur no formato de um cavalo, um lustre de cristal e enxoval de seda.


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