Texto: Ludmila Moron

A 15° Bienal de Arquitetura de Veneza, com curadoria do vencedor do último prêmio Pritzker, o arquiteto chileno Alejandro Aravena, foi acima de tudo um convite para pensar a arquitetura do limite e a arquitetura do possível.

É a curadoria que dá o tom, como em toda mostra, claro, mas este ano a escolha do arquiteto sul-americano foi um ponto fora da curva! Clichês ou não, seja pela origem ou pelo seu histórico profissional, ele não poderia fugir de temas tão comuns a nossos olhos, o que fez sentir-nos em casa ao analisar os problemas de zonas degradadas, mas também satisfez ao lembrar-nos de um dos aspectos mais lindos da arquitetura: a capacidade de inventar. Em geral, foram apresentados projetos com poucos recursos financeiros, mas com muitos valores humanos.

Uma lição que podemos aprender com esta edição da bienal é que a arquitetura projetada para situações extremas tem que se basear na simplicidade, pois precisa encontrar soluções rápidas, contando na maioria dos casos apenas com os materiais mais básicos e quase universalmente acessíveis, como a terra, água, tijolos e argamassas, muitas vezes os únicos disponíveis!

Segundo o curador, a grande lição desta bienal é lembrar que a arquitetura existe para diminuir o sofrimento humano.  Desse ponto de vista, até o conceito de sustentabilidade foi interpretado a partir do benefício que traz diretamente para o homem, para não incorrer no risco, como aconteceu em Istambul, que ao usar aço reciclado nas construções teve como resultado a perda de vidas após o terremoto.

Ten Years Later, the Woodcutter Made it in Venice, pelo GrupoTalca

O desafio para o GrupoTalca é resignificar um lugar usando a arquitetura, deixando Pinohuacho, uma pequena comunidade nas montanhas do sul do Chile, manter seus habitantes e tradição sem desistir do desenvolvimento. A escolha do material, a mão-de-obra disponível e o artesanato transformam uma tradição arcaica em um processo de construção simples e direto, dando grande qualidade à construção e ao local.

Bambu, o Aço Vegetal, pelo colombiano Simón Vélez

Vélez tem defendido o uso do bambu em projetos públicos, substituindo outros materiais menos adequados, por ser  econômico, renovável, extremamente resistente e de fácil acesso.

Lightscapes, pelo estúdio alemão Transsolar

Uma iluminação praticamente sem custos obtida através de orifícios no teto que permitem a entrada de luz solar convida-nos a refletir sobre a utilização dos recursos naturais e vernaculares.

Breaking the Siege, pelos paraguaios da Gabinete Arquitectura

Uma forma de construção sustentável para um mundo em constantes mudanças e migrações.

Makoko Floating, pelo holandês Kunlé Adeyemi

Um protótipo de escola em estrutura de madeira montada sobre uma superfície flutuante para zonas alagáveis ou comunidades isoladas pela água, que poderia ser montada com uma pequena quantidade de perfis diferentes e poucas ferramentas.

The Pool, pelo estúdio australiano Aileen Sage Architects

O estúdio utilizou a piscina como plataforma para explorar a relação entre a arquitetura e a identidade cultural australiana. Aprimorar a acessibilidade deste espaço é uma questão que vale a pena abordar: a piscina é mais do que um lugar para nadar, é um lugar para as pessoas se reunirem e compartilharem experiências, destacando valores comunitários.

Moron Cavallete Arquitetura
www.moroncavallete.com