Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Elson Yabiku

Quando Elis Regina cantou que sonhava em ter uma casa no campo, certamente ela tinha em mente aquela casinha simples, quase perdida no meio do mato. Mas hoje, quem busca a calma e tranquilidade do campo, não precisa abrir mão do conforto e das facilidades da tecnologia para encontrar sua paz de espírito. No projeto de remodelação dessa casa de fazenda, a arquiteta Maria Lúcia Santos (CAU: A13832-0) encontrou uma residência aconchegante, mas que carecia de espaços integrados para reunir toda a família nos momentos de lazer, como um espaço gourmet e acomodação para os hóspedes.

“Eles se reúnem quase todo fim de semana. São adultos, adolescentes e crianças, chegando facilmente a 15 pessoas. Apesar de o local ter espaço de sobra, para que tudo ficasse integrado, na realidade, eu tinha uma área bem limitada”, contou Maria Lúcia.

A proposta era criar um área confortável que abrigasse o maior número possível de pessoas, que o espaço tivesse múltiplas funções para que a família ficasse toda junta nas atividades de descanso e diversão.

“Eles desejavam que as refeições pudessem ser feitas com todos reunidos no mesmo local, que estar curtindo a piscina não significasse se isolar. Principalmente, gostariam de uma área de conforto e liberdade”.

O espaço era delimitado pela casa da sede, a piscina e um pasto.

“Mudamos a única coisa que poderia ser transportada para outro lugar e abrir mais espaço para o edifício: o pasto. As cercas foram refeitas em uma área mais afastada. Com uma topografia íngreme, o terreno apresentava uma diferença de 5 metros de altura do piso da casa sede”.

Três novas suítes foram criadas no andar inferior, mas ficam completamente integradas, tanto à casa principal como ao espaço de lazer.

“Aproveitei alguns materiais e cores que estavam presentes na casa da sede, para manter a identidade”.

Madeira, tijolos de demolição, aço corten e vidro, muito vidro para privilegiar uma vista da área verde da fazenda de 180 graus.

“A ideia era integrar, criar uma linguagem com os materiais de completa interação”.

Como o espaço é muito amplo, a arquiteta preferiu não separar as atividades e proporcionar a mais completa liberdade de uso.

“A varanda é um dos grandes destaques. O espaço que tínhamos não era suficiente para garantir o conforto dos usuários. Para criar uma varanda em balanço, também teríamos preocupações adicionais com a estrutura, então optei por essa solução metálica modular, que deu um toque especial de modernidade ao projeto”.

“Nos acabamentos, escolhi materiais de fácil manutenção. A rusticidade do local, eu reservei para algumas peças e, principalmente, para a parede de 5 metros em aço corten, que abriga a TV”.

O piso antiderrapante garante a segurança das pessoas, que saem molhadas da piscina, sem escorregar.

Para a varanda, Maria Lúcia escolheu moveis de área externa com tecidos e madeira apropriados para resistir às intempéries.

A iluminação também recebeu melhorias.

“Instalamos alguns trilhos, que se encaixam nas paredes de ponta a ponta e que levam os pontos de luz onde buscávamos as ambientações adequadas para cada função”.

O paisagismo deu o toque final para uma ambientação perfeita.

“Na parte inferior, próximo à área dos hospedes, criamos um jardim para dar mais privacidade ao corredor que liga os quartos, e complementamos com alguns coqueiros, com a copa já formada, que ficam na altura da varanda da área de lazer”.