01/07/2016 — Texto: Tiana Ribeiro | Fotos: Elson Yabiku

Um projeto desenvolvido pelo arquiteto Gustavo Simoneti e pela designer de interiores Claudia Simoneti, levando-se em conta as prioridades da família, de se manter a privacidade e ao mesmo tempo aproveitar a área verde que o terreno oferecia, preservando parte das espécies vegetais existentes no local.

“A ideia inicial era fazer o máximo de integração da área interna com a externa da casa. Foi a partir de um eixo principal que se realizou a subdivisão entre a área privada e a área social”, nos conta Gustavo.

Assim, foi criado um eixo dividindo a área dos quartos e a área de convívio, onde foi incluído o escritório em patamar mais elevado e ampla sala que se liga à cozinha. Toda a extensão da sala recebeu uma laje inclinada, bem definida,  e atrás dela foi setorizada a área serviço, compondo um segundo eixo de integração. “Esse seria o conceito principal: setorizações e integração do interior com o exterior”.  Externamente, encontram-se a área gourmet, piscina, área de descanso e o charmoso ateliê da proprietária.

O projeto não teve um estilo definido. Teve, sim, um pouco de resgate das casas tradicionais, através do uso de telhado com telha cerâmica e da madeira, lembrando um pouco a casa do interior. Mas, ao mesmo tempo, esse projeto propôs um recurso muito contemporâneo do ponto de vista funcional, pela setorização, pelos grandes vãos e pela modulação estrutural bem definida. O ponto chave do projeto foi justamente saber integrar as duas coisas: a funcionalidade contemporânea com lembranças de umas casas mais tradicionais.

Uma parede de tijolo aparente, com pé-direito duplo,foi um dos elementos para compor o projeto, bem como as esquadrias de madeira com vidros transparentes, que remetem a uma casa de campo e trazem o exterior para dentro. A combinação de porcelanatos em tons claros manteve a mesma linguagem e garantiu a sensação de bem-estar em todos os ambientes da casa.

Já no projeto de interiores, Claudia Simoneti contemplou os tons claros no mobiliário e tapetes, ressaltando apenas alguns detalhes em tons mais chamativos. A proposta foi a combinação de alguns itens mais contemporâneos com outros mais rústicos, na madeira bruta, respeitando a linguagem arquitetônica do projeto.

A casa é muito bem iluminada naturalmente, pois é toda aberta. À noite, a iluminação é valorizada por belos lutres, pendentes e arandelas, estrategicamente posicionadas.

A ventilação também foi bastante estudada, razão pela qual o arquiteto fez uso da laje inclinada, já que a diferença de nível permite a saída do ar quente e a entrada do ar fresco, mantendo o conforto térmico dos ambientes, dispensando o exagero no uso de aparelhos de ar-condicionado.

O terreno possuía declividade superior a 6 metros, então seriam necessários vários cortes para se conseguir implantar a casa e, por se tratar de casa térrea, era desaconselhável muito desnível. Tarefa difícil para o arquiteto Gustavo, mas o resultado foi bem satisfatório. Outro grande desafio foi manter uma árvore de grande porte localizada no centro do terreno, tornando-a visível de qualquer ponto do projeto, mesmo com a declividade no terreno.

“O que eu mais gosto neste projeto é da relação do interior com o exterior. Quem está ali na cozinha, na bancada, por exemplo, olha pra fora, vê quem está lá, da mesma forma que quem está lá, vê o interior. Acho que isso é mais legal. Os proprietários, fazendo alguma coisa ali, preparando um jantar, e a filha no jardim, brincando, enfim, é essa integração visual e a relação com a natureza que temos que ter em nossos projetos.”, diz Gustavo.

Outro fator observado pelo arquiteto é que cada vez mais nós temos problemas com drenagem de água, enchente, então, faz-se necessário o bom aproveitamento do terreno e a manutenção da área verde. “Esse conceito ecológico na construção vai muito além da compra de uma cisterna para reaproveitamento da água da chuva. A manutenção da drenagem natural de um terreno, evitando a grande impermeabilização do solo, é muito mais eficaz na contribuição ecológica, pois diminuiu a canalização direta da água para os rios, evitando enchentes. Além disso, um projeto que mantém grandes áreas verdes é muito mais agradável para se viver.”

Fornecedores

Fornecedores