24/08/2017 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Divulgação

A Selva de Pedra nunca mais será a mesma. Se depender do Movimento90°, o verde estará cada vez mais presente na cidade de São Paulo, trazendo vida para uma paisagem urbana tão acostumada com um visual de concreto e aço.

Fundada em 2013, pelo paisagista Guil Blanche, que permanece à frente da empresa como Diretor Executivo, o Movimento90° surgiu como um manifesto.

“A primeira ideia era mostrar como a cidade poderia ser transformada por meio da instalação de jardins verticais em empenas cegas, partindo da vivência no Minhocão e na região central, que concentram muitas dessas fachadas sem janelas”, contou Natasha Asmar, diretora de operações do M90.

“Na região central, São Paulo tem apenas 2,6 m2 de área verde por habitante, enquanto que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de, no mínimo, 12 m2.
Com um amplo levantamento, mapeamos que a maior parte das empenas cegas está concentrada nas avenidas e criamos o conceito de Corredor Verde, uma ocupação sequencial de jardins verticais.
Ocupando esses espaços, portanto, seria possível criar cerca de 2.800m2 de novas áreas verdes nas cidades sem ocupar nenhum espaço horizontal, tão escasso na região”.

O projeto-piloto foi feito em 2013 em parceria com uma marca. À época, tornou-se o maior jardim vertical da América Latina. Em 2015, teve início a construção do Corredor Verde do Minhocão, que hoje tem quase 5 mil m2 de jardins verticais. Atualmente, está em fase final o Corredor Verde da Avenida 23 de Maio, que terá quase 11 mil m2.

Benefícios incontáveis

Segundo Natasha, os efeitos dos jardins vão muito além da estética.

“Os reflexos são sentidos em curto prazo, com benefícios imediatos nos locais onde são instalados. Em regiões centrais, onde não há espaço para plantio de árvores, eles contribuem para reduzir a temperatura (no edifício onde está instalado e nas ilhas de calor de centros urbanos), a poluição sonora e do ar. Para a saúde pública, ajudam a reduzir o estresse, problemas cardíacos e respiratórios, entre outros. Também são uma ferramenta importante de requalificação urbana, como vemos no sucesso da iniciativa do Corredor Verde do Minhocão”.

O Movimento 90° atua tanto na escala pública quanto na privada, trabalhando também com projetos comerciais e residenciais.

“Os Termos de Compromisso Ambiental são específicos para alguns corredores da cidade que já foram mapeados, como o Minhocão e a 23 de Maio. Sendo assim, qualquer projeto desse contexto pode ser incluído, contanto que tenha condições de acessibilidade que viabilize a instalação de um jardim vertical e atenda a todas as exigências legais e a própria aprovação do condomínio”.

“Quando uma incorporadora recebe uma multa ambiental, é decidido como essa compensação será feita dentro das opções estabelecidas pelo Decreto 55.994. O jardim vertical é uma das possibilidades. Todo o processo de aprovação é feito em paralelo com o condomínio que receberá o jardim vertical e com a Prefeitura, responsável por aprovar os projetos e fiscalizar a obra”.

Natasha explica que a escolha da vegetação é pensada de forma a filtrar o máximo de poluentes tóxicos e, ao mesmo tempo, que tenha a melhor capacidade de se adaptar às condições de cada muro onde será plantada.

“Também levamos em conta a relação das espécies uma com as outras para que possam se complementar e criar um ecossistema próprio nos jardins vegetais”.

Manutenção e poda

Para os Corredores Verdes, a irrigação é feita com água de reuso.

“Ela é recolhida e reutilizada através de gotejadores acionados remotamente, com calhas que recolhem e a fazem circular constantemente pelo sistema fechado. A tecnologia desenvolvida pelo Movimento 90° não causa infiltração nas paredes onde são instalados, porque as placas são colocadas com espaçadores e ficam 10 cm distantes da parede. O material é impermeável e imputrescível, garantindo a circulação do ar entre a parede e o jardim”.

A manutenção é bem simples, feita com adubação diretamente na irrigação e, a cada dois meses, controle de pragas e limpeza fitossanitária.

“Nos Corredores Verdes, a incorporadora responsável pela implementação do jardim é encarregada pela sua manutenção nos primeiros 6 meses, no caso do Minhocão, e por 3 anos no caso da 23 de maio. Depois disso, a iniciativa privada pode adotar os jardins para mantê-los, em contrapartida recebe o direito de posicionar sua marca na base do jardim vertical, assim como acontece com as praças horizontais da cidade”.

As placas que recebem os jardins verticais são chapas ecológicas, 100% recicladas, feitas de laminados de alumínio pós-consumo e plástico de embalagens. O Corredor Verde do Minhocão, por exemplo, permitiu que mais de 62,5 toneladas de material fosse reciclado através do uso dessas placas ecológicas em sua estrutura. O Corredor da 23 de Maio reciclou 163,7 toneladas de lixo.

“Sempre gostamos de lembrar que não acreditamos que os jardins verticais sejam uma substituição às árvores, mas um complemento a elas. Cidades com problemas complexos, como São Paulo, têm que pensar em soluções diversificadas para enfrentar tantos desafios: os jardins verticais são mais uma”.

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