09/02/2017 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Marcello Tardelli

A arte de tornar coerente e organizado, visualmente, o emaranhado de edifícios, ruas e espaços que compõem o ambiente das cidades é conhecida como Paisagem Urbana.

O conceito, formulado na década de 60, pelo arquiteto e urbanista inglês Gordon Cullen, parece continuar muito atual nos dias de hoje e certamente tem relação com a atual obra do artista Edivaldo Silva.

Depois de viver vários momentos em sua carreira, Edivaldo conta que está justamente passando por essa fase mais urbana, direcionando seu olhar para esse universo. “Procuro retratar, nas minhas telas, elementos típicos das metrópoles, reunidos de forma que fiquem esteticamente equilibrados”.

Signos, sinais, placas, cores, imagens… Tudo isso você encontra na mais recente coleção de telas produzidas por Edivaldo. “Somos muito guiados pelo visual. Hoje, não dá para imaginar os muros da cidade de São Paulo sem a pichação e o grafite. Desde o profissional que constrói o muro, até o rapaz que cola um cartaz e o pichador, todos são pessoas tentando deixar sua marca nesse mundo. Isso é da natureza do ser humano”.

Nascido em Palmital (SP), Edivaldo desenhava desde criança, mas somente quando se mudou para Sorocaba, aos 20 anos de idade, começou a ter um contato maior com o mundo das artes. Sua iniciação se deu por influência de um amigo, que percebeu nele um talento especial. Sua técnica de pintura é das mais variadas, passando pelo giz pastel, tinta acrílica e óleo sobre tela.

“Não ouso citar somente algumas influências. Na minha vida, de tudo o que eu vi e gostei eu tiro um pouco. Não existe nada 100% original. Não é possível desenvolver um trabalho partindo do nada. O artista copia e se inspira o tempo todo”, declarou Edivaldo.

Apesar de se considerar autodidata, ele faz questão de relembrar os mestres que teve durante a vida. “Estudei desenho na escola Archimedes, com o professor José Maria, desenho e pintura com Benjamim Gonzales, pintura com Raquel Taraborelli e Costa Junior. Cada um deles é também responsável pelas minhas criações”.

Com o tempo, o aprendiz também se tornou mestre. Edivaldo integrou o grupo União dos Artistas de Sorocaba, foi professor de desenho e pintura na Casa da Cultura, de Pilar do Sul, e depois na Loja do Artista de Sorocaba. “Depois de 20 anos ensinando técnicas de pintura, resolvi dar um tempo para me dedicar mais a essa nova coleção, que pretendo também levar para São Paulo”.

Sobre os rumos da cultura, ele considera que Sorocaba está se abrindo aos poucos para a arte. “A cidade está recebendo novas e importantes iniciativas como a Abart (Associação Brasileira de Arte), da qual sou integrante, que dá aos artistas uma fundamental assessoria. Destaco também o MACS, o Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, que vai facilitar a chegada de coisas novas por aqui, proporcionando um maior intercâmbio entre os artistas locais e os bons talentos de fora”.

Para Edivaldo, a arte é difícil em qualquer lugar. “Van Gogh morreu pobre e sem vender um único quadro. A valorização da arte é uma coisa de cultura. O brasileiro não é educado para valorizá-la. Isso vem com o tempo. Quando a pessoa tem mais acesso à música, ao teatro e outras manifestações culturais, acaba despertando nela essa vontade de consumir a arte. Aproveito para elogiar também essa inciativa da Revista Habitare, que sempre abre espaço e valoriza os artistas da região”, concluiu ele.