08/11/2016 — Texto: Paula Ramos | Fotos: Patrick Bingham-Hall

A pequena e agitada nação-ilha do sudeste asiático é uma das cidades mais modernas, ecologicamente eficientes e cosmopolitas do Mundo. Cingapura é palco de alguns dos edifícios mais emblemáticos do século XXI e é, igualmente, um dos maiores centros financeiros da Ásia.

Tornou-se, por isso, um dos maiores símbolos da arquitetura moderna, que conjuga funcionalidade e elegância sem descuidar da preocupação com a pegada ecológica. É neste contexto que se insere o trabalho de Guz Wilkinson, o mentor da Guz Architects: uma arquitetura refrescante de relação íntima com a Natureza, em que a estrutura, a tecnologia e os materiais são escolhidos em prol de uma maior proximidade entre o interior e o exterior.

Além de ter sido considerada uma das 25 melhores empresas de arquitetura do Mundo pela Wallpaper Magazine, a Guz Architects foi homenageada duas vezes pela SAI nos prêmios de Architectural Design.

A Fish House foi desenhada para um casal australiano, cujo único requisito que impôs ao arquiteto foi que maximizasse a soberba vista para o mar, sintonizando o espaço da casa com o clima tropical e úmido da região. Assim, Guz concebeu uma casa simples, com dois andares e um subsolo, em que a paisagem envolvente entra por todas as janelas. Uma casa sem fronteiras, em que cada ambiente se mistura com o horizonte. 

Esta ‘cabana moderna’, como Guz Wilkinson chama sua Fish House, é composta por dois pavilhões distintos – um para dormir e outro para lazer – ligados por um jardim interior, ambos rodeados por uma piscina que, ilusoriamente, se liga com a água do mar. Vidro e madeira são os materiais escolhidos, numa casa de paredes brancas e painéis deslizantes, que potenciam tanto a ventilação como a iluminação natural. 

O telhado de contornos ondulatórios – à semelhança do mar – é essencialmente composto por discretos painéis fotovoltaicos que produzem quase um terço da energia necessária para a habitação, contando, ainda, com uma zona ajardinada que potencia a refrigeração natural da casa e é perfeita para a prática de atividades ao ar livre ao fim da tarde, ao pôr-do-sol.

Se no piso superior, onde fica a suíte do casal, a vista é sublime, no subsolo reside uma enorme sala de estar, submersa na piscina exterior. A decoração trendy e minimalista, colorida pelas plantas naturais, é a cereja no topo do bolo. Uma casa única, tão singela quanto luxuosa, que se distingue das demais casas, construídas à beira-mar.

Por causa do excesso de construção e de vizinhança nesta zona da ilha de Sentosa, a opção passou por ‘virar’ a estrutura quadrangular da casa para o mar e para a larga piscina do piso térreo, promovendo a privacidade total. No interior, pautado por madeira e vidro, uma longa escada ondulada dá acesso a todos os andares, terminando num lago interior que fica na cave, onde uma ampla sala de estar é iluminada pelo azul translúcido da água da piscina.

Tudo é verde, azul, transparente, branco e castanho neste projeto de Guz Wilkinson, marcado pela alegria dos jardins, o brilho da luz solar e o aroma da brisa marítima que inunda todos os compartimentos.

A obra de Guz Architects partiu de Cingapura, mas rapidamente chegou à Austrália, à Nova Zelândia e à Europa, numa constante criação de projetos que deverão persistir ao avançar dos tempos por criarem espaços inspiradores e idílicos, plenamente inseridos nos ambientes para os quais foram imaginados. Ideias de arquitetura ecológica que fazem deste projeto um dos mais reconhecidos pela crítica especializada internacional. Além disso, a Guz Architecs contribui regularmente com uma percentagem dos seus lucros para organizações como a Future Forests.

www.guzarchitects.com