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Edição Nº 34 - Ano 2011

Habitart

UMA ARTE NOBRE - A transformação do imperfeito


Giz, desenho, maçarico, sonda elétrica e um inutilizado recipiente de ferro “made in China” jogado em uma nascente; esses são alguns dos ingredientes encontrados no ateliê do artista plástico Alexandre Aguilera. É assim que se expressa, hoje, o artista plástico que realiza uma arte engajada e ‘antenada’ com os novos desafios da humanidade. “Não é uma onda, que vem e passa, é realidade”, comenta Aguilera sobre suas convicções e ideologias que exigem, além de consciência, muita coragem para enfrentar a indiferença e a desvalorização por parte de alguns desavisados.

“O meu trabalho é resultado de constante pesquisa com vários materiais, técnicas e possibilidades estéticas, utilizo como base o ferro, o alumínio e a madeira, todos resgatados do lixo e transformados em peças de arte. Tento expressar em minhas obras a transformação do imperfeito em um conjunto de leveza e riqueza em detalhes.”


Arte também é a expressão de uma cultura e de uma época e com ela deve dialogar sempre e, muitas vezes, à arte é pedido além de diálogo, respostas. Muitos artistas foram chamados e ficaram encantados com a possibilidade de, através da sua arte, oferecer ao interlocutor uma oportunidade de reflexão que vai além da mensagem estética, levando-o a pensar no coletivo. Aguilera sentiu esse chamado e há 4 anos vem sensibilizando e conscientizando as pessoas com sua arte.

Parte dos materiais que utiliza é encontrada em terrenos baldios, parques, ferro-velho, enfim, jogados fora sem o menor critério e consciência. Tirar esses objetos do meio ambiente já é uma atitude nobre, mas transformá-los em objetos úteis e belos é realmente uma arte – uma nobre arte.

“Não herdamos a terra dos nossos pais,
pedimo-la emprestada aos nossos filhos” Provérbio dos Índios Lakota Sioux

Seu principal instrumento de trabalho é o maçarico - podemos dizer que seu pincel é o maçarico e suas tintas são o fogo. As peças que nascem desse processo alquímico ganham várias dimensões e, muitas delas, voltam ao meio ambiente natural – jardins, por exemplo - e assim, com chave de ouro, fecha-se o ciclo de vida de um produto que foi considerado por alguém inútil e perturbador.

Os ferros retorcidos e derretidos com o calor do fogo são transformados em contornos de animais - racionais ou não - e carregam em si significados além dos visíveis. O pesado ferro voa com asas de borboleta, se insinua numa silhueta feminina e brinca saltitante à espera de um beijo um pequeno sapo. A arte de Aguilera nos remete e provoca um pensamento fantástico existente nas fábulas.

Alexandre Aguilera
15 3217.3947
http://alexandreaguilera.blogspot.com

Textos e fotos Fabiana Santa Joaquim

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