Texto Sandro Prezotto | Fotos Acervo da Artista

Uma jovem cheia de energia e com um talento natural ainda a ser explorado. Nascida em Assis (SP), Erika Mello conta que sempre foi uma criança bagunceira. “Cresci brincando na rua com os meninos. Nunca gostei de boneca. Preferia o pique-esconde e outras brincadeiras de rua”.

O primeiro contato com as artes foi perto dos 7 anos de idade, quando Erika se envolveu em cursos de teatro, música e violino. “No início, sem muito sucesso. Logo eu desistia e procurava outra paixão, como as aulas de dança”.

Na pré-adolescência, os sonhos de viajar pelo mundo a fizeram se matricular em um curso de japonês. Em 2013, Erika foi seduzida de vez pelas artes plásticas, quando fez seu primeiro grafite de rua. “Neste dia fui para casa toda suja, com tinta nas roupas, no cabelo, no rosto… Mas muito feliz! Para mim, aquilo foi algo libertador, foi amor à primeira vista”.

“Tudo que sei, eu aprendi observando uma pessoa que se graduou em artes plásticas e esta pessoa me ajudou muito. Meus primeiros grafites no muro, eu fiz sozinha. Mesmo nos desenhos em folhas de caderno, fui colocando as técnicas em ação por observação mesmo. Vi a arte como um refúgio no tempo e até hoje eu expresso isto em meus trabalhos, com casais, pássaros em liberdade e relógios representando o tempo, que é algo sagrado na minha vida”. O primeiro reconhecimento como artista aconteceu em 2014, quando Erika participava de uma exposição do artista Alemãoart, em Assis.

“Fiz um mural intitulado Dom Quixote, utilizando técnicas do cordel. A exposição foi um sucesso, recebeu 4 mil visitantes. Quando me dei conta, as pessoas estavam me enviando mensagens pelas redes sociais parabenizando meu trabalho e me chamando de Eriway, que é como eu assino minhas obras”.

Nesta exposição foi confeccionada sua primeira obra por encomenda. “Na época, eu ainda estava cheia de incertezas sobre a profissão de artista plástica, mas então eu realmente percebi que era isso o que eu queria para minha vida”.

A pouca idade nunca foi um obstáculo para ela. “Tenho consciência de que ainda sou uma criança neste meio, que tenho muito a aprender. Por isso, exploro minha sinceridade, inocência, meu lado sonhador para criar. Nesta fase, tudo para mim é muito intenso, tudo é novidade. Penso que isso só me fará evoluir, tanto nos quesitos ideias, como nos sentimentos e emoções que represento em minhas obras”.

Depois de exposições individuais e coletivas, em parceria com o artista Alemãoart, em Assis (SP), Poços de Caldas (MG) e Búzios (RJ), Erika teve em 2015 sua primeira exposição individual em São Paulo, na Vila Madalena, denominada “Relicário”, com suas obras em preto e branco. Seu principal canal de divulgação sempre foi a internet. “Eu tinha vergonha de publicar meus trabalhos, mas as pessoas passaram a elogiar e compartilhar. Foi pela internet que recebi os primeiros convites para exposições, criações de tatuagens, convites para capas de CD de bandas brasileiras e internacionais”. Pela rede também chegou o primeiro convite internacional de uma galeria em Lisboa (Portugal), que recebe uma exposição de Erika em julho de 2016.

Suas técnicas envolvem acrílico, posca e stencil, além de colagem de rendas para os acabamentos nas roupas dos personagens. “Uso estes materiais desde o começo, mas sempre pesquiso formas de inserir novos materiais, como a resina cristal”. Nos trabalhos iniciais, em preto e branco, o que chama mais atenção é o detalhismo dos desenhos. “Meu foco eram as estampas e texturas, como uma forma de compensar a ausência das cores. Mas uma nova fase cheia de cores vem surgindo. O artista está sempre se redescobrindo, procurando novas maneiras de se expressar. Para mim, arte é transformação e autoconhecimento”.

Por ter estudado muito o idioma e a cultura japonesa, Erika sempre foi apaixonada pelos desenhos em estilo mangá. “Mas quando conheci o Cordel, imediatamente aquilo me cativou. Muitos dos meus desenhos mesclam esses dois estilos”. Outras de suas referências incluem Modigliani, Chagall e Chakaphan Ratanachan.

Entre seus temas preferidos, os Casais são o grande destaque. “Gosto de retratar o primeiro amor, aquele olhar, as paixões, famílias, amantes. Foi por causa do amor que comecei a pintar e certamente esta é a melhor maneira de expor minha essência”.

Hoje, a principal forma de contato com seus clientes é pela internet, mas Erika tem obras em galerias no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. “Meu sonho, no momento, é viajar, conhecer um pouco cada canto do mundo e descobrir novas sensações. O artista precisa de novos ares, pois viajar também é autoconhecimento e ajuda a aflorar a criatividade”.

www.facebook.com/eriwayarte