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Edição Nº 33 - Ano 2011
Por Silvia Leandro | Fotos Alexandre Maciel (MacielPhotos)
Ideia implantada em condomínios e prefeituras soluciona a destinação de resíduos verdes e os transforma em adubo.
Diante da destinação atual dos resíduos verdes (podas de árvores e jardins), muitas vezes com a disposição em áreas não licenciadas, a situação preocupante enfrentada por muitos condomínios tem sido resolvida com uma ação local, que dá destino adequado e mais sustentável aos resíduos.
A solução desenvolvida pelo “Pé de Planta” foi a implantação de um sistema para a reciclagem do resíduo verde, gerando adubo orgânico, através de um processo chamado compostagem, definido como a “transformação dos resíduos por processos bioquímicos”, explica Felipe Pedrazzi, Diretor Técnico do “Pé de Planta”.
Como funciona o projeto de compostagem?
O processo inicia com a coleta de todos os resíduos verdes, como troncos caídos, restos de poda e folhas encontradas nas dependências do condomínio. Esse material é levado para um local reservado para este trabalho, onde é triturado para diminuir o volume e, consequentemente, o espaço de armazenamento, visto que o volume pode ser reduzido em até 60%.
O próximo passo é montar as leiras (pilhas de compostagem) onde vão permanecer por dois a três meses. Essas leiras são cobertas com lonas para manter a temperatura e a umidade, e são molhadas periodicamente. Nesta etapa, organismos como fungos e bactérias se formam nos resíduos, gerando, inclusive, calor. A temperatura pode chegar a 75°C! A cada 15 dias, as leiras são reviradas para oxigenar o material, passando o conteúdo de baixo para cima e vice-versa.
O ponto certo do composto
Após duas fases de compostagem, o aspecto visual modifica-se e o produto adquire uma coloração mais escura e cheiro de terra molhada. Na primeira fase, a temperatura chega a 75°C e na segunda ela abaixa, aproximando-se da temperatura ambiente.
O uso do adubo
O adubo (ou composto) produzido pode ser aplicado no paisagismo das áreas comuns do condomínio, nos jardins dos moradores e também no plantio de mudas para a recuperação de áreas, atividade realizada pela instituição.
Tudo surgiu quando a ONG vinha trabalhando em um projeto desenvolvido com o intuito de indicar melhores práticas para a construção, que incluía o ciclo de vida ambiental da argila, areia, uso correto da água e qualificação de materiais com melhor desempenho ambiental.
Foi neste período que os integrantes da ONG perceberam a necessidade de uma prática mais abrangente em relação ao ambiente construído, exportando práticas melhores das obras para os condomínios. “Trata-se de uma visão mais abrangente do uso e ocupação do solo urbano” ressalta Diogo Fragoso, Diretor de Comunicação da instituição.
Para contabilizar a economia ambiental mensal, somente em Sorocaba são 500m³ (84 caçambas) de resíduos verdes que deixam de ir ao aterro sanitário. Esta alternativa traz redução de custos aos munícipes, amplia a vida útil dos aterros, reduz a emissão de CO2 pelo transporte e, principalmente, produz um composto orgânico para a recomposição de solos de excelente qualidade.
Condomínios como solução para problemas ambientais
Dentre as diversas iniciativas de compostagem de resíduos verdes realizadas na região, destacam-se os condomínios Vivendas do Lago, na cidade de Sorocaba, onde o trabalho é realizado integralmente pela equipe “Pé de Planta” e o Condomínio Village da Serra, em Araçoiaba da Serra, onde o “Pé de Planta” realiza a qualificação da mão de obra do condomínio para a produção do adubo e faz o acompanhamento mensal das atividades.
Ainda na proposta para a sustentabilidade de condomínios, o projeto contempla outras diretivas que são implantadas por módulos gradativos, como a gestão e o manejo de resíduos, alimentação saudável, hortas e pomares orgânicos, destinação de lâmpadas fluorescentes, drenagem, transportes, gestão de energia e gestão de lagos e riachos.
Outros projetos desenvolvidos em Sorocaba e região
Além do projeto “Condomínios Sustentáveis”, o “Pé de Planta” realiza a recomposição de áreas degradadas ou desflorestadas com vegetação nativa, incrementando a biodiversidade nos municípios e promovendo a neutralização das emissões causadas pelas indústrias e meios de transporte.
Entre 2010 e 2011, já foram plantadas 70.000 árvores nativas, recompondo a vegetação em área equivalente a 42 campos de futebol, absorvendo aproximadamente 3.150 toneladas de CO2, emissão equivalente à queima de 1.179.775 litros de óleo diesel, combustível suficiente para um caminhão rodar 235.955 quilômetros!
Em parceria com universidades locais, como UFSCar e PUC-SP, o “Pé de Planta” realiza estudos científicos para a melhoria dos processos de compostagem, plantios e desenvolvimento de métodos de avaliação adequados para medir e monitorar suas atividades.
Lâmpadas fluorescentes: o que fazer com elas depois de queimadas?
Outro desafio enfrentado pelos municípios, empresas e indústrias acaba sendo a destinação de lâmpadas fluorescentes. Econômicas e duráveis, por um lado, por outro lado, possuem mercúrio e pó fosfórico, que prejudicam o ambiente, caso sejam descartadas inadequadamente.
Como solução, o “Pé de Planta” desenvolveu um programa para sua coleta e destinação, com um equipamento móvel aprovado por padrões internacionais e certificado tecnicamente pela CETESB.
A ideia é que todos os condomínios participem desta caminhada sustentável, inclusive com a coleta de outros itens que podem ser reciclados, como óleo de cozinha, pilhas, baterias, alimentos e outros.
Saiba mais em: www.pedeplanta.com