01/07/2016 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: André Monteiro

Dizem que a necessidade é a mãe da invenção e da criatividade, certo?

No caso do arquiteto Rômulo Teixeira, foi justamente a vontade de buscar um novo lugar para morar que deu o pontapé inicial em sua carreira.

“Em 2014, resolvi fazer uma grande mudança: trocar de apartamento e finalmente fazer meu primeiro projeto como experimento na área em que eu estudava, a Arquitetura. Mas eu teria que encarar alguns problemas. O maior deles foi vender minha kitchenette e comprar outra com um valor abaixo da minha para conseguir reformá-la com o dinheiro que sobrasse”.

Tudo isso deveria acontecer na mesma época, pois ele teria que sair imediatamente de um lugar para morar no outro.

“Com muita procura e um pouco de sorte, encontrei um studio (41 m²) com valor menor do que a minha kitchenette (27 m²) e acabei ganhando mais espaço”.

Como na época ainda era estudante, com um orçamento limitado, Rômulo teve que ser criativo.

“Por meio de um amigo, conheci um senhor que trabalhava com reformulação de containers, peguei alguns projetos guardados na gaveta e coloquei em prática. Isso ajudou muito no custo, pois eu poderia criar uma peça com design próprio, pagando apenas pela mão de obra e reutilizando materiais que seriam descartados”.

O projeto foi desenvolvido em parceria com a arquiteta Cintia Miyahira, de quem agora Rômulo é sócio no escritório Mezzanine Arquitetura.

“Para nós, cada projeto é singular. Antenados no mundo artístico, as cores e a arte transparecem a nossa personalidade”.

A partir de muita pesquisa online e nas lojas da cidade, ele comprou eletrodomésticos, reformou seu antigo sofá, comprou revestimentos e aproveitou algumas coisas do antigo apartamento. “Mas nada disso seria possível sem a ajuda dos meus amigos que foram essenciais durante toda a obra”.

Seguindo um estilo industrial ‘descontraído’, utilizou muitas cores, dando vida ao ambiente. Contemporâneo e com um toque nova-iorquino, o studio é versátil. Pode transformar-se de home office em sala de estar, jantar ou até mesmo em quarto. “O sofá-cama traz um clima de sala e não limita o espaço, podendo-se abrir a cama apenas na hora de dormir”.

O layout aberto com cozinha americana faz com que o espaço pareça mais amplo e também que tenha uma corrente maior de vento. A mesa, inicialmente com 4 lugares, pode se transformar em 8 caso surja uma visita inesperada ou uma reunião com mais convidados.

O guarda-roupa aberto é ótimo contra mofo, ideal para a cidade de Santos (SP), uma cidade praiana e bem úmida. Além disso, conta com a praticidade de pegar as roupas mais rapidamente.

“O armário roupeiro pode ser usado em qualquer área da casa. Sempre gostei do estilo industrial, então a ideia era incluir o máximo de objetos de aço para criar esse visual. Apesar de o apartamento ser pequeno, o banheiro ficou com um tamanho bom e também é utilizado para acomodar a máquina de lavar”.

Na escolha dos revestimentos, o piso recebeu um porcelanato com aspecto de cimento. Na parede da Cozinha, peças grandes de porcelanato polido.

“O tijolinho aparente reforça a referência com o industrial e deixa o ambiente mais aconchegante. Como a ideia era colorir com o mobiliário e objetos de decoração, ou até mesmo planejados, escolhemos o preto para as demais paredes e tetos. O banheiro recebeu pintura em algumas paredes e porcelanato na divisão do box”.

Para complementar com um toque urbano e colorido, os arquitetos criaram um desenho e o reproduziram em uma das paredes à mão, utilizando com canetas Posca.

“Sempre pensamos que o apartamento deveria ter um pouquinho da gente. Sendo assim, resolvemos criar os nossos próprios mobiliários em vez de comprá-los. Como moramos em Santos e conhecemos algumas pessoas que trabalham no porto, fomos conhecer os materiais disponíveis para criarmos. Achamos muitas coisas diferentes, mas o container era o que chamava mais atenção”. Dessa inspiração, surgiram peças incríveis, como as portas, mesa e banquetas.

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