09/05/2017 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Acervo da Artista

Enquanto todas as crianças brincavam na rua, ela ficava no cantinho, desenhando.

Desde pequena, a artista plástica Katherine Scholz de Camargo mostrava um jeito especial para as artes e vivia pela casa com seu material e apetrechos de desenho. Nascida em Itararé, Katherine passou a infância em Itapeva (SP). Seus primeiros traços foram com caderno e lápis de cor.

“Meus pais e minha tia-avó compravam o material para mim. Na pintura a óleo eu também comecei sozinha, com as telas e pincéis que meus pais me davam. O apoio da família sempre foi essencial”.

Até se mudar para São Paulo, aos 14 anos, Katherine fazia seus trabalhos de forma intuitiva e autodidata. “Somente aos 17 fiz meu primeiro curso de pintura e desenho, além de alguns cursos livres na FAAP”.

Nessa época, ela decidiu dar um novo rumo à sua vida. “Embarquei para Nova York para me especializar e investir definitivamente na carreira. Nos 6 anos que passei nos Estados Unidos, aprendi muita coisa, mas o que mais me chamou atenção foi o curso de colagem, onde eu encontrei minha linguagem, minha forma de expressão”.

Na escola Arts Students League, ela participou da primeira exposição e foi premiada com o 2º lugar. A técnica de colagem que Katherine aprendeu mistura tinta acrílica com diversos materiais, como tecido, papel, plástico, embalagens usadas e outros objetos que iriam para o lixo.

“Essa experimentação deu origem às paisagens, que são uma mescla do simbólico, o figurativo e o abstrato, trazendo um pouco do Simbolismo, que mistura o real com o não-real”.

Sua primeira exposição em galeria, também em Nova York, foi na Agora Gallery. “Tudo corria muito bem, até que bateu saudades do Brasil. Senti que precisava pesquisar mais sobre a nossa tradição, porque lá fora eu vi o quanto a nossa cultura popular é rica”.

Depois de três anos na Bahia, Katherine voltou a Itapeva, onde montou seu ateliê e passou a expandir sua arte para o mundo todo. Dubai, África, Inglaterra e China foram alguns dos destinos de seus trabalhos. Para este ano, os planos são ambiciosos.

“Durante a Copa, estive no Rio de Janeiro. Depois vou a Nova York, em setembro, e em outubro chego a Paris, onde terei um trabalho exposto no Carrossel do Museu do Louvre. É o meu grande sonho sendo realizado”.

Há algum tempo, Katherine incorporou o mosaico à sua obra, criando uma técnica mista. Entre suas principais referências, estão Gustav Klimt e Marc Chagall. Segundo a artista, sua inspiração está nas lembranças da infância, elementos lúdicos, memórias e símbolos típicos do interior, como as casinhas, que se tornaram um ícone do seu trabalho. Katherine, conta que busca sempre se aprimorar e agregar novos elementos ao seu trabalho.

“Hoje tenho um marchand que negocia minhas obras com galerias e salões internacionais. Em Itapeva, as vendas acontecem por encomenda ou no ateliê”.

A artista também expandiu seu trabalho para esculturas, móveis e objetos de decoração, vendidos no site Elo 7.

katherine.camargo@hotmail.com
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