Texto: Marcelo Antunes | Fotos: MCA Estudio

Descortinando a orla carioca, o apartamento projetado pelo escritório Yamagata Arquitetura mixa paisagem-fetiche, design brasileiro da melhor qualidade e coleção de arte de tirar o fôlego.
A sala de jantar com tela de Rodolpho Parigi. Ao lado, fotografias de Miguel Rio Branco sobre o sofá Flexform e um fetiche fashion, a manta de cashmere Hermès.

Na varanda, no alto, o cultuado récamier Barcelona. Na abertura, a arquiteta Paloma Yamagata e outro fetiche fashion no par de luvas de boxe Louis Vuitton. Ainda na abertura, na sala de jantar, tela de Abraham Palatnik e uma das cadeiras Cantu, de Sérgio Rodrigues.

Foi sentada no chão do apartamento recém-adquirido pelo amigo, um empresário jovem, solteiro e de sucesso como ela, que a arquiteta Paloma Yamagata (em parceria com seu sócio Bruno Rangel) rabiscou sobre a planta as primeiras ideias para a reforma geral do apê dele, agora no papel do cliente. “Ele é ligado em arquitetura e design desde pequeno. Decidiu morar na Lagoa, comprou o apê e me convidou”, resume a profissional.

A antiga planta de 250 metros quadrados no 5º andar lucrou – e muito – com a integração do social, agora ocupando 60% do espaço. O restante ficou reservado a duas suítes, cozinha americana, adega/louçaria e serviço. No décor, a arquiteta teve o apoio do grande profissional Aldi Flosi, também arquiteto, e set designer que foi responsável pelas reportagens visuais de boa parte das revistas bacanas do décor nos últimos anos. O living se abre para a Lagoa Rodrigo de Freitas através da varanda, que emoldura um dos cartões postais cariocas. Retirado o velho assoalho, o travertino bruto por todo o piso tem tudo a ver com o Rio. O feeling geral é uma feliz fórmula da descontração com curadoria.

A coleção de arte é um capítulo à parte, desde modernos como Volpi, um Palatnik fantástico e o venezuelano cinético Cruz-Dier, a talentos atuais como Miguel Rio Branco, Vik Muniz e a portuguesa Joana Vasconcelos. No living, dois ícones internacionais, o couch récamier Barcelona (1930), de Van Der Rohe, e a luminária Tolomeo Mega (1987), da dupla Fassina e DE Lucchi para Artemide. Na área do jantar, destaque para um conjunto herdado da fazenda da família do dono do apê. São as oito cadeiras Cantu de espaldar alto de Sérgio Rodrigues, nome que traz lembranças à arquiteta.

“Convivi desde pequena com a poltrona Mole, a cadeira Lucio e a poltrona Oscar na casa da minha avó paterna”, revela.

Na varanda, entre o par de chaises em linho da Cassina, a mesa cubo revestida de azulejos Costa, na sala, o charme do baú Luis Vuitton com as marcas do tempo, que os franceses definem como “dans son jus”.

A cozinha devidamente equipada com armários em laca fosca Ornare, bancada Corian, cuba e metais Mekal, sentadas cada qual em uma Hal Chair, série esperta de 2010 do inglês Jasper Morrison, inspirada na original criada por Charles Eames nos anos 50, ambas produzidas – original e sua inspiração contemporânea – pelo know-how da manufatura suíça Vitra.

Outro clássico é a mesa Alex (1960) de Sérgio Rodrigues, ao fundo, Audrey Hepburn de Vik Muniz, série Diamonds. Dois baús: baú Vuitton e escultura em faiança de sapo da manufatura portuguesa Rafael Bordalo Pinheiro, recoberta com crochê, de Joana Vasconcelos, maior nome das contemporâneas de Portugal. À direita, o living com detalhes da tela de Rodolpho Parigi.

Yamagata Arquitetura
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