11/08/2016 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Rui Antunes

Por sua beleza, resistência, maleabilidade e por seu aspecto natural, o bambu é utilizado há milênios pelos povos asiáticos.

A preocupação com o meio ambiente levou a arquitetura ocidental a olhar o bambu como uma alternativa menos agressiva e mais sustentável.

Para conhecer um pouco mais sobre o tema, conversamos com Mara Castro, que há anos desenvolve um trabalho muito elogiado utilizando o bambu em projetos de construção e decoração. “Por ser resistente e durável, o bambu pode ser utilizado na construção civil, como viga, caibro, ripa, telha, dreno, piso e revestimento. Se for tratado adequadamente, ele pode durar tanto quanto uma madeira de lei”, declarou Mara.

Segundo ela, o material também não apresenta implicações poluentes em sua produção, amenizando assim o impacto dos processos industriais que agridem o meio ambiente. A aplicação do bambu como material de construção, substituindo integral ou parcialmente materiais convencionais, como a madeira, pode contribuir ainda para a diminuição do desmatamento das florestas nativas.

“Existem mais de 1.200 espécies de bambus espalhadas pelo mundo, mas no Brasil ainda não se aproveita todo o potencial dessa planta, tanto as espécies exóticas quanto as nativas. As exóticas (gêneros Bambusa e Dendrocalamus) foram trazidas ao Brasil por colonizadores portugueses. Outras (gêneros Sasa e Phyllostachys), mais recentemente, por imigrantes asiáticos”. De acordo com Mara, quando a planta atinge de 2 a 4 anos de idade, o bambu já pode ser cortado e utilizado.

“O bambu pode ser utilizado inteiro (assim funciona como isolante térmico natural) ou filetado (formando esteiras, painéis, cestos, etc.). Coberturas e telhados podem ser feitas com bambus tratados, autoclavados e protegidos com produtos especiais contra brocas e fungos. Existem também outros tratamentos. Um deles é a técnica de Boucherie, em que se substitui a seiva por um composto químico, formado por cloro, cromo e boro”.

Segundo pesquisas feitas pelo arquiteto Edoardo Aranha (Unicamp), se tratado adequadamente, o bambu pode apresentar durabilidade superior a 25 anos, equivalente ao eucalipto. “Na minha opinião, o bambu combina com todos os materiais, como ferro, alumínio, madeira, vidro, concreto, etc. Para fixação dos bambus, existem várias técnicas, como amarração, encaixe e parafusos. Tudo depende da aplicação. Para o acabamento, o bambu pode ser pintado com esmalte sintético ou simplesmente um verniz naval”.

Para concluir, Mara defende que o manejo sustentável é ótima iniciativa para a produção de bambus de qualidade, com controle e conhecimento de origem. “Uma vez que se corta o bambu, outro cresce rapidamente captando CO2 do ambiente. Aprender como plantar, tratar e utilizar corretamente o bambu é a melhor maneira de se conseguir bons resultados”.

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