31/08/2017 — Texto: Cobogó Relações Públicas | Fotos: Fran Parente

Localizado em um edifício do início do século XII em Paris (França), o Studio de apenas 19 m², adquirido por uma família de brasileiros no ano 2000, passou 15 anos sem uma reforma, estando do jeito encontrado na hora da compra: carpete, cortinas e móveis em tons de rosa emprestavam um ar de pitoresca decadência ao imóvel.

Passada mais de uma década, os escritórios CR2 Arquitetura e FGMF Arquitetos se juntaram para assinar um projeto mais funcional e prático para os novos usos do espaço. Em uma localização privilegiada, o Studio encontra-se na Île de la Cité, em um edifício construído em 1118 e reformado em 1849.

Studio funcional para viajantes

O Studio abriga os proprietários nas suas frequentes visitas à cidade e, quando não ocupado por eles, é alugado para turistas ávidos por uma experiência menos convencional para conhecer a cidade.
Para tanto, a reforma deveria deixá-lo funcional, prático e contemporâneo, mas sem perder sua identidade. E, claro, tudo isso sem esquecer do budget reduzido e do prazo curto para a reforma.

“A ideia era tornar o studio atrativo e, para isso, ele precisava ser prático, econômico e, de certo modo, neutro, capaz de se adequar a diferentes usuários”, explica a arquiteta Clara Reynaldo, sócia da CR2 Arquitetura.

O carpete rosa deu lugar a um piso em madeira clara – por se tratar de um edifício muito antigo, não permitia grande flexibilidade para a passagem da tubulação hidráulica e elétrica, o que determinou algumas soluções aparentes.
As pesadas cortinas saíram de cena e persianas elétricas foram colocadas na parte externa das janelas – que precisou ser aprovada pelo condomínio, já que o prédio é tombado.

A cozinha, que antes estava dentro de um armário, ficou completamente aberta e mais funcional. E o antigo armário com portas deu lugar a uma estante aberta na cor cinza com poucos volumes fechados na cor branca: uma escrivaninha, armário para cabides e gavetões para roupa de cama.

A escolha dos móveis foi norteada para reduzir o número deles ao mínimo, por isso, os arquitetos optaram por modelos compactos e versáteis.
“Tudo se move, se transforma de alguma forma. Apenas o banheiro permanece fixo”, conta Lourenço Gimenes, sócio do FGMF Arquitetos.

Engana-se, no entanto, quem pensa que a premissa do baixo custo determinou essa visão tão depurada da decoração. Para os arquitetos, toda simplicidade foi uma imposição do próprio espaço.
“Afinal, para que sofisticar, quando, da janela para fora, Paris está lá, com todo o seu esplendor?”, conclui Clara.

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