Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Acervo da Artista

Arte e empreendedorismo dão a tônica do trabalho de Angela de Oliveira. Nascida em Itapetininga (SP), sua infância foi cercada por artes, pois seu pai era filósofo, grande orador e um talentoso desenhista.

As Mulheres de Angela

Angela de Oliveira

As Mulheres de Angela

Angela de Oliveira

O próximo passo foi aprender técnicas de pintura, aulas que Angela recebeu de uma freira suíça.

“Ela me ensinou pintura a óleo e me pedia para reproduzir paisagens da Suíça, mas eu não gostava muito de ficar copiando e pedi a ela para começar a inventar um pouquinho”.

Os livros de arte eram sua fonte de pesquisa e foi lá que ela conheceu e se encantou por Gauguin e Matisse. “A luminosidade em suas obras foi o que mais me chamou a atenção”.

“Na juventude, eu sempre estava inventando alguma coisa, como sapatos e vestidos, tudo muito colorido”. Há 20 anos, Angela se reencontrou na pintura e adotou as artes como terapia para atravessar um momento pessoal difícil. “Nessa época, fiz minha primeira exposição em Itapetininga, vendi todas minhas obras e me animei para retomar a carreira”.

Em sua trajetória, a artista passou por diversas fases de experimentação. “Eu pintei paisagens, abstratos, geométricos, passei a usar o acrílico e fui pesquisando mais, sempre vendendo minhas telas. Nesse momento eu vivia da minha arte”.

Angela conta que sua forma de pintar é intuitiva. “Não me prendo muito à técnica. Costumo dizer que eu me empresto para a arte e ela flui através de mim. Quando a procura por minhas obras aumentou muito, tive a real percepção de que estava no caminho certo”.

Em 2012, ela começou a escrever uma autobiografia, que conta sua trajetória nas artes. Nessa época, a artista passou a retratar somente mulheres em suas obras. “As redes sociais me ajudaram muito, como um canal importante para divulgar o meu trabalho. Em consequência, outras galerias me procuraram e comecei a receber convites para expor fora do Brasil”.

Em 2013, Angela viajou à Croácia, Eslovênia, Bósnia e Montenegro. “Uma curadora me convidou para acompanhar um grupo e retratar em tela minhas impressões sobre esses países, sempre focando as mulheres que encontrei nesses lugares”.

Depois de exposições internacionais em Roma, Tunísia e República Dominicana, em 2014, Angela viu suas obras chegarem ao Carrousel du Louvre, em Paris, um antigo sonho.

Hoje, ela considera que conseguiu alcançar sua forma de expressão definitiva e acredita que as Mulheres se tornaram sua marca registrada. Sobre o papel dessas mulheres em sua obra, a artista considera que todas essas figuras femininas podem ser reflexo de seu próprio aspecto feminino e suas várias facetas. Essa fase a inspirou a criar o projeto “Marés Flores Cores e Estrelas Guia”, aprovado pela Lei Rouanet em 2014 e em fase de captação.

O visual colorido e alegre das telas tornou a obra de Angela também muito procurada por arquitetos e decoradores para compor seus projetos.

Angela conclui opinando sobre o papel do artista. “O mundo anda tão sério e sem graça, então penso que ao artista cabe a missão de difundir a alegria. Eu sou do grupo que busca trazer mais cores a esse mundo caótico em que vivemos”.