Texto: Stratégie Comunicação | Fotos: Luiz Fernando Coimbra

Ter uma casa de campo é o sonho de muita gente. Mas este projeto de 480 m² em Avaré, no interior de São Paulo, tem algumas peculiaridades: foi construído no mesmo terreno onde já existia outra casa, do pai do proprietário.

“Inicialmente, seria um chalé com três dormitórios, para acomodar o jovem casal, seus amigos e os filhos. A ideia cresceu e tivemos que enumerar as necessidades do cliente”, conta a arquiteta Caroline Ficker.

E o chalé com três quartos se tornou uma casa com cinco suítes, atendendo o filho do proprietário do lote, sua família e hóspedes.

Além da construção de uma nova casa, a profissional também ficou responsável pela reforma de alguns espaços da sede, como a criação de um SPA. Já para o projeto da residência, ela precisou atender duas solicitações: propor apenas uma cozinha de apoio, para que as refeições continuassem sendo feitas na casa sede, e não incluir piscina, já que o lote possui uma e a intenção era manter a convivência e a união da família.

A arquiteta lançou mão da bela vista para a represa e para o campo de golfe e aproveitou para implementar elementos naturais, como madeira e pedra, mantendo a harmonia entre a residência e a paisagem. Mas o principal desafio foi criar uma passagem externa para a brinquedoteca.

“Ela está localizada no segundo pavimento e incluir uma escada externa deixaria a fachada muito estranha”, observa.

Segundo Caroline, essa área da casa estava desconexa e precisava de atenção especial. Para isso, ela optou por um shaping no terreno íngreme, suavizando os desníveis por meio de uma rampa para a entrada independente da brinquedoteca, que proporcionasse segurança para as crianças.

No interior da residência, ela considerou os conceitos de conforto térmico e aplicou os princípios da ventilação cruzada, uma vez que a região é quente e também venta bastante. Uma abertura alta do lado oposto da porta da varanda, que pode ser fechada como uma janela, permite a entrada do vento, circula pela sala e sai pelo outro lado, refrescando o ambiente naturalmente.

No design de interiores, a aposta foi em peças atemporais, misturando móveis de design brasileiro e contemporâneo, com itens clássicos.

“Busco aliar a minha estética ao gosto do cliente para criar ambientes únicos, com cara de casa habitada, que carrega a história de seus moradores”; revela Caroline, que desenhou a estante do living.

Já a cozinha de apoio foi equipada com bancada em madeira, feita em parceria com a designer Monica Cintra, e cadeiras da Dpot.

A varanda integra o exterior ao interior, levando o verde para dentro da casa.

“Ela está em meio a um campo de golf e de frente para a represa, então é natural que a rotina esteja voltada para fora. O pergolado a fez crescer e pode ser aproveitado tanto em dias de sol e como de chuva”, destaca a arquiteta.

As crianças também têm seu próprio espaço na brinquedoteca, com mobiliário feito sob medida por Caroline.

“Aproveitei parte da laje do segundo pavimento e criei uma entrada independente para o cômodo, que não passa por dentro da casa”, finaliza.

O belo spa é um destaque à parte: projetado para a casa sede, era um espaço perdido, pois sua parede faz divisa com a garagem para os carrinhos de golf. Logo, ainda que estejam no mesmo lote, o SPA e a residência constituem projetos diferentes. Como os clientes aproveitam os finais de semana para relaxantes sessões de massagem, a arquiteta criou um local intimista e aconchegante, com macas mais largas do que as convencionais, com 85 cm de largura e gavetas especiais para toalhas e cosméticos.

“A ideia era criar uma atmosfera diferente do convencional, então a escolha dos revestimentos e acabamentos foi fundamental. Nas paredes, aplicamos uma cerâmica (Colormix) que imita chapas de cobre envelhecidas. Além do efeito estético, ajuda a conservar as paredes, já que o espaço é úmido”, justifica.

Colecionador de obras de arte, o cliente queria incluir a estátua de um príncipe balinês na decoração do spa. “Norteei o projeto a partir disso e fiz uma abertura para iluminação zenital, iluminando a obra durante o dia, com luz natural, e à noite, com artificial”. No forro, toras em madeira maciça foram instaladas de maneira semelhante a escamas de peixe, ajudando a valorizar a iluminação e conferir aconchego.

Arquiteta e designer Caroline Ficker
www.carolineficker.com