26/10/2016 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: João Morgado

Um dos maiores desafios de hoje em cidades tradicionais, como a cidade do Porto, em Portugal, é promover a intervenção na grande quantidade de edifícios antigos e históricos, de forma que seja possível modernizar as habitações ao mesmo tempo em que se conserva o patrimônio histórico e a cultura do local.

O projeto DM2 Housing, desenvolvido pelo escritório OODA, trata da renovação de um edifício para ser transformado em uma unidade com 17 apartamentos para estudantes e jovens em geral.

A cidade toda é constantemente um palco de transformações e inovação, o que a consolida como a síntese de um longo processo evolutivo e cultural que marca as pessoas e das quais depende para serem vividas. Como tal, o tecido urbano e geográfico ganha características próprias, que potencializam a imagem de uma cidade dinâmica, onde edifícios de exceção, como o DM2, reclamam um papel especial e indutor dessas alterações.

O Edifício D.Manuel II, localizado na área de proteção do Museu Nacional Soares dos Reis, tem datação do século XIX. Originalmente, o imóvel era destinado a uma residência única tendo na construção e decoração todas as características dos edifícios da época, tanto na disposição funcional como ornamental e estética.

No fim do século XX, depois de uma reforma, o imóvel passou a ser divido por pisos independentes com funcionalidades diversas, o que acabou ocultando ou modificando traços de patrimônio originais, como as caixilharias (substituídas por alumínio), a estrutura de madeira dos pisos (atualmente concreto) e a claraboia tradicional no topo das escadas.

O novo projeto teve o objetivo de reconstruir o imóvel, retomando a função inicial de residência integral, recuperando os traços de identidade ocultados, reinterpretando elementos tradicionais e dotando o edifício de um novo sentido de habitabilidade contemporânea com um programa de tipologias ajustado às necessidades de mercado atuais.

Assim, o D.Manuel II passou a contar com 17 apartamentos, que variam em dimensão entre 28m² e 105m², que se distribuem por 5 pisos e são acompanhados por um espaço comum, com jardim, destinado a estacionamento.

Depois da reforma concluída, o prédio teve sua função residencial original restaurada, com suas características formais e construtivas originais adaptadas a uma realidade urbana contemporânea da cidade do Porto.

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